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Archive for the ‘Análise’ Category

Sobre o incidente envolvendo Felipe Garrafa e Wagner Mancini

20/08/2017 36 comentários

Por Rodney Brocanelli

Um pitaco na polêmica envolvendo o repórter Felipe Garrafa, da Rádio Bandeirantes, e  Wagner Mancini, técnico do Vitória na entrevista que se seguiu após o triunfo da equipe de Salvador sobre o Corinthians pelo placar de 1 a 0, no último sábado. Eu tendo a me incomodar quando estou falando e alguém me interrompe. Sempre aprendi que isso é falta de edução. Mancini, na minha visão, não foi educado. Ele poderia rebater os argumentos de Felipe Garrafa, ao final do questionamento, com elegância absoluta.

Por sua vez, o repórter embora tenha se equivocado ao levar para a coletiva números da primeira etapa, a intenção até que era boa: fazer um questionamento embasado. Vejo poucas pessoas analisando a sequência da pergunta de Garrafa que era:  “o Vitória veio à São Paulo jogar por uma bola ou (esse resultado mostra que) o Corinthians não era um time tão imbatível assim, como foi criado”. Não vi qualquer problema. Era uma pegunta absolutamente pertinente, que um técnico experiente como Mancini saberia tirar de letra, sem precisar fazer cena. Quem deveria ficar na bronca era a torcida do Corinthians, afinal, segundo o questionamento, o time “não é tão imbatível assim”.

O que se seguiu depois foi algo absolutamente condenável. A tropa do mal das redes sociais passou a buscar mensagens no Twitter que o ligassem o profissional a algum clube. Conseguiram. O resultado: ele foi exposto à execração pública Prática típica de desocupados. Não é a primeira vez que isso acontece e, infelizmente, não será a última. Para terminar, Garrafa recebeu a solidariedade de diversos profissionais de imprensa, que não deixaram de criticá-lo por causa de seu erro. Muitos desses desocupados passaram a falar de corporativismo. Não é. O profissional teve a solidariedade por ser vítima de uma atitude grosseira. E, ao meu ver, quem fala de corporativismo, deveria dizer a qual categoria deles pertence. Muitas delas são mais corporativas que a dos jornalistas.

felipe garrafa

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Radioamantes no Ar fala de Reinaldo Azevedo, Kid Vinil e da nova Rádio Globo

26/05/2017 3 comentários

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre a nova programação da Rádio Globo, da transferência de Reinaldo Azevedo da Jovem Pan, onde comandava Os Pingos nos Is,  para a Band News FM e da importância de Kid Vinil para o rádio. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as sextas, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flávio Ashcar.

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Agora o Bicho Vai Pegar estreia na Mix FM

02/05/2017 7 comentários

Por Rodney Brocanelli

Agora o Bicho Vai Pegar fez a sua estreia na Mix FM. Da equipe original que estava na extinta Bradesco Esportes FM apenas Guilherme Palesi, Roman Laurito e Renato Tortorelli tomaram parte nesta nova fase. O programa teve apenas uma hora de duração, contra três na antiga emissora. Entretanto, o que incomodou mais foi o pouco tempo para o debate entre os integrantes e a iniciativa de se tocar músicas do play list tradicional da emissora na íntegra. Talvez uma forma de não assustar a audiência fiel do horário. Quem sabe, à medida em que o programa for “pegando”, graças ao carisma de seus apresentadores, haja espaço maior para a parte falada da atração. Do jeito que está, o “Agora o Bicho Vai Pegar” está bem longe de ser um concorrente forte tanto para o “Na Geral”, como o “Estádio 97”. Não dá para contar apenas com o carisma de seus apresentadores. Ouça abaixo os primeiros minutos de “Agora o Bicho Vai Pegar” na Mix FM.

Agora o Bicho na Mix FM

Radioamantes no Ar fala sobre o fim do programa de Antônio Carlos na Rádio Globo

28/04/2017 3 comentários

Nesta semana, o Radioamantes no Ar destacou o fim do programa de Antônio Carlos na Rádio Globo. Em breve, ele deverá estar de volta aos microfones, pela Super Rádio Tupi. Outros assuntos: a crise no departamento de esportes da Rádio Guaíba e a estreia do Agora o Bicho Vai Pegar na Mix FM. O Radioamantes no Ar vai ao ar todas as sextas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flavio Aschar.

