O Rio de Janeiro perdeu a chance de ter no ar a Linguiça FM

Por Rodney Brocanelli

O Rio de Janeiro perdeu a chance de ter no ar a Linguiça FM. Calma que vamos explicar.  O site Tudo Rádio, sempre bem informado, publicou hoje a notícia de que uma nova rádio deverá chegar ao estado do Rio de Janeiro: a Live FM, no município de Campos dos Goytacazes, que opera nos 100,7Mhz. Essa nova emissora vai substituir a Mix FM.

A nota publicada pelo Tudo Rádio (clque aqui para ler) informa que a Live FM terá seu conteúdo fornecido pela Agência RF. Segundo o portal, a Live FM “será uma afiliada no formato “bandeira branca”, ou seja, vai manter sua marca local com seu próprio nome, porém, com conteúdo da Rede Play FM. Essa é uma das possibilidades de negócio que as emissoras podem tratar com a Agência RF para se afiliarem à rede.

Peço que prestem atenção neste nome: Agência RF.

Voltando um pouco no tempo, chegamos a junho de 2019. O mercado de rádio estava agitado por uma serie de mudanças que estava por vir e o anúncio da estreia de uma emissora chamada Linguiça FM chamou bastante a atenção, com um marketing baseados em outdoor, um site na internet e veículos desfilando pela cidade de São Paulo com o logotipo dessa marca.

Dias depois, descobriu-se o que estava por trás de todo esse barulho. Na verdade, tratava-se de uma “campanha de valorização da criatividade no meio Rádio”. Uma campanha baseada em uma pegadinha, até porque muita gente que gosta do veículo achou que realmente uma emissora de rádio estaria para chegar.

Colaborou muito para essa expectativa o fato de que o pastou Juanribe Pagliarin, então arrendatário da frequência dos 92,9 Mhz, em São Paulo, passou a divulgar que sua rádio seria trocada pela tal Linguiça FM (clique aqui para ver). No fim das contas, quem desalojou a emissora de Pagliarin foi a Massa FM, de propriedade do empresário Carlos Massa, o Ratinho.

Segundo uma nota publicada pelo sempre bem informado Tudo Rádio, a tal campanha foi idealizada e realizada pela…Agência RF, a mesma que é responsável pela Live FM, de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

A campanha de 2019  (saiba mais sobre ela clicando aqui) deu tão certo que permitiu à Agência RF um fôlego para se inserir no mercado de rádio. Cabe então a pergunta: por que não aproveitar chances como a de entrar no ar no mercado do estado do Rio de Janeiro, ou no interior de Minas Gerais, em Diamantina (veja aqui),  para transformar em realidade a Linguiça FM? (Aliás, o nome a ser usado na cidade mineira será Play Hits, coincidência ou não o nome das duas portadoras extintas da Transamérica).

O nome já é bastante chamativo, e passa a ideia de algo diferente. É um nome que dá margem a inúmeros e criativos formatos para rádio, coisa que a ação deflagrada no ano passado tanto defendia. Melhor fazer uma linguiça do que fazer apenas um feijão com arroz, algo que as novas emissoras prometem.

linguiça fm

 

 

Rádio esportivo de Porto Alegre sabe se promover; outras praças poderiam fazer o mesmo

Por Rodney Brocanelli

O primeiro Grenal da história da Libertadores ficou devendo em termos de gols. A partida disputada na noite da última quinta (12) terminou empatada pelo placar em 0 a 0. Além disso, o clássico  ficou marcado pela briga generalizada dos atletas em campo, que resultou em oito expulsões, quatro para cada time.  Mas não é sobre o jogo do campo que vamos falar. Se saíssem gols, claro que registraríamos aqui. Esperaremos pelo jogo do returno.

O que o Radioamantes quer destacar é que a Rádio Guaíba, de Porto Alegre, divulgou em seu Facebook um belíssimo vídeo para divulgar e promover a sua transmissão. Nele, os integrantes da equipe esportiva da emissora aparecem visitando lugares históricos da cidade. Enquanto isso, são ouvidos registros sonoros de antigos Grenais, com áudios narrados por Mendes Ribeiro, Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antônio Ranzolin, Haroldo de Souza e Marco Antônio Pereira. Um texto lido pelas vozes femininas da Guaíba faz uma relação da história da própria emissora com o clássico Grenal e a evolução do próprio veículo (veja abaixo). Mesmo aqueles que não convivem com a atmosfera futebolística de Porto Alegre deverão se comover com esse vídeo, que é uma homenagem ao rádio.

