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Morre Antonio Augusto, o pai do plantão esportivo no rádio do Rio Grande do Sul

Por Edu Cesar, do site Papo de Bola

Este domingo de Páscoa está começando com uma cara feia e amarrada aqui em Porto Alegre. Como se fosse um dia não muito numa boa.

Uma cara condizente com a triste ocorrência que abre este 5 de abril de 2015: o falecimento aos 77 anos, causado por um acidente vascular cerebral, de Antônio Augusto, o pai do plantão esportivo no rádio do Rio Grande do Sul e um dos maiores craques do segmento no Brasil em todos os tempos. O velório começará às 14h na Capela B do Cemitério Evangélico aqui em Porto Alegre, na rua Guilherme Schell, 467.

Totonho, como sempre foi conhecido, nasceu em Marcelino Ramos em novembro de 1937 e veio para a capital gaúcha no fim da década de 1950. Sua carreira começou no fim de 1960 na Rádio Difusora, indo ao microfone como setorista do Cruzeiro no programa “Parada Esportiva F9”, às 12h. Um ano depois, criou o plantão esportivo. No fim de 1962, apresentou um programa na Difusora das 23h15 às 23h30 com informações de resultados do futebol e dos esportes. Foi para a Rádio Farroupilha em 1964, tanto como plantão com um programa diário das 23h40 às 23h50 quando ainda no setor do Cruzeirinho.

Deixou a emissora em 1969, indo para o departamento de interior da Empresa Jornalística Caldas Júnior, além dos jornais Folha da Tarde e Folha Esportiva. Chegou à Rádio Guaíba em 1971, fazendo o programa de plantão da 0h à 0h10, que acabou antecipado a pedido de pilotos da Varig em Nova York, que sintonizavam a Guaíba pelas ondas curtas – que saíam do ar justamente à meia-noite. Depois, o programa começou às 23h30 e, mais adiante, às 23h. Ainda criou o espaço de loterias às 11h45 e o quadro “A Bola Parou” às 17h45.

Saiu em 1983 para a Rádio Gaúcha, a qual deixou por divergências com o comando da RBS, mesmo que profissionais como Pedro Ernesto Denardin e Flávio Dutra tentassem demovê-lo da ideia. Regressou à Caldas Júnior em 1985 a convite de Lasier Martins, sendo enviado para o México na cobertura da Copa do Mundo de 1986. Uma ideia que tentou, mas não conseguiu por desaprovação da direção da rádio, foi importar para a aldeia pampeana o renomado comentarista Rui Porto, da Rádio Globo do Rio de Janeiro. Rui topou. A Guaíba não.

Após aquele Mundial de Seleções, transferiu-se para a Rádio Bandeirantes (novo nome da antiga Difusora), mas saiu por divergências com o diretor Sérgio Moraes, que não queria que fossem rodados gols de outras emissoras que não a Bandeirantes – uma que tinha gols rodados seguidamente pelo Totonho era a Tupi, onde curiosamente e atualmente trabalha o filho do então diretor da RB, Sérgio Américo, setorista do Flamengo. Foi para a Rádio Pampa em 1989 e iniciou a terceira passagem na Guaíba em 1991. Alguns anos depois, saiu mais uma vez e ficou apenas na TV Bandeirantes com Rogério Amaral.

Em 1999, mudou-se para a Rádio e TV Pampa, voltando ao plantão nas jornadas esportivas. Na Pampa, Antônio Augusto permaneceu até fevereiro de 2014. Em jornadas, continuou no plantão até 2001, encerrando sua trajetória ao cobrir in loco, ao lado de Roberto Brauner e Rogério Amaral, a final Corinthians 1 x 3 Grêmio da Copa do Brasil.

Depois, seguiu à frente do programa “Plantão das Multidões” todas as noites, das 10 à meia-noite. Após o fim do departamento de esportes da Rádio Pampa, em 2007, Totonho mudou o tom do seu programa e vestiu de vez a camisa do seu clube de coração, o Tricolor, o tornando uma tribuna aberta sobre as coisas do dia-a-dia gremista.

Em 21 de maio de 2002, numa entrevista concedida ao extraordinário projeto “Vozes do Rádio”, da Famecos (faculdade de jornalismo da PUC do Rio Grande do Sul), disse:

“O rádio, para mim, é a minha vida. Tem ligação com toda a minha vida. Eu quis ser médico e não me arrependo de não ter feito medicina. Eu me sinto gratificado pelo que fiz. Acho que a minha missão eu cumpri. A minha esposa, há mais de 30 anos, eu conheci graças ao futebol. Ela trabalhava na empresa de um ex-presidente do Internacional, Luís Fagundes de Melo. Ela trabalhava na Companhia Fênix de Seguros e até aconteceu um fato. Nós éramos noivos e ela quase perdeu o emprego porque, quando o Internacional vendeu o Flávio Minuano, ela me avisou que o Julinho, do São Paulo, tinha vindo contratar o Flávio e iria viajar ao meio-dia. Peguei um gravador e fui lá com exclusividade. Coloquei no ar ao meio-dia. O pessoal da Gaúcha ficou apavorado, pediram para a empresa demitir a minha atual esposa. Não sabiam perder. O rádio faz parte da vida da família toda.”

Dono de um vasto arquivo de resultados e estatísticas todos anotados em papel por atuar em tempos onde não havia nem computador e muito menos internet, estando à frente do seu tempo, Antônio Augusto já deixa saudades, fundamental e histórico que é para o rádio esportivo gaúcho e brasileiro. “Tem gol!” “Onde, Antônio Augusto?” E nos gols, uma marca muito característica sua: informar o horário de realização do tento.

Tive a alegria de encontrá-lo no Prêmio Press em 2006 e registrei uma foto. Foto que agora vale ouro, sabedor que ele foi para um plano superior. Vá com Deus, mestre do plantão. A bola parou em definitivo.

Momento Raridade Rara

Três destaques do “Plantão das Multidões”, todos em suas passagens na Rádio Guaíba:

De 1975, a quase íntegra do áudio de Internacional 1 x 0 Cruzeiro, decisão do Campeonato Brasileiro, com narração de Armindo Antônio Ranzolin, comentários de Ruy Carlos Ostermann e Lauro Quadros, e reportagem de João Carlos Belmonte, Lasier Martins, Lupi Martins e Laerte de Franceschi.

De 1981, o tento do título de São Paulo 0 x 1 Grêmio, final do Campeonato Brasileiro, com narração do Ranzolin, comentário do Lauro e reportagem do Belmonte.

De 1993, uma chamada para a TV2 Guaíba da apresentação do “Repórter Esportivo” na AM 720. Voz-padrão de José Aldo Pinheiro.

antonioaugusto

Foto do site Uma História do Rádio no Rio Grande do Sul

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  1. Reni Barboza
    05/04/2015 às 11:38

    Baita Profissional do Radio Esportivo!… Sempre é bom lembrar que ele apenas passou de um Plano para outro mais a vida continua e aqui ninguém perde nada porque na verdade não temos nada quando viemos ganhamos um corpo e deixamos ao partir!.. (que temos deixamos que somos Levamos.)

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  2. 05/04/2015 às 14:01

    Tem gol……. No céu…… “Totonho” foi encontrar Oldemar Kramer e refazer a maior dupla de plantões da história do rádio esportivo brasileiro. Quando um amigo se vai, fica um espaço vazio que não se pode completar com a chegada de outro amigo. Descanse em paz Antônio Augusto dos Santos, o plantão dos plantões. SIDNEI CAMPOS.

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