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Radioamantes no Ar fala sobre a dança do dial e de outros assuntos

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre possíveis novidades na dança do dial: a Rádio Globo entrando em São Paulo na freqüência dos 94,1Mhz, onde antes operava a Bradesco Esportes FM, e da Jovem Pan News transmitindo sua programação nos 94,9Mhz (hoje Band News FM) no Rio de Janeiro. Outros temas: audiência das FMs na Grande São Paulo, da confirmação da Jovem Pan na Copa da Rússia e das negociações de Antonio Carlos com a Super Rádio Tupi. O Radioamantes no ar vai ao ar todos as sextas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flavio Ashcar.

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Rádio Globo usa ideia executada por Seu Tuta na Jovem Pan para definir seu futuro

01/04/2017 4 comentários

Por Rodney Brocanelli

Todo o noticiário em torno da nova fase da Rádio Globo, que começa a partir de março, destaca que nomes da TV farão parte da nova programação. Alguns deles: Otaviano Costa (Vídeo Show) , Maria Julia Coutinho (Jornal Nacional), Flavia Oliveira (Globo News), Mariana Godoy (Rede TV!, mas que ficou muitos anos no ar pela Globo e Globo News). Conforme texto de Anderson Cheni: “A aposta em nomes conhecidos da telinha será intensificada e garante fonte da coluna que não tem volta, seja jornalista, ator, apresentador, famoso etc… Se for da casa  então (emissoras do Grupo Globo), melhor ainda”.

A história mostra que não é a primeira vez que o rádio recorre a nomes da televisão para tentar sobreviver. Como bem lembrou João Alckmin, na edição da última sexta do Radioamantes no Ar, a Jovem Pan fez a mesma coisa no final da década de 1960. No livro, “Jovem Pan, 50 anos”, lançado em 1994, pela Editora Maltese, Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o  Seu Tuta, contou como esse processo se deu. As mudanças começaram pelo nome da emissora, a partir de uma sugestão de Paulo Machado de Carvalho:

“Eu dei a ideia para meu pai de mudar tudo na Panamericana, que estava sem rumo, sem faturamento, sem nada Ele achou que eu deveria assumir a direção-geral da rádio para fazer as modificações que julgasse necessárias. Foi ele que deu o nome de “Jovem Pan”. Era o tempo da “Jovem Guarda” e a televisão estava com um sucesso enorme, especialmente o programa do Roberto Carlos. Então meu pai deu a ideia de que a nova Panamericana poderia se chamar “Jovem Pan” Isso acertado, eu comecei a mexer na programação”.

Com o aval do pai, Seu Tuta primeiro formou uma equipe de esportes, depois formou o play list musical e na sequência procurou nomes da televisão para comandar programas na emissora:

“(…) eu fui buscar o pessoal da TV Record para fazer programas na Jovem Pan. Vieram o Roberto Carlos, o Erasmo Carlos, a Wanderléia, o Agnaldo Rayol, Cidinha Campos, Hebe Camargo, Elis Regina, Jair Rodrigues, Miriam Batucada e muitos outros. A gente começou a fazer programas de 15 minutos, de meia-hora e até de uma hora, dependendo do artista”.

Os resultados, segundo o Seo Tuta, não tardaram a aparecer:

“A rádio começou a ficar conhecida. As pessoas queriam saber das coisas dos grandes ídolos da música popular brasileira e da TV Record. E tudo isso estava na Jovem Pan”.

A comparação dos casos Jovem Pan e Globo ganha mais sentido quando lê-se no blog de Anderson Cheni que o programa de Otaviano Costa (coincidentemente, ex-Jovem Pan, só que FM) será apresentado diretamente do antigo Projac, hoje conhecido como Estúdios Globo, onde são gravadas as novelas, minisséries e programas de auditório e variedades. Lá fica também a casa do Big Brother Brasil.

Se na década de 1960, a TV Record foi usada para alavancar a programação da Rádio Jovem Pan hoje, em pleno século XXI, a Rádio Globo vai usar a TV Globo para tentar definir seu futuro.  No passado, deu certo.

seututa

Rádios populares: um oásis de criatividade no dial nos finais de semana

Por Marcos Lauro

O final de semana é um período complicado para muitas emissoras de FM. Com equipes reduzidas (muitas vezes estão na rádio, inteira, apenas o locutor do horário), a playlist não foge do convencional, os poucos programas são gravados e não há vontade – e muito menos braço – para se tentar fazer algo de diferente.