Além dessa iniciativa da Guaíba, já destacamos aqui os vídeos bem-humorados que a Rádio Grenal produziu para lançar a sua cobertura do campeonato gaúcho de futebol (veja um deles aqui). Em comum, são produções exclusivas para as redes sociais. Mais uma prova de que o rádio enxerga a Internet como aliada e não como inimiga.

Cabe a pergunta: por que outras praças não se utilizam desse mesmo expediente? As rádios de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte poderiam fazer vídeos similares para promover seus profissionais, suas coberturas e eventos importantes. O rádio de Porto Alegre saiu na frente. As outras praças que recuperem o terreno perdido.

Grenal Guaíba

Watergate do rádio gaúcho termina com muitas perguntas e pouca esperança de respostas

Por Rodney Brocanelli

Na semana que passou, o Grupo RBS anunciou o desligamento de Arthur Gubert e Luciano Costa. Os profissionais estavam afastados de suas funções no grupo desde a divulgação de uma gravação digital, com cerca de 15 minutos, em que a dupla conversa a respeito de colegas e processos internos da empresa (saiba mais aqui). O tom é de descontentamento, acusações e (algumas) sugestões de melhoria.

A comparação com o célebre caso Watergate não é  descabida, uma vez que seu desenlace se deu depois do surgimento de gravações que praticamente incriminaram o então presidente Richard Nixon na invasão do escritório do Partido Democrata.

O desfecho anunciado pelo Grupo RBS não encerra o caso de uma vez. Muitas perguntas ficaram no ar.  Eis algumas delas, a seguir.

1) Em qual ambiente foi gravado esse áudio? Dentro ou fora do ambiente corporativo?

2) Caso a gravação tenha ocorrido em ambiente corporativo, quem foi o responsável por ela? E mais: caso a resposta seja afirmativa, quem se sentira seguro dentro dele para expor suas angústias e visões a respeito do ambiente de trabalho e respectivos processos?

3) A gravação foi feita por algumas das pessoas envolvidas na conversa? Em caso afirmativo, como se deu o vazamento? Foi de forma proposital? Aconteceu por engano? Algum hacker atuou para que a conversa se tornasse pública?

Não existe uma esperança imediata de que apareçam respostas. Mesmo assim, os questionamentos merecem ficar registrados.

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A era dos podcasts brasileiros

Por Rodney Brocanelli

Bem que o Radioamantes gostaria de acompanhar mais de perto essa “era dos podcasts” brasileiros, indicando iniciativas legais A falta de tempo e a cobertura do noticiário de rádio (dial) impedem uma dedicação maior. Para quem quiser entender um pouco mais sobre este blog, recomendo que leiam este texto aqui, de 2013.

No entanto, dá para deixar aqui pelo menos duas indicações e falar um pouco mais neste fenômeno. Um deles é o Hoje Sim tocado por Cleber Machado e hospedado no Globo Esporte. Na edição de número 19, ele conseguiu reunir dois nomes de peso: Muricy Ramalho, ex-técnico de futebol e hoje comentarista no Sportv, e Claudio Zaidan, radialista e comentarista da Rádio Bandeirantes.

Além da qualidade dos convidados, o podcast do narrador da Rede Globo merece elogios pela pauta: “A solidão e a saudade no futebol”. Como técnico, Muricy pode falar com propriedade da solidão tanto do cargo de técnico, como do fato de não levar seus familiares quando ele trabalhou fora do estado de São Paulo.

Muricy conta que quando era técnico do Internacional, em Porto Alegre, morando sozinho na capital dos gaúchos, ele sempre procurou ouvir rádio. Buscando algo para ouvir, ele acabou encontrando um excelente companheiro: Claudio Zaidan. Na época, Zaidan, comandava com maestria o “Bandeirantes, A Caminho do Sol”, falando sobre os mais diversos assuntos, política internacional, política nacional, futebol, entre outros. O então treinador gostou do que ouviu e se tornou ouvinte assíduo.

No bate-papo, Muricy relembrou essa história com Zaidan presente. Além disso, eles falaram de outros temas, entre eles o futebol. Cleber Machado teve algum trabalho para manter o podcast dentro da pauta, o que é normal quando se reúne duas pessoas com muito a dizer. Entretanto, o resultado ficou muito bom. O único reparo é quanto ao título. Bem que ele poderia ser “O rádio, a solidão e a saudade no futebol”. Para ouvir, clique aqui.

