A era dos podcasts brasileiros

Por Rodney Brocanelli

Bem que o Radioamantes gostaria de acompanhar mais de perto essa “era dos podcasts” brasileiros, indicando iniciativas legais A falta de tempo e a cobertura do noticiário de rádio (dial) impedem uma dedicação maior. Para quem quiser entender um pouco mais sobre este blog, recomendo que leiam este texto aqui, de 2013.

No entanto, dá para deixar aqui pelo menos duas indicações e falar um pouco mais neste fenômeno. Um deles é o Hoje Sim tocado por Cleber Machado e hospedado no Globo Esporte. Na edição de número 19, ele conseguiu reunir dois nomes de peso: Muricy Ramalho, ex-técnico de futebol e hoje comentarista no Sportv, e Claudio Zaidan, radialista e comentarista da Rádio Bandeirantes.

Além da qualidade dos convidados, o podcast do narrador da Rede Globo merece elogios pela pauta: “A solidão e a saudade no futebol”. Como técnico, Muricy pode falar com propriedade da solidão tanto do cargo de técnico, como do fato de não levar seus familiares quando ele trabalhou fora do estado de São Paulo.

Muricy conta que quando era técnico do Internacional, em Porto Alegre, morando sozinho na capital dos gaúchos, ele sempre procurou ouvir rádio. Buscando algo para ouvir, ele acabou encontrando um excelente companheiro: Claudio Zaidan. Na época, Zaidan, comandava com maestria o “Bandeirantes, A Caminho do Sol”, falando sobre os mais diversos assuntos, política internacional, política nacional, futebol, entre outros. O então treinador gostou do que ouviu e se tornou ouvinte assíduo.

No bate-papo, Muricy relembrou essa história com Zaidan presente. Além disso, eles falaram de outros temas, entre eles o futebol. Cleber Machado teve algum trabalho para manter o podcast dentro da pauta, o que é normal quando se reúne duas pessoas com muito a dizer. Entretanto, o resultado ficou muito bom. O único reparo é quanto ao título. Bem que ele poderia ser “O rádio, a solidão e a saudade no futebol”. Para ouvir, clique aqui.

Outra dica de podcast é Meio Rádio. Este é mais curto e eminentemente humorístico, com ênfase no nonsense.  Na equipe, nomes conhecidos do radiojornalismo paulistano: Caetano Cury, Hugo Vecchiato  e Leandro Gouveia.  A edição número 7 tem uma participação especial de Marcelo Duarte, como você nunca ouviu antes. Aliás, o elenco convidado é de causar inveja a qualquer redação de rádio.

Quem costuma acompanhar as emissoras jornalísticas de São Paulo, tanto no AM, como no FM, vai sacar algumas das referências neste episódio, especialmente com relação à falhas técnicas em externas.  Em uma das edições anteriores, outro destaque é uma entrevista história do repórter Matuzalém Júnior com um certo chanceler da Alemanha.

Um dado curioso a respeito do Meio Rádio é que ele foi pensando para ser um programa de rádio, no entanto, a ideia nunca seguiu adiante. Agora, ela ganha vida por meio da podosfera. Ouça todas as edições aqui.

Modinha?

Algumas impressões sobre essa onda de podcasts. Essa “explosão”, de certa forma, me lembra muito a “explosão” dos blogs, ocorrida no começo deste século. Alguém aí lembra? No começo deste século, praticamente todo mundo passou a ter um blog para escrever impressões e falar sobre interesses afins. A onda do podcast guarda essa semelhança com o “falar sobre interesses afins”.

Muita gente passou a se profissionalizar, com a adesão de muitos leitores e consequente aumento de visitação e comentários. Inclusive, surgiu aí uma casta de “top bloggers”.

Espera-se que essa questão dos podcasts não passe apenas de um modismo, como foi a era dos blogs. Muitos blogueiros resolveram deixar seus blogs pra lá, por diversas razões (embora seja criado apenas em 2010, e uma dissidência de outro blog  – bleargh! – o Radioamantes é um, digamos, filho daquela era, tornado-se assim um sobrevivente). Tomara que isso não aconteça com os podcasts.

Enquanto essa febre dos podcasts durar, acho que pelo menos deve existir algum cuidado com a estética. Qualidade de som é importante, sim. Quanto ao formato, acho que pode ser livre, mas creio que possa existir variedade…

Sobre variedade, tem que existir mesas redondas, mas creio que há espaço para podcasts semelhantes a programas de rádio, com pequenas reportagens, entrevistas, sonoras, povo fala, músicas, por que não?

Enfim, a era dos podcasts é mais que bem-vinda, mas espero que não seja apenas uma modinha (isso para usar um termo da – há há – moda).

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