Mas há esperança. E ela está nas rádios populares. Muitas vezes, parece que o final de semana é mais cheio de atrações do que os dias úteis de tantas ações comerciais na rua, programas ao vivo (alguns repletos de merchans, um bom termômetro para sucesso comercial) e, o que mais importa para o ouvinte, criatividade e diversidade. Destaco, especialmente, duas emissoras: Transcontinental e 105 FM.

As pessoas estão cada vez menos respeitando barreiras musicais e ouvem de tudo. Então, já se foi o tempo em que uma rádio popular era marcada por tocar apenas samba ou sertanejo – ou pagode e axé, como era na fase áurea de Rádio Cidade, Gazeta e afins. A Transcontinental FM, emissora de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, tem o samba como ênfase, mas, especialmente no final de semana, abre espaço para o funk (duas horas no sábado e no domingo) e a black music e a cultura dos DJs com o programa do DJ Luciano, grande nome da equipe Chic Show e de bailes como o Musicaliando.

O DJ Luciano é um perfil interessante de comunicador. Ele começou muito cedo no rádio, com oito anos de idade (!!!) quando foi convidado pelo Luizão, da Chico Show, para apresentar um programa na Rádio Bandeirantes – e a graça era justamente essa, um programa de black music/som dos bailes apresentado por crianças. A partir disso, mesmo com essa idade, se tornou DJ. Anos depois já estava produzindo grupos de rap como Ataliba e a Firma e Detentos do Rap, entre muitos outros. Hoje, ele apresenta o Black Songs, na Transcontinental, todos os sábados e domingos das 18h às 21h, com o programa dividido em blocos: as lentas, samba rock, hip-hop e funk-soul. Como locutor, consegue ser carismático sem a sensação de falsidade, aquele “sorriso fabricado” que muito locutor de rádio popular tem: quando alguém pede alguma música que ele não tem ou acha que não tem a ver com o programa, ele fala sem pestanejar. A sinceridade acaba conquistando os ouvintes.

Da mesma forma que toca as antigas dos bailes, DJ Luciano também se esforça pra tocar coisas novas, informar sobre os artistas e provocar a curiosidade do ouvinte. As três horas do programa passam sem nem perceber. E quando acaba, entra no ar o Mistura Trans, que faz jus ao nome: toca de tudo. Mesmo. Isso é rádio popular.

De Jundiaí, um pouquinho mais longe de São Paulo, vem o sinal da 105 FM. Com uma programação mais focada no samba e uma forte programação esportiva, que acaba tomando um grande espaço da música, a emissora também aposta na diversidade em seus programas apresentados por grandes nomes.

A Festa do DJ Hum é o programa apresentado por um dos mais veteranos DJs de hip hop do Brasil – que fazia dupla com o rapper Thaíde. Seu estilo é bem parecido com o de Big Boy, que fez história no Rio de Janeiro nos anos 1970 – até o tom de voz é um pouco parecido. DJ Hum também divide seu programa de duas horas por blocos de interesse, das lentas às novidades do hip-hop nacional. Produtor, ele também aproveita para tocar os artistas com quem trabalha, falar sobre seus discos e afins. DJ está no ar no sábado, das 14h às 16h.

No domingo, das 12h às 15h, entra no ar o DJ Eazy Nylon com o programa Black 105. Assim como o DJ Luciano, da Transcontinental, Nylon é um grande nome da equipe de bailes Chic Show e também começou como DJ muito cedo. O programa de Nylon, além de contar com a sua seleção, é mais aberto a pedidos de ouvintes.

Também aos domingos, depois da rodada e de todos os debates do futebol, entra no ar o Balanço Rap, programa de Ice Blue, integrante dos Racionais MC’s, que divide o microfone com o locutor Fabio Rogerio – que faz o Espaço Rap durante a semana. Mais focado em hip hop, Blue traz amigos do rap para bate papo e toca novidades do gênero. Quando a agenda dos Racionais não permite, Ice Blue dá lugar a DJs e sets mixados.

Há vida no final de semana radiofônico, especialmente para quem está atrás de novidades e que não deseja ficar preso a um único estilo musical.  Essas rádios fazem o primordial, que, em determinado momento, foi esquecido – seja pela falta de vontade de donos de emissoras ou pelas equipes reduzidas: estão na rua, com ações comerciais, criativas, e estão no ar com uma boa programação, que respeita a diversidade sonora que chega aos ouvidos do público comumente chamado de “popular”.

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