Outra dica de podcast é Meio Rádio. Este é mais curto e eminentemente humorístico, com ênfase no nonsense.  Na equipe, nomes conhecidos do radiojornalismo paulistano: Caetano Cury, Hugo Vecchiato  e Leandro Gouveia.  A edição número 7 tem uma participação especial de Marcelo Duarte, como você nunca ouviu antes. Aliás, o elenco convidado é de causar inveja a qualquer redação de rádio.

Quem costuma acompanhar as emissoras jornalísticas de São Paulo, tanto no AM, como no FM, vai sacar algumas das referências neste episódio, especialmente com relação à falhas técnicas em externas.  Em uma das edições anteriores, outro destaque é uma entrevista história do repórter Matuzalém Júnior com um certo chanceler da Alemanha.

Um dado curioso a respeito do Meio Rádio é que ele foi pensando para ser um programa de rádio, no entanto, a ideia nunca seguiu adiante. Agora, ela ganha vida por meio da podosfera. Ouça todas as edições aqui.

Modinha?

Algumas impressões sobre essa onda de podcasts. Essa “explosão”, de certa forma, me lembra muito a “explosão” dos blogs, ocorrida no começo deste século. Alguém aí lembra? No começo deste século, praticamente todo mundo passou a ter um blog para escrever impressões e falar sobre interesses afins. A onda do podcast guarda essa semelhança com o “falar sobre interesses afins”.

Muita gente passou a se profissionalizar, com a adesão de muitos leitores e consequente aumento de visitação e comentários. Inclusive, surgiu aí uma casta de “top bloggers”.

Espera-se que essa questão dos podcasts não passe apenas de um modismo, como foi a era dos blogs. Muitos blogueiros resolveram deixar seus blogs pra lá, por diversas razões (embora seja criado apenas em 2010, e uma dissidência de outro blog  – bleargh! – o Radioamantes é um, digamos, filho daquela era, tornado-se assim um sobrevivente). Tomara que isso não aconteça com os podcasts.

Enquanto essa febre dos podcasts durar, acho que pelo menos deve existir algum cuidado com a estética. Qualidade de som é importante, sim. Quanto ao formato, acho que pode ser livre, mas creio que possa existir variedade…

Sobre variedade, tem que existir mesas redondas, mas creio que há espaço para podcasts semelhantes a programas de rádio, com pequenas reportagens, entrevistas, sonoras, povo fala, músicas, por que não?

Enfim, a era dos podcasts é mais que bem-vinda, mas espero que não seja apenas uma modinha (isso para usar um termo da – há há – moda).

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Narrador desabafa contra o fato de repórteres não poderem fazer entrevistas durante os intervalos dos jogos

Por Rodney Brocanelli

No último sábado, durante a transmissão de São Paulo x Santos pela Super Rádio, o narrador Helio Claudino colocou o dedo na ferida. Logo após o apito final da primeira etapa, jogadores dos dois times correram para os vestiários sem falar com os profissionais de rádio. Restou aos repórteres Lucas Basílio e Jota Sampaio informar os respectivos jogadores que estavam à disposição dos técnicos nos bancos de reservas. Claudino então perguntou: “ninguém fala nesse intervalo? Não tem ninguém para falar aí?

Claudino seguiu questionando: “Jogador eu sei que não fala, mas tem para caramba aí, não tem não?” O repórter Jota Sampaio respondeu: “É proibido, Helio. Ninguém pode falar. Nem comissão técnica, nem árbitro, ninguém”. Helio seguiu em frente, fazendo uma réplica: “Não tem presidente, não tem roupeiro?”. Jota fez a tréplica: “A gente não pode entrevistar nem o roupeiro”.

Depois do diálogo, Helio Claudino desabafou: “Eu não acredito. Eu vou perguntar na federação. Não é possível aos repórteres de rádio só darem relação de jogadores e todo mundo correr para o vestiário, tomar café…tem gente para se falar, tem alguém aí para falar. Hoje, por exemplo, do São Paulo , deve ter tanto são-paulino famoso aí para assistir o jogo, tá lá na tribuna e desce para tomar café. Precisamos acabar com isso aí. A Aceesp precisa entrar nessa parada. Ou ela, ou sei lá quem, para poder colocar ordem na casa. Todo mundo manda, menos a nossa associação. Ou então, para que tem associação?”.

