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Posts Tagged ‘Fiori Gigliotti’

Relembre uma chamada da Rádio Bandeirantes para a transmissão das semifinais da Copa de 1982

30/10/2014 1 comentário

Por Rodney Brocanelli

O Radioamantes apresenta mais uma relíquia do rádio: uma chamada veiculada na programação da Rádio Bandeirantes, em julho de 1982 anunciando a transmissão dos jogos da semifinal da Copa da Espanha, aquela mesma que trouxe muita decepção para o torcedor brasileiro. No dia 8 de julho, uma quinta-feira, a voz grave e marcante de Walker Blaz era um instrumento para a convocação dos ouvintes para duas jornadas esportivas. As 11h55 da manhã começaria a partida Polônia x Itália, partida que teria narração de Fiori Gigliotti, comentários de Dalmo Pessoa e reportagens de Flavio Adauto e João Zanforlin (um parêntese: era para o Brasil estar nessa semi). E as 16h, França e Alemanha fariam o outro jogo, com transmissão de Oscar Ulisses, comentários de Luiz Augusto Maltoni e reportagens de Sergio Carvalho. Áudio extraído dos arquivos de Onofre Favotto, que estão disponíveis na Internet. Ouça no player abaixo.

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O Radioamantes no Ar fala sobre o parque Fiori Gigliotti, da CCR FM Nova Dutra e de rádios piratas

Depois de um breve recesso na semana passada, o Radioamantes no Ar nesta edição falou sobre a inauguração do parque Fiori Gigliotti, no bairro da Mooca, em São Paulo, uma justa homenagem a um narrador esportivo que marcou história no rádio brasileiro. Além disso, o programa destacou o primeiro aniversário da CCR Nova Dutra, uma emissora que transmite com autorização especial para prestar serviço na Via Dutra. Outro tema abortado: rádios piratas. O Radioamantes no Ar é veiculado todos os sábados, entre 09h e 09h30, pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/). Apresentação de Rodney Brocanelli, com participação de João Alkmin.

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Mooca ganha parque de 21 mil m² e faz homenagem a Fiori Gigliotti

Da Aceesp:

Os 75 mil habitantes da Mooca, um dos mais tradicionais bairros de São Paulo, vão, finalmente, realizar o sonho de ter sua própria área verde. Será inaugurado no próximo dia 13 de setembro, às 11h, o Parque Sabesp Mooca “Radialista Fiori Gigliotti”, um espaço público de 21,2 mil m² localizado no coração do bairro, na Avenida Paes de Barros, 2.107, entre as ruas Sebastião Preto e Terenas.

Para Fabio Lepique, presidente do Conselho do novo Parque, a inauguração é motivo de felicidade dupla para os mooquenses. “É a realização de um sonho antigo dos moradores da Mooca e também uma oportunidade muito feliz de homenagearmos o radialista Fiori Gigliotti, que foi morador de nosso bairro e é reconhecido como uma das vozes mais importantes da história do rádio.”

A homenagem faz Justiça a um nome ligado à paixão pelo bairro, a cidade e o esporte. Fiori Gigliotti, narrador dos momentos mais emocionantes do futebol ao longo de mais de cinco décadas, morou na Mooca por 12 anos, logo após sua chegada a São Paulo. Seu apartamento ficava na própria Avenida Paes de Barros, próximo à esquina com a Rua Jumana, a cinco quadras do parque que agora leva seu nome.

Fiori nasceu em Barra Bonita, em 27 de setembro de 1928, e faleceu em São Paulo, no dia 8 de junho de 2006. Começou sua carreira em 1947, na Rádio Clube de Lins (SP). Trabalhou também na Rádio Cultura de Araçatuba (SP), Rádio Bandeirantes, Rádio Panamericana (atual Jovem Pan), Rádio Tupi, Rádio Record e Rádio Capital de São Paulo. Só na Bandeirantes, foram quatro décadas de transmissões. Recebeu cerca de duzentos títulos de cidadão honorário e participou da cobertura de dez copas do mundo.

Deixou marcadas expressões famosas, que até hoje permanecem na memória dos amantes do futebol, como: “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, “E o tempo passa.”, “Tenta passar, mas não passa!”, “Aguenta coração!”, “Crepúsculo de jogo”, “Agora não adianta chorar”, “É fogo, torcida brasileira”, “Uma Beleeeeza de Gol!” e “Um beijo no seu coração”.

O Parque

O Parque Sabesp Mooca “Radialista Fiori Gigliotti” está sendo construído na área do maior reservatório da América Latina, conhecida como a “Torre da Caixa D’Água”, na Avenida Paes de Barros. No local, serão expostas peças do acervo do radialista, que estão sendo catalogadas no Clube Atlético Juventus. Segundo o presidente do clube, Rodolfo Cetertick, “são verdadeiras relíquias da história das transmissões esportivas por rádio, que estão sendo catalogadas pela equipe do Juventus para estarem à disposição dos frequentadores do Parque”.

