Acordo entre Palmeiras e Globo coloca fim à breve “era do rádio”

Por Rodney Brocanelli

Após semanas de tratativas, Palmeiras e Rede Globo chegaram a um acordo para a transmissão dos jogos do clube alviverde em tv aberta e no paw per view. Em nota oficial (leia mais aqui), o clube anunciou que o novo contrato terá validade por seis anos. Esse acerto colocou fim à breve era do rádio proporcionada pelo impasse nas negociações.

Desde o momento em que ambas as partes enfrentaram um impasse que fez demorar uma conclusão para essa negociação, parte considerável do torcedor palmeirense teve de recorrer ao rádio para se informar a respeito de pelo menos dois jogos de seu clube: CSA x Palmeiras e Atlético-MG x Palmeiras. Como o clube paulista havia fechado acordo apenas com a TNT/EI, apenas os jogos contra times que fecharam com o mesmo canal (Athletico, Fortaleza, Inter e Santos) poderiam ser transmitidos pela tv. CSA e Atlético-MG têm contratos com a Globo.

Na partida contra o CSA, pelo menos duas emissoras de rádio aproveitaram essa situação e se mobilizaram para enviar profissionais até Maceió a fim de transmitir a partida: Transamérica e Bandeirantes. No jogo contra o Atlético-MG, o número de emissoras dobrou: 105, Transamérica, Bandeirantes e Globo. Algumas enviaram equipe completa, com narrador, comentarista, repórter e operador de áudio. Outras, apenas não mandaram comentarista.

Essa iniciativa fez com que a transmissão de futebol pelo rádio, ainda que por algum tempo, voltasse a chamar a atenção de uma grande parcela do público e da imprensa. Não faltaram coleguinhas que aproveitaram o momento para reclamar via redes socais da gratuidade das transmissões pelo veículo. Não precisa ser bidú para saber que se um dia o rádio tiver de pagar para transmitir os jogos das competições interclubes do continente, a situação que já não é boa, passaria a ser desesperadora.

Por outro lado, foi interessante ver que outros tipos  veículos de comunicação, como o jornal impresso, que pouco dá espaço ao rádio em seu noticiário, resolveu abrir espaço a ele, como O Estado de S. Paulo, que entrevistou os principais narradores esportivos de São Paulo a fim de abordar esse momento (leia mais aqui).

Depois do acerto entre Palmeiras e Globo, as coisas no rádio esportivo de São Paulo deverão voltar ao normal. O impasse contratual de ambas as partes, infelizmente, não deverá deixar qualquer tipo de legado. O tubão (ou geladão), quando as emissoras fazem seus profissionais transmitirem os jogos assistindo a uma tela de tv (ou de computador, caso o jogo seja transmitido pela DAZN), vai prosseguir.

Se ainda estivesse na ativa, o grande Haroldo Fernandes, narrador histórico da antiga Rádio Tupi, de São Paulo diria a respeito desse estado de coisas: “Quem viajou, viajou. Quem não viajou, não viaja mais”.

 

palmeiras globo

 

Musical FM poderá ser comprada por Ratinho nos 20 anos de virada que marcou sua história

Por Rodney Brocanelli

O site Tudo Rádio publicou nesta terça uma notícia a respeito do interesse de Carlos Massa, o Ratinho da televisão, na Musical FM (105,7Mhz). A frequência onde opera hoje a rádio de orientação evangélica seria o porto seguro para entrada da Massa FM em São Paulo, sonho antigo do empresário. Luiz Benite, diretor executivo da Massa FM, confirmou que Ratinho manifestou interesse na Musical FM, mas sem entrar em outros detalhes (clique aqui para ler a reportagem complete e aproveite para prestigiar o Tudo Rádio).