Esse diálogo e o posterior desabafo, que é possível ouvir no player abaixo, é o registro da situação que os repórteres de rádio vivem há pouco mais de dois anos, especialmente em competições geridas pela CBF. Os profissionais não podem entrevistas jogadores na saída para o vestiário, no intervalo de jogo. Somente após o apito final, eles podem tentar fazer entrevistas, sem poder entrar em campo, sempre esperando os jogadores nos túneis com microfone em punho. Alguns atletas param para falar. Outros preferem seguir direto.

Com tantas limitações, é de se admirar que nenhum “jestor jênio” ainda tenha se atentado para o fato de que o investimento de se colocar o repórter no campo de jogo não traz um retorno muito grande, artisticamente falando. Quem vai para lá, apenas detalha os lances de jogo, dá o banco de reservas no intervalo, e com um pouco de sorte, consegue algum depoimento de jogador.

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Cabeças de rede poderiam ceder seus astros da narração para afiliadas

Por Rodney Brocanelli

No último sábado, José Carlos Araújo narrou Ceará x Fortaleza, clássico do Ceara, pela Rádio Clube, de Fortaleza, emissora dos Diários Associados (conglomerado a qual pertence a Super Rádio Tupi). Esse evento fez parte do aniversário de 85 anos da emissora cearense. Ocorreram algumas falhas técnicas, especialmente de áudio, que não chegaram a comprometer a iniciativa como um todo (saiba mais aqui).

A partir dessa iniciativa, cabe a pergunta: por que outras emissoras, cabeças de rede, não fazem o mesmo de ceder seus astros da narração para suas principais afiliadas? Já pensaram no José Silvério narrando Vila Nova x Atlético-GO, clássico goiano da série B (vai acontecer em 11/10) pela Rádio Bandeirantes, de Goiânia? Ou então, que tal o Nilson Cesar narrando o Fortaleza x Ceará do returno (no mesmo 11/10) pela Jovem Pan News, de Fortaleza?

Sabe-se que a rede da Gaúcha é mais restrita ao Rio Grande do Sul, mas por que não a Rádio Globo, de São Paulo, por uma afinidade entre os grupos RBS e Globo, importar o Pedro Ernesto para fazer um clássico paulistano? Seria enorme o burburinho. Oscar Ulisses e Luiz Penido, por sua vez, poderiam fazer um América x ABC pela Globo Natal. Situações como essas, colocadas em prática, atrairiam grande atenção não apenas do público, mas da mídia (não só a especializada) também. Para pensar.

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Acordo entre Palmeiras e Globo coloca fim à breve “era do rádio”

Por Rodney Brocanelli

Após semanas de tratativas, Palmeiras e Rede Globo chegaram a um acordo para a transmissão dos jogos do clube alviverde em tv aberta e no paw per view. Em nota oficial (leia mais aqui), o clube anunciou que o novo contrato terá validade por seis anos. Esse acerto colocou fim à breve era do rádio proporcionada pelo impasse nas negociações.

Desde o momento em que ambas as partes enfrentaram um impasse que fez demorar uma conclusão para essa negociação, parte considerável do torcedor palmeirense teve de recorrer ao rádio para se informar a respeito de pelo menos dois jogos de seu clube: CSA x Palmeiras e Atlético-MG x Palmeiras. Como o clube paulista havia fechado acordo apenas com a TNT/EI, apenas os jogos contra times que fecharam com o mesmo canal (Athletico, Fortaleza, Inter e Santos) poderiam ser transmitidos pela tv. CSA e Atlético-MG têm contratos com a Globo.

Na partida contra o CSA, pelo menos duas emissoras de rádio aproveitaram essa situação e se mobilizaram para enviar profissionais até Maceió a fim de transmitir a partida: Transamérica e Bandeirantes. No jogo contra o Atlético-MG, o número de emissoras dobrou: 105, Transamérica, Bandeirantes e Globo. Algumas enviaram equipe completa, com narrador, comentarista, repórter e operador de áudio. Outras, apenas não mandaram comentarista.

Essa iniciativa fez com que a transmissão de futebol pelo rádio, ainda que por algum tempo, voltasse a chamar a atenção de uma grande parcela do público e da imprensa. Não faltaram coleguinhas que aproveitaram o momento para reclamar via redes socais da gratuidade das transmissões pelo veículo. Não precisa ser bidú para saber que se um dia o rádio tiver de pagar para transmitir os jogos das competições interclubes do continente, a situação que já não é boa, passaria a ser desesperadora.