Os moradores da Mooca ganharão um espaço construído com os mais modernos equipamentos e tecnologias. Seus frequentadores terão acesso a:

206 novas árvores (50 de pequeno porte nas calçadas e 156 dentro do parque);
cerca de três mil novos arbustos e trepadeiras;
rotas acessíveis;
playground;
ecoposto para coleta seletiva;
programação de atividades para a Terceira Idade;
bicicletário;
utilização de equipamentos e estrutura sustentáveis;
variadas atividades esportivas e culturais;
espelho d’água;
rampa acessível;
restauração de instalações erguidas no início do século passado, que passarão a oferecer exposição permanente sobre saneamento (para informação e conscientização da população).

Serviço:

Inauguração do Parque Sabesp Mooca “Radialista Fiori Gigliotti”

Quando: dia 13 de setembro (sábado), às 11h

Local: Avenida Paes de Barros, 2.107 – entre as ruas Sebastião Preto e Terenas

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O debate sobre a narração esportiva

02/09/2014 4 comentários

Por Rodney Brocanelli

O grande amigo e pensador do rádio Flávio Guimarães publicou em seu blog sobre a questão da renovação da narração esportiva pelo rádio.

O link é esse http://fg-news.blogspot.com.br/2014/09/jose-silverio-jose-carlos-araujo-e.html?spref=fb

Ele se baseou em uma notícia que demos aqui no blog sobre as negociações de José Silvério com a Rádio Bandeirantes para a renovação de contrato.

Ao programa Estádio 97, além de outras coisas, Silvério disse que se sentia fracassado na missão de procurar novos talentos na narração esportiva.

O link é esse aqui:

http://radioamantes.wordpress.com/2014/08/27/no-estadio-97-jose-silverio-anuncia-que-esta-em-processo-de-renovacao-de-contrato-com-a-bandeirantes/

A partir da pergunta que eu fiz no post (“será que ele procurou nos lugares certos?”), Flávio desenvolveu seu raciocínio. Ele nota que houve um aumento na quantidade, devido à proliferação de novas emissoras de rádio e da explosão do rádio pela internet. Mas seu diagnóstico é duro:

Em sua esmagadora maioria, os locutores esportivos que surgem são réplicas de veteranos ainda em atividade. Isto é fácil de ser explicado, pois todo novato se inspira em modelos consagrados e, mesmo inconscientemente, passa a narrar “em cima” do ídolo. Assim, como cópia é cópia e não permite que façamos juízo de valor sobre ela, fica difícil avaliar se o trabalho do narrador que copia outro é fruto de talento inato ou, apenas, habilidade para imitação. Tom Cavalcante seria bom narrador esportivo? Esse é o caso.

Concordo com o caso das imitações descaradas. Neste blog, eu até trouxe o caso de um profissional do Vale do Paraíba que imita José Silvério no tom de voz e quase todos os seus maneirismos vocais. Veja no link abaixo.

http://radioamantes.wordpress.com/2013/01/04/jose-silverio-e-imitado-por-narrador-esportivo-de-sao-jose-dos-campos/

A cópia pela cópia tem que ser objeto das críticas mais severas.

Agora, o que acontece na maioria dos casos não é a imitação do estilo de um narrador esportivo, mas sim a adesão à escola da qual ele vem, especialmente aqui em São Paulo. Explicando melhor: José Silvério é um dos herdeiros diretos da linhagem que começou com Nicolau Tume e desembocou em Pedro Luiz, um de seus expoentes, com forte atuação entre as décadas de 1950 e 1970, em emissoras como Panamericana, Bandeirantes, Tupi, Gazeta e Nacional (hoje Globo). A escola da qual  Pedro Luiz vinha e consagrou consistia na descrição pura e simples dos lances que aconteciam dentro de campo. Pedro era tão obcecado com a precisão que ele, na época do grande Santos dos anos 1960,  chegou a pedir para o atacante Coutinho usar uma munhequeira da cor branca para que não houvesse confusão nos lances dos quais ele participava com os que envolviam outro astro máximo daquela equipe: Pelé.

Por isso e muito mais, Pedro Luiz virou um mito da narração esportiva, e seu estilo passou a ser seguido por dezenas de profissionais que surgiram nos anos seguintes.

Um outro exemplo mais recente: Osmar Santos também adotou um outro tipo de estilo, com mais descontração, o uso de um linguajar mais jovem. Na verdade, foi a adaptação de uma escola da qual Joseval Peixoto foi  precursor na Jovem Pan, entre o final dos anos 1960 e 1970. Peixoto fazia muitas brincadeiras no ar com o repórter Geraldo Blota. Dentro desta escola, Osmar fez os ajustes necessários para se transformar em um mito nas décadas de 1970 e 1990 até parar de forma prematura.

Algo de curioso que deve ser notado: outra das escolas da narração esportiva de São Paulo não teve seguidores conhecidos: a de Fiori Gigliotti. Ele fazia uso de imagens poéticas em suas narrações na Rádio Bandeirantes. “Balão subindo” e  “balão descendo” usado para os cruzamentos na grande área nada mais eram que uma citação às grandes festas juninas do interior.

