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O dia do rádio, por Flávio Araújo

Evidente que tudo no mundo funciona em sinergia absoluta.

Deixemos de lado qualquer disputa científica, filosófica, religiosa, disciplinada ou existencialista, teórica ou prática.

A interdependência é uma realidade.

Das asas da borboleta movimentando-se no frio do Alasca à velocidade do beija-flor que suga o perfume das flores no calor da Malásia.

Tudo é dependência.

Assim, o rádio exerceu um papel supremo na onda de novidades que tomou conta do mundo a partir de seu nascimento.

Tudo que aí está culminando com a Internet acelerou-se depois que o homem dominou as ondas que Hertz domesticara.

Que Marconi juntou à outras descobertas e que as então válvulas concêntricas, hoje uma monstruosidade do passado, permitiram que o som se espalhasse e o homem se comunicasse.

O rádio é uma coisa linda nesse mundo de belezas mil.

Que o homem luta tanto por destruir, mas que felizmente vai tendo seu objetivo adiado.

Por quanto tempo não sei.

Estarei olhando o resultado dessa imensa loucura desde um outro plano.

O RÁDIO FAZ ANIVERSÁRIO

O 25 de setembro marca mais um aniversário do rádio no Brasil.

Por lei essa data, aniversário de nascimento do Professor Roquette Pinto é consagrada como o dia nacional do rádio.

Não importa que a emissora que ele fundou e entregou ao então governo da República (a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro) hoje esteja entregue às traças.

O rádio tem prestado muitos serviços ao planeta e em termos de Brasil, desde que aqui aportou em 1923 com as primeiras emissões do Alto do Corcovado (ainda sem o Cristo) tem operado verdadeiros milagres.

Que se multiplicaram e como rio caudaloso abriram novos caminhos permitindo o nascer de tudo aquilo que temos no campo das comunicações.

Este site está publicando em outro local a história dos 90 anos do rádio em Ribeirão Preto a partir da fundação da PRA-7, a Rádio Clube, uma das pioneiras no país.

Quando estive na cidade pela primeira vez nos Jogos Abertos do Interior em 1952 vim conhecer a mesma e tive a felicidade de ser guiado e instruído por um de seus fundadores, José da Silva Bueno, o mesmo radialista precursor que também montara a Rádio Clube Hertz de Franca.

Bueno era dentista de profissão, mas um apaixonado pelo lado técnico de transmissões de rádio e mesas de som.  

Tempos do rádio heroico.

Continuam dizendo que o rádio está morrendo.

Quando comecei a trabalhar no mesmo éramos dois meninos, mas já se falava no tema.

Mesmo assim ele continua vivo e de suas asas é que partem as variantes para que coisas novas se façam.

De crise em crise, como primo pobre da mídia o rádio continua vivo e ágil. Alegre e prestativo.

Fecham-lhe as portas que invadia diuturnamente e ele vai encontrar novos veios por onde navegar.

O governo promete meios técnicos para melhoria das precursoras, empurra as promessas com a barriga e as veteranas vão encontrando soluções por si mesmas.

Sem muito alarde, até porque não há o que comemorar, o rádio vai soprar velinhas.

É alguém que o tem arraigado no coração que o saúda com todo o respeito, admiração e gratidão.

Para mim o rádio continua vivo e lindo.

Flávio Araújo é jornalista e radialista, tendo emprestado seu talento como narrador e comentarista esportivo para emissoras como as rádios Bandeirantes, Excelsior, Gazeta e Central, de Campinas.

Texto publicado originalmente aqui

http://www.ribeiraopretoonline.com.br/futebol-flavio-araujo/cbf-voc%C3%8A-e-uma-vergonha/82732

flavioaraujo

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