Por outro lado, foi interessante ver que outros tipos  veículos de comunicação, como o jornal impresso, que pouco dá espaço ao rádio em seu noticiário, resolveu abrir espaço a ele, como O Estado de S. Paulo, entrevistando os principais narradores esportivos de São Paulo a fim de abordar esse momento (leia mais aqui).

Depois do acerto entre Palmeiras e Globo, as coisas no rádio esportivo de São Paulo deverão voltar ao normal. O impasse contratual de ambas as partes, infelizmente, não deverá deixar qualquer tipo de legado. O tubão (ou geladão), quando as emissoras fazem seus profissionais transmitirem os jogos assistindo a uma tela de tv (ou de computador, caso o jogo seja transmitido pela DAZN), vai prosseguir.

Se ainda estivesse na ativa, o grande Haroldo Fernandes, narrador histórico da antiga Rádio Tupi, de São Paulo diria a respeito desse estado de coisas: “Quem viajou, viajou. Quem não viajou, não viaja mais”.

 

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Musical FM poderá ser comprada por Ratinho nos 20 anos de virada que marcou sua história

Por Rodney Brocanelli

O site Tudo Rádio publicou nesta terça uma notícia a respeito do interesse de Carlos Massa, o Ratinho da televisão, na Musical FM (105,7Mhz). A frequência onde opera hoje a rádio de orientação evangélica seria o porto seguro para entrada da Massa FM em São Paulo, sonho antigo do empresário. Luiz Benite, diretor executivo da Massa FM, confirmou que Ratinho manifestou interesse na Musical FM, mas sem entrar em outros detalhes (clique aqui para ler a reportagem complete e aproveite para prestigiar o Tudo Rádio).

Talvez Ratinho não saiba, mas ele poderá (repetindo: poderá) fechar negócio para a aquisição da frequência dos 105,7Mhz bem no ano em que se completam 20 anos da virada que marcou a história da Musical FM. Em 1999, ela deixou de ser uma rádio dedicada à MPB e passou a abrigar uma programação 100% evangélica. Na ocasião, essa mudança de perfil causou grande comoção entre os tradicionais ouvintes da emissora. Em 2009, ano que marcou os dez anos da mudança, publiquei um texto em outro blog relembrando esse fato. Clique no link abaixo para ler.

https://radiobaseurgente.blogspot.com/2009/02/ha-10-anos-musical-fm-abandonava-mpb.html

Ratinho

Análise: a sucessão de Ricardo Boechat na Band News FM

Por Rodney Brocanelli

Passado o impacto inicial da morte de Ricardo Boechat, muita gente passou a levantar em grupos de Facebook e Whatsapp nomes de um substituto para ele no principal jornal da Band News FM. Três deles são mais citados (sem ordem de importância): Sidney Resende, William Waack e Roberto Canázio. Antes de mais nada, é bom dizer que a sucessão de Boechat deve necessariamente passar pela resolução dos problemas internos do Grupo Bandeirantes. Como noticiado nos últimos dias, há uma briga entre a famíla Saad pelo controle acionário do grupo. Marcia e Leonor Saad querem tirar João Carlos, o Johnny, do comando da empresa (saiba mais aqui).

Resolvida essa questão, o outro desafio é encontrar um nome que vista tanto a camisa do Grupo como Ricardo Boechat vestiu nesses últimos anos. No UOL, o colunista Ricardo Feltrin conta que em dezembro último, o jornalista renovou contrato com a Bandeirantes por mais um ano, mesmo com o assédio da CNN Brasil. Segundo Feltrin, Boechat não queria deixar o Grupo. Sua saída agravaria ainda mais a situação da empresa, assim como a de seus funcionários (saiba mais aqui). Será que algum grande nome disponível no mercado estaria disposto a isso?

Caso a Band News não queria chamar alguém de fora nesse momento, ela pode optar por duas soluções caseiras. Uma, ortodoxa, é manter a mesma equipe que estava no programa com Boechat: Eduardo Barão, Carla Bigatto e pelo menos mais um nome da redação. A outra, heterodoxa, é chamar Claudio Zaidan para o jornal da manhã. Inteligência ele tem. Quem lembra de seus comentários no Bandeirantes A Caminho do Sol, da Rádio Bandeirantes, pode atestar isso. Além do mais, ao seu modo, ele tem muito carisma e é muito querido e respeitado pelos ouvintes da Bandeirantes.

