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O “Scratch” do Rádio, por João Saldanha

“Meus amigos…” é assim que começo sempre a fazer comentários na Rádio Globo. Por quê? Não sei ao certo. Acho que quando me dirigi pela primeira vez pelo microfone, eu achava que só quem estava me escutando eram meus amigos. E, até hoje, também acho isso. Um ou outro pode estar escutando de raiva.

Mas não é nada disso. O que quero dizer é o seguinte: quando abro comodamente o microfone, pronto em cima da mesa, e ponho o fone no ouvido e digo tal troço: “meus amigos…” é uma moleza- está tudo pronto. É só dar o plá que às vezes sai bom e outras vezes sai uma droga. E de repente alguém me chama, lá de Apucarana ou do Canadá e eu digo: “Brahma na jogada” ou então, simplesmente: “vai…” e entra um cara dando uma notícia de qualquer coisa. Ou por vezes uma gimba de um gol. O ouvinte em casa, com cerveja ao lado, nem se dá muita conta do que está acontecendo. Mas eu conto, dentro do meus limitados conhecimentos da técnica. O negócio é o seguinte: é a nossa retaguarda, anônima, que está funcionando.

Nossos ouvintes já devem ter nos acompanhado, até em doze transmissões de doze diferentes lugares e dentre elas quatro continentes. E o Serginho, lá do Piauí no jogo do Tiradentes chama: “Curi, como vai o Emérson aí… aí… no Raio que o Parta?”

E o Curi entra lá de Viena ou da África do Sul e diz como vai o Emerson. De repente uma voz com som local, de Luanda, dá resultado de algum jogo de time de Portugal que ande por lá. E vem o Rio Grande do Sul com o Luis Mendes que diz sempre que o time gaúcho está jogando mais, mesmo perdendo de quatro a zero. Azar do goleiro, provavelmente. Bem, do Rio, São Paulo, Teresina, África do Sul, Canadá, Europa, de doze locais diferentes e com os trepidantes no meio do troço, a gente vai dizendo “meus amigos” e tirando de letra como se estivesse num papo calmo numa sala de visitas.

Como isto é possível? Bom, aí é que está todo o negócio. O César Luis Calmon, calmamente está lá na Central Técnica olhando todas aquelas luzinhas, verdes, vermelhas e amarelas. O Chico Marques, noutro lugar, o João Humberto, a turma da Ilha no transmissor, o Macedo, o Osmar, o Dalton atento em quem tem de entrar ou sair, o Sorel, o Bigode, o Gauchinho, o Baiano(de Santa Catarina para cima, pra mim é Baiano), o Formiga, a turma da Manutenção, os outros operadores que não digo o nome porque só conheço os apelidos, este time é que permite ao Valdir, ao Curi, ao Lulu, Afonso, Serginho, Porto, Edson, Zé Carlos, a todos nós, apenas termos de abrir a latinha e dizer: “meu amigos…”. É com esta retaguarda com o olhar atento do Comandante Djalma Ferreira, do Mário Luis e do Luís, que no dia seguinte estão lá perguntando: “Pombas… estava dormindo? Como é que você perdeu dois segundos para entrar?” É este o “scratch do Rádio”.”

Comentário: Não sei dizer se este texto é mesmo do João Saldanha ou apenas atribuído a ele, como outros tantos por aí que são creditados a autores como Luis Ferando Veríssimo, entre outros. Se alguém aí tiver alguma informação, basta avisar. De qualquer forma, ele serve como homenagem a Paulo Rafael, chefe de externas e operador de áudio da 105 FM, que morreu no dia de hoje, e a outros profissionais como ele que batalham a fim de  que o áudio das externas chegue limpo até os receptores. (Rodney Brocanelli)

Saiba mais lendo o blog de Anderson Cheni: http://cheninocampo.blogspot.com.br/2014/12/morre-paulo-rafael-da-105-fm.html 

paulo Rafael

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