Talvez Ratinho não saiba, mas ele poderá (repetindo: poderá) fechar negócio para a aquisição da frequência dos 105,7Mhz bem no ano em que se completam 20 anos da virada que marcou a história da Musical FM. Em 1999, ela deixou de ser uma rádio dedicada à MPB e passou a abrigar uma programação 100% evangélica. Na ocasião, essa mudança de perfil causou grande comoção entre os tradicionais ouvintes da emissora. Em 2009, ano que marcou os dez anos da mudança, publiquei um texto em outro blog relembrando esse fato. Clique no link abaixo para ler.

https://radiobaseurgente.blogspot.com/2009/02/ha-10-anos-musical-fm-abandonava-mpb.html

Ratinho

Análise: a sucessão de Ricardo Boechat na Band News FM

Por Rodney Brocanelli

Passado o impacto inicial da morte de Ricardo Boechat, muita gente passou a levantar em grupos de Facebook e Whatsapp nomes de um substituto para ele no principal jornal da Band News FM. Três deles são mais citados (sem ordem de importância): Sidney Resende, William Waack e Roberto Canázio. Antes de mais nada, é bom dizer que a sucessão de Boechat deve necessariamente passar pela resolução dos problemas internos do Grupo Bandeirantes. Como noticiado nos últimos dias, há uma briga entre a famíla Saad pelo controle acionário do grupo. Marcia e Leonor Saad querem tirar João Carlos, o Johnny, do comando da empresa (saiba mais aqui).

Resolvida essa questão, o outro desafio é encontrar um nome que vista tanto a camisa do Grupo como Ricardo Boechat vestiu nesses últimos anos. No UOL, o colunista Ricardo Feltrin conta que em dezembro último, o jornalista renovou contrato com a Bandeirantes por mais um ano, mesmo com o assédio da CNN Brasil. Segundo Feltrin, Boechat não queria deixar o Grupo. Sua saída agravaria ainda mais a situação da empresa, assim como a de seus funcionários (saiba mais aqui). Será que algum grande nome disponível no mercado estaria disposto a isso?

Caso a Band News não queria chamar alguém de fora nesse momento, ela pode optar por duas soluções caseiras. Uma, ortodoxa, é manter a mesma equipe que estava no programa com Boechat: Eduardo Barão, Carla Bigatto e pelo menos mais um nome da redação. A outra, heterodoxa, é chamar Claudio Zaidan para o jornal da manhã. Inteligência ele tem. Quem lembra de seus comentários no Bandeirantes A Caminho do Sol, da Rádio Bandeirantes, pode atestar isso. Além do mais, ao seu modo, ele tem muito carisma e é muito querido e respeitado pelos ouvintes da Bandeirantes.

Ricardo Boechat

 

Transmissões pela internet poderão mudar hábitos do rádio esportivo em 2019

Por Rodney Brocanelli

O camarada Edu Cesar, do necessário Papo de Bola, fez um excelente alerta, lido nesta última terça-feira dentro do programa Ganhando o Jogo, da Rádio Guaíba (veja vídeo abaixo)  e divulgado também em fóruns de discussão: a partir de 2019, algumas partidas das principais competições interclubes da América do Sul terão transmissão exclusiva via Internet. A Copa Libertadores tem um acordo com o Facebook e os jogos disputados às quintas-feiras serão exclusivos dessa rede social. Por sua vez, a Copa Sul Americana terá seus jogos transmitidos de forma exclusiva pelo serviço DAZN, que usa o YouTube como plataforma. Edu sublinha que está competição não estará na tv aberta, muito menos na tv por assinatura.

Com isso, segundo Edu, como a Internet brasileira ainda não tem qualidade suficiente para segurar uma transmissão de alta qualidade com conexões simultâneas o rádio (sim, o velho rádio) poderá ganhar força nessas competições. No entanto, para que isso aconteça, nossas emissoras deverão abrir a carteira, segundo suas palavras. Apelar para o tubão ou geladão, quando narradores transmitem a partida do conforto de seus estúdios, seria inviável, devido ao famoso delay, que é maior na Internet do que em alguns canais de tv por assinatura. Ter um narrador nos locais onde acontecerão essas partidas, para Edu, será fundamental.