Ricardo Boechat

 

Transmissões pela internet poderão mudar hábitos do rádio esportivo em 2019

Por Rodney Brocanelli

O camarada Edu Cesar, do necessário Papo de Bola, fez um excelente alerta, lido nesta última terça-feira dentro do programa Ganhando o Jogo, da Rádio Guaíba (veja vídeo abaixo)  e divulgado também em fóruns de discussão: a partir de 2019, algumas partidas das principais competições interclubes da América do Sul terão transmissão exclusiva via Internet. A Copa Libertadores tem um acordo com o Facebook e os jogos disputados às quintas-feiras serão exclusivos dessa rede social. Por sua vez, a Copa Sul Americana terá seus jogos transmitidos de forma exclusiva pelo serviço DAZN, que usa o YouTube como plataforma. Edu sublinha que está competição não estará na tv aberta, muito menos na tv por assinatura.

Com isso, segundo Edu, como a Internet brasileira ainda não tem qualidade suficiente para segurar uma transmissão de alta qualidade com conexões simultâneas o rádio (sim, o velho rádio) poderá ganhar força nessas competições. No entanto, para que isso aconteça, nossas emissoras deverão abrir a carteira, segundo suas palavras. Apelar para o tubão ou geladão, quando narradores transmitem a partida do conforto de seus estúdios, seria inviável, devido ao famoso delay, que é maior na Internet do que em alguns canais de tv por assinatura. Ter um narrador nos locais onde acontecerão essas partidas, para Edu, será fundamental.

Este radioamante acrescenta que será um divertido exercício saber como cada emissora de rádio vai se virar para transmitir esses “jogos da internet”. Será que vão apelar mesmo para o tubão, aumentando a velocidade de internet de seus estúdios? Ou será que algumas vão apelar para a prática da “dublagem”, com o narrador no estúdio ouvindo o áudio de alguma emissora de fora do país e reproduzindo aquilo que escuta? Ou será que as emissoras deverão mandar equipe completa (narrador, comentarista e repórter) para fora do país, quando necessário?

Em 2019, a Copa Libertadores terá como representantes brasileiros: Palmeiras, Flamengo, Internacional,  Grêmio,  Cruzeiro e Athlético Paranaense, esses já classificados para a fase de grupos. Estão ainda na fase classificatória o  São Paulo e  o Atlético-MG. Na  Sul Americana, o Brasil será representado por Santos, Corinthians, Bahia, Chapecoense, Botafogo e Fluminense.

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Ouça o Radioamantes no Ar

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre mais aspectos relacionados à migração do AM para o FM. Muitos donos de rádios não querem esperar pelo processo estão devolvendo suas frequências à União. Outros assuntos: a estreia do apresentador Paulo Galvão na CBN e do início do projeto Timão FM, emissora de rádio ligada ao Corinthians. O Radioamantes no Ar vai ao ar todas as sextas, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Rogério Alcântara.

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Radioamantes no Ar fala dos casos Juremir Machado e Amanda Ramalho

Nesta semana, o Radioamantes no Ar abordou os casos Juremir Machado e Amanda Ramalho. O primeiro deixou de participar do programa Bom Dia, da Rádio Guaíba, por não concordar em não fazer perguntas ao candidato Jair Bolsonaro, que foi entrevistado apenas pelo apresentador Rogério Mendelski. A segunda, por sua vez, pediu demissão da equipe do programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, logo após uma tumultuada entrevista com o cantor Biel. O Radioamantes no Ar vai ar todas as sextas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Rogério Alcântara.

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Transparência sobre pesquisas de audiência poderia ser estendida aos levantamentos sobre rádio

Por Rodney Brocanelli

No último domingo, o Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma longa reportagem mostrando como são feitas as pesquisas eleitorais pelo Datafolha e Ibope. A equipe do de repórteres acompanhou parte da rotina dos profissionais contratados pelos institutos. Além disso, o programa dominical trouxe a palavra de Mauro Paulino e Marcia Cavallari, seus respectivos diretores. Salvo engano, essa é a primeira vez que esse tema é abordado de forma tão transparente em um programa de televisão.

