7 de novembro de 2019: um triste dia do radialista.

Por Rodney Brocanelli

Quem poderia imaginar que o dia 7 de novembro de 2019 se transformaria em um dia triste para o rádio? Logo hoje que é, de forma oficial,  o dia do radialista. Dois incidentes gravíssimos marcaram essa data.

O primeiro ocorreu na Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Durante o programa Bom Dia, o apresentador Rogério Mendelski fez comentários depreciativos referentes ao penteado de Marielle Franco, vereadora do PSOL-RJ, assassinada em março de 2018. Mendelski estava lendo mensagens a respeito do caso e disse “agora virou até moda o cabelo da Marielle. O que eu tenho visto de pessoas com o cabelo, aquele cabelo horroroso, feio, um coque na cabeça…”. Logo em seguida, há um silêncio no ar que é interrompido por ele mesmo: “Onyx?”. Provavelmente, uma pergunta a alguém da produção que sinalizava sobre alguma entrevista ou sonora.

A manifestação infeliz do apresentador foi criticada via redes sociaispor quem ouviu na hora ou quem tomou conhecimento posterior. O “comentário” de Mendelski foi feito por volta das 06h30 da manhã, conforme o vídeo do programa transmitido no perfil da emissora do Facebook. Uma manifestação oficial aconteceu apenas próximo das 16h30, quando Nando Gross, gerente geral da Rádio Guaíba, divulgou uma nota via Twitter:

“Esclarecimento. Sobre o comentário do apresentador Rogério Mendelski hoje pela manhã no programa Bom Dia, quando fez considerações sobre a vereadora Marielle Franco, esclarecemos que repudiamos todo e qualquer tipo de comentário de conteúdo preconceituoso. Pedimos desculpas à família de Marielle e a toda a comunidade atingida pelo fato. Nos seus princípios, que estão expostos no site oficial da emissora, a Guaíba deixa bem claro isto aos seus ouvintes e colaboradores. A Rádio Guaíba repudia toda e qualquer forma de preconceito e discriminação. A Rádio Guaíba preza a pluralidade de ideias entre seus comentaristas e apresentadores, mas não aceita de forma alguma manifestações de conteúdo racista, homofóbico de xenofobia ou qualquer outra forma de discriminação. A opinião dos comentaristas e apresentadores não representa a opinião da empresa. Esta será apresentada em editoriais quando necessário”.

Apesar do pedido de desculpas e do reconhecimento de que o comentário teve cunho preconceituoso, a nota de Gross também sofreu críticas via redes sociais, uma vez que não há qualquer indicação de alguma medida administrativa em relação ao comportamento inadequado do apresentador.

ATUALIZAÇÃO (07/11 – 21h23) – O site Coletiva.net (saiba mais aqui) trouxe declarações de Rogério Mendelski sobre o caso: “Meu comentário foi interrompido por conta de uma entrevista que eu estava esperando com o Onyx [Lorenzoni]. Depois, o assunto não voltou mais”. A interrupção foi destacada neste blog logo no segundo parágrafo. Ele disse mais: “”Não gosto de coques. A Marielle, por exemplo, era muito mais bonita de cabelos soltos. É gosto pessoal. Não há qualquer tipo de conteúdo racista aí, não sei de onde tiraram isso. Eu não pude terminar o meu comentário, foi isso. Nós, da Guaíba, somos completamente contra preconceitos”. A grande questão é que coque é um tipo de penteado e em sua fala no programa ele citou literalmente a palavra cabelo.

Mas o dia não ficou apenas nisso.

Mais tarde, houve um episódio de agressão física durante o programa Pânico, da Rádio Jovem Pan. O entrevistado do dia era o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept. Augusto Nunes, comentarista da emissora, fazia parte da bancada de entrevistadores. A temperatura começou a subir quando Gleen citou comentários feitos por Nunes a respeito de seus filhos. “Eu quero saber se você acredita que um juiz de menores deveria investigar nossa família com possibilidade de tirar nossos filhos de nossa casa, sem pai nem mãe, sem família nenhuma”. Glenn é casado com o jornalista e deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) e ambos adotaram duas crianças.

Nunes reagiu: “Quem tem que se explicar é quem comete crimes, quem fica cobrando quem age honestamente. Ouça-me: o que eu disse, vocês vão perceber, é que ele não sabe identificar ironias, não sabe identificar um ataque bem-humorado. Convido ele a provar em que momento eu pedi que algum juizado fizesse isso. Disse apenas que o companheiro dele passa tempo em Brasília, passa o tempo todo lidando com material roubado. Quem vai cuidar dos filhos?”. A citação é relacionada às mensagens trocadas entre o então juíz Sergio Moro e o procurador Deltran Dallangol sobre a operação Lava Jato.

Glenn tentou replicar: “Você é um covarde! Você é um covarde! Eu vou falar o porquê”. No entanto, não houve espaço para novas explicações. Nunes o interrompeu e ambos discutiram com o dedo em riste. Houve uma primeira tentativa de agressão por parte de Nunes, que não deu certo, mas na segunda, o comentarista consegue acertar o rosto do convidado com um tapa de esquerda. Depois, homens de camiseta preta (seriam seguranças?) entram em cena para segurar os dois. O programa é tirado ar e retorna cerca de 12 minutos depois já sem a presença de Nunes.

Às 16h48, o site da Jovem Pan divulgou o seguinte comunicado:

“A Jovem Pan lamenta o episódio ocorrido ao vivo no programa Pânico desta quinta-feira (7) entre os jornalistas Augusto Nunes e Glenn Greenwald.

Defensora vigilante dos princípios democráticos, do pluralismo de ideias e da liberdade de expressão, a Jovem Pan sempre abriu suas portas para convidados de diferentes campos ideológicos e com opiniões dissonantes, para que cada brasileiro forme seu juízo tendo acesso a visões variadas sobre os temas mais relevantes do momento.

Uma das principais marcas do Pânico é receber personalidades para o debate aberto e franco, bem-humorado e eventualmente ácido. Glenn Greenwald já participou da bancada em diversas outras oportunidades.

A liberdade de expressão e crítica concedida pela Jovem Pan a seus comentaristas e convidados, contudo, não se estende a nenhum tipo de ofensa e agressão. A empresa repudia com veemência esses comportamentos.

A Jovem Pan pede desculpas aos ouvintes, espectadores e convidados desta edição do Pânico, inclusive Glenn Greenwald”.

Aqui também não há qualquer tipo de menção a respeito de alguma medida relacionada ao comportamento do comentarista contratado da emissora.

Apesar de ser um dia triste, este 7 de outubro de 2019, dia oficial do radialista, deve servir para profundas reflexões e não cair no esquecimento.

7 de novembro de 2019

3 comentários em “7 de novembro de 2019: um triste dia do radialista.

  1. Pessoas Energúmenas, porque terem um microfone tão importante que é o Rádio o usam de forma preconceituosa, quando sabemos que a Liberdade de Expressão tem que ter dos dois lados, mas como eles tem o poder deles terem o espaço todo o dia com seus programas é o que mais omitem opiniões a qual a constituição os da o direito de falarem, mas o mesmo espaço eles não dão pra quem não concordam com as falas deles, e sempre fica aquela expressão que eles estão certo no que falaram a quem eles descriminam, por isso essas duas pessoas a Lei Divina os pegaram com certeza, mas deixem eles falarem, a língua ferina deles o tempo dará o troco, uma pena que nesses casos é alguma pessoa inocente da ala dele que paga. Agora a JP é cheia desses profissionais de ideologia política partidária que defende uma maioria racista do País.

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