Este radioamante acrescenta que será um divertido exercício saber como cada emissora de rádio vai se virar para transmitir esses “jogos da internet”. Será que vão apelar mesmo para o tubão, aumentando a velocidade de internet de seus estúdios? Ou será que algumas vão apelar para a prática da “dublagem”, com o narrador no estúdio ouvindo o áudio de alguma emissora de fora do país e reproduzindo aquilo que escuta? Ou será que as emissoras deverão mandar equipe completa (narrador, comentarista e repórter) para fora do país, quando necessário?

Em 2019, a Copa Libertadores terá como representantes brasileiros: Palmeiras, Flamengo, Internacional,  Grêmio,  Cruzeiro e Athlético Paranaense, esses já classificados para a fase de grupos. Estão ainda na fase classificatória o  São Paulo e  o Atlético-MG. Na  Sul Americana, o Brasil será representado por Santos, Corinthians, Bahia, Chapecoense, Botafogo e Fluminense.

teste

 

Ouça o Radioamantes no Ar

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre mais aspectos relacionados à migração do AM para o FM. Muitos donos de rádios não querem esperar pelo processo estão devolvendo suas frequências à União. Outros assuntos: a estreia do apresentador Paulo Galvão na CBN e do início do projeto Timão FM, emissora de rádio ligada ao Corinthians. O Radioamantes no Ar vai ao ar todas as sextas, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Rogério Alcântara.

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Radioamantes no Ar fala dos casos Juremir Machado e Amanda Ramalho

Nesta semana, o Radioamantes no Ar abordou os casos Juremir Machado e Amanda Ramalho. O primeiro deixou de participar do programa Bom Dia, da Rádio Guaíba, por não concordar em não fazer perguntas ao candidato Jair Bolsonaro, que foi entrevistado apenas pelo apresentador Rogério Mendelski. A segunda, por sua vez, pediu demissão da equipe do programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, logo após uma tumultuada entrevista com o cantor Biel. O Radioamantes no Ar vai ar todas as sextas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Rogério Alcântara.

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Transparência sobre pesquisas de audiência poderia ser estendida aos levantamentos sobre rádio

Por Rodney Brocanelli

No último domingo, o Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma longa reportagem mostrando como são feitas as pesquisas eleitorais pelo Datafolha e Ibope. A equipe do de repórteres acompanhou parte da rotina dos profissionais contratados pelos institutos. Além disso, o programa dominical trouxe a palavra de Mauro Paulino e Marcia Cavallari, seus respectivos diretores. Salvo engano, essa é a primeira vez que esse tema é abordado de forma tão transparente em um programa de televisão.

O Radioamantes não vai no mérito da exibição específica dessa reportagem, mas vai deixar um outro aspecto para reflexão. Tão polêmica quanto a pesquisa eleitoral é a pesquisa de audiência do rádio, que é feita apenas pelo Ibope Kantar Media, uma empresa que, apesar do nome, já foi do Ibope. O método é quase parecido. Um pesquisador vai às ruas com uma  questão que é mais ou menos assim: “que emissora de rádio você ouviu nas últimas 24 horas?” Com base nas respostas, é feito o ranking de audiência.

Assim como as pesquisas eleitoras, os resultados da pesquisa de rádio também são amplamente contestados. É histórica a briga de seu Tuta, da Rádio Jovem Pan, com o Ibope. Em uma entrevista ao jornalista Anderson Cheni, ele disse que os números apresentados pelo instituto são mentirosos (clique aqui). Outras reclamações do tipo são feitas, só que nos bastidores.

Então, uma vez que o Ibope permitiu que a equipe do Fantástico fizesse uma reportagem tão transparente a respeito das pesquisas de intenção de voto,  o Ibope Kantar Media poderia fazer o mesmo com a pesquisa de rádio.  O próprio Anderson Cheni tentou fazer isso, mas não conseguiu, conforme ele contou em uma entrevista ao Radioamantes no Ar, em setembro de 2013 (ouça aqui).  Como agora os tempos são outros, essa transparência apresentada no Fantástico poderá ser estendida. Evitaria a mesma desconfiança que se tem atualmente com a pesquisa eleitoral.

Veja abaixo a reportagem do Fantástico.

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