O Radioamantes não vai no mérito da exibição específica dessa reportagem, mas vai deixar um outro aspecto para reflexão. Tão polêmica quanto a pesquisa eleitoral é a pesquisa de audiência do rádio, que é feita apenas pelo Ibope Kantar Media, uma empresa que, apesar do nome, já foi do Ibope. O método é quase parecido. Um pesquisador vai às ruas com uma  questão que é mais ou menos assim: “que emissora de rádio você ouviu nas últimas 24 horas?” Com base nas respostas, é feito o ranking de audiência.

Assim como as pesquisas eleitoras, os resultados da pesquisa de rádio também são amplamente contestados. É histórica a briga de seu Tuta, da Rádio Jovem Pan, com o Ibope. Em uma entrevista ao jornalista Anderson Cheni, ele disse que os números apresentados pelo instituto são mentirosos (clique aqui). Outras reclamações do tipo são feitas, só que nos bastidores.

Então, uma vez que o Ibope permitiu que a equipe do Fantástico fizesse uma reportagem tão transparente a respeito das pesquisas de intenção de voto,  o Ibope Kantar Media poderia fazer o mesmo com a pesquisa de rádio.  O próprio Anderson Cheni tentou fazer isso, mas não conseguiu, conforme ele contou em uma entrevista ao Radioamantes no Ar, em setembro de 2013 (ouça aqui).  Como agora os tempos são outros, essa transparência apresentada no Fantástico poderá ser estendida. Evitaria a mesma desconfiança que se tem atualmente com a pesquisa eleitoral.

Veja abaixo a reportagem do Fantástico.

Pesquisa

Declarações de Juninho Pernambucano sobre setoristas pecam pela generalização e preguiça

Por Rodney Brocanelli

” Fui censurado na Globo por denunciar que tinha setorista vendido, que se envolve com sacanagem. É o setorista que pauta o noticiário, porque cobre de perto os jogos e treinamentos. Quando ele se prostitui, fode o ambiente no clube”. 

As declarações acima estão registradas na entrevista do ex-jogador Juninho Pernambucano à versão regional do El País (clique aqui). Segundo o site, foi a primeira vez que ele falou desde sua tumultuada saída da Rede Globo. As declarações de Juninho foram bastante elogiadas nas redes sociais (e concordo com ele em muitos pontos), mas não dá para deixar de apontar alguns defeitos.

Em uma das declarações mais fortes, a que abre este post, Juninho infelizmente cai no pecado da generalização ao falar dos setoristas.

Antes de seguir, é bom explicar o que significa essa palavra. No jornalismo, ela designa o profissional que faz uma cobertura extensiva e com dedicação exclusiva de um determinado assunto ou local. Na política, por exemplo, temos os setoristas do Palácio do Planalto, que cobrem o dia-a-dia do presidente da República.

Na cobertura do futebol, temos os setoristas que ficam lotados nos clubes, com a responsabilidade de trazer as informações daquilo que acontece de forma pública (treinos, entrevistas coletivas, etc) e bastidores. No rádio, foco deste blog, essa prática de destacar setoristas é bastante comum.  Sites e jornais também se utilizam deste tipo de recurso.

“Setoristas vendidos”, disse Juninho. Só que faltou a ele apontar nomes e situações. Ao não ser transparente, além de generalizar, o ex-atleta também comete outro pecado comum a muitos jornalistas: a preguiça. Além das declarações,  evidências de que ocorrem relações promíscuas deveriam ser apresentadas. Fazendo isso, sua contribuição seria muito maior.

O jornalismo, assim como em outras atividades, não é uma ilha de excelência. Ele tem problemas graves que poderiam ser evidenciados e, quem sabe, resolvidos, se  declarações como as de Juninho fossem mais consistentes.

A versão nacional do El País poderia também contribuir mais e melhor para o desenvolvimento do assunto, se o contraponto fosse feito de forma incisiva e educada. O veículo acabou se transformando em palco para uma acusação grave, mas vazia, uma vez que generalizada.

Juninho Pernambucano

 

Ouça o Radioamantes no Ar

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre a situação das emissoras de AM do Grupo Globo. A ideia é descontinuar a transmissão dessa faixa nas praças de São Paulo, Rio e Belo Horizonte. A medida atingiria as rádios Globo e CBN. E mais: web rádio de Curitiba obtém liminar e poderá ter repórter nos gramados em competições da CBF. Além disso, o programa falou o desfecho do caso de agressão dos profissionais de web rádio no Allianz Parque durante a final do campeonato paulista de 2018 e das novidades da Jovem Pan. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as sextas, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Rogério Alcântara.

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