Mais adiante, Flávio dá o seu recado.

Por quê? A resposta talvez, exija refazer a pergunta de Rodney Brocanelli. Eu sugiro esta formulação: “O que estão fazendo, de fato, os jovens narradores, enquanto desperdiçam a chance de mostrar serviço?”

Em vez de ridicularizar, que tal trabalhar com seriedade, dedicação e originalidade? O caminho que leva a bom destino, geralmente começa com o viajante abastecendo a mochila com um razoável estoque dessas virtudes. Sem elas o caminho torna-se longo, cansativo e, quase sempre, leva a lugar nenhum.

Dedicação e honestidade, sim. Nisso, eu concordo. Entretanto, irei implicar com outro dos termos usados pelo Flávio: originalidade.

Não se trata de uma implicância gratuita. Vou ficar muito feliz se eu estiver enganado, mas assim como em várias manifestações artísticas como o teatro, o cinema e a música, creio que toda a cota de originalidade na narração esportiva já foi gasta. Não há para onde ir. Dá para fazer adaptações pontuais, mas não na essência.

Acho que a dica aos amigos narradores esportivos (e convivo com vários de muito talento) é essa: siga a escola que for mais adequada à sua personalidade. E fuja da imitação dos grandes narradores que estão em atividade.

 

fiori

osmar

José Silvério empunhando o microfone da Rádio Bandeirantes em 1985

pedro luiz

flavioaraujo

 

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Memória do Plantão revive Brasil x Espanha de 1962 com Fiori Gigliotti

Neste domingo, o programa Memória do Plantão (12h30), da Rádio Jovem Pan vai reviver Brasil 2 x 1 Espanha na Copa do Chile com a narração de Fiori Gigliotti pela então Rádio Panameircana, reportagens de Renato Silva e comentários de Leonidas da Silva. Amarildo, que entrou no lugar do contundido Pelé, fez os dois gols.

Ouça em http://jovempan.uol.com.br/

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Ouça o quadro do blog Radioamantes na web rádio Show Time

08/06/2013 1 comentário

Ouça o quadro do blog Radioamantes na web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/). Relembramos os sete anos sem Fiori Gigliotti, falamos do suposto trote do qual o cantor Lobão foi vítima e cujo áudio não apareceu até hoje e sobre a questão dos repórteres de rádio que, em vez de participar das entrevistas coletivas fazendo perguntas, se preocupam mais em tentar fazer seus microfones aparecem nas transmissões de televisão alheias. Apresentação de João Alkmin e Flavio Ashcar e participação de Rodney Brocanelli. O programa vai ao ar todos os sábados, a partir das 08h e conta ainda com a participação de vários outros colunistas. A participação do blog Radioamantes começa as 09h.

 

 

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Vicente Leporace no Cantinho da Saudade

16/04/2013 2 comentários

Por Rodney Brocanelli

O Edu Cesar, do Papo de Bola, informa que nesta data, há 35 anos, morria Vicente Leporace, apresentador do histórico programa “O Trabuco” da Rádio Bandeirantes. Nele, Leporace comentava as noticias do dia, tarefa difícil naqueles tempos pós-Revolução de 1964, golpe militar ou qualquer outro nome que se queira dar para aqueles eventos. Não raro, o apresentador era chamado pelas autoridades da época para prestar esclarecimentos sobre suas opiniões pelo rádio.

Mas eu queria mesmo era aproveitar para contar um momento particular. Uma das minhas memórias de infância é justamente relacionada à morte de Vicente Leporace. Em 1978, eu tinha 6 anos. Naquela época já estava acostumado a ouvir por tabela a programação matinal da Bandeirantes, sendo preparado para ir à escola. Aquele 16 de abril tinha caído em um domingo. Final de tarde, sem ter muito o que fazer, liguei o rádio relógio (uma novidade para a época). O rádio estava sintonizado na Bandeirantes. Toca o característico quinto sinal. Depois, um locutor (o qual infelizmente não lembro quem foi) anuncia com voz grave: nota de falecimento. Começava mais ou menos assim: “faleceu nesta capital Vicente Leporace…”. Assustado, corri até onde estava minha mãe e disse a ela o que tinha acabado de ouvir no rádio. Ela não acreditou em mim, e até levei uma bronca. Achou que fosse uma traquinagem infantil de tremendo mau gosto. Em seguida, fiquei com ela e passamos a assistir à televisão. No meio do Fantástico, da Rede Globo, o apresentador Sergio Chapelin leu uma nota a respeito da morte de Leporace. Minha mãe tomou um susto e se deu conta de que eu tinha falado a verdade. Na segunda-feira, a Bandeirantes reapresentou o último Trabuco comandado por Leporace, no sábado anterior a sua morte. Na terça, estreava o Jornal Gente, que está no ar até hoje.

E o Edu Cesar foi muito feliz ao recuperar o Cantinho da Saudade, feito por Fiori Gigliotti em homenagem ao amigo e colega de emissora. Talvez um dos seus programas mais inspirados. Ouça no player abaixo.

vicenteleporace

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