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Archive for the ‘Memória’ Category

Memória: Ennio Rodrigues narra os gols do Tri do Brasil no México pela Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Pouco depois da conquista do tricampeonato mundial de futebol pela seleção brasileira no México, a Rádio Bandeirantes e a RCA Victor (hoje Sony Music) lançaram um LP chamado A Copa é Nossa, com os registros sonoros da emissora paras conquistas do nosso escrete nas edições de 1958, 1962 e 1970. Para a compilação do registro das vitórias na Suécia e no Chile, respectivamente, a tarefa até que foi fácil. A Bandeirantes transmitiu as partidas do Brasil na íntegra com as narrações de Edson Leite e Pedro Luiz. Entretanto, havia um problema com as transmissões da Copa do México. Na ocasião, devido a questões técnicas, Bandeirantes, Nacional (hoje Globo) e Jovem Pan tiveram de fazer um pool de transmissão, unindo narradores dos três prefixos: Fiori Gigliotti, Pedro Luiz e Joseval Peixoto. Cada um deles transmitiu pedaços dos jogos do Brasil naquela competição. Para lançar um LP comercial, talvez a união não fosse tão fácil. Qual foi a saída? Chamar o então narrador Ênnio Rodrigues e o repórter J. Hawíla (ele mesmo) para regravar as partes cujo áudio não é da Bandeirantes. Isto facilitou a produção desse álbum duplo, que com o passar dos anos, transformou-se em documento histórico do futebol e do rádio esportivo brasileiro.

Ouça no player abaixo os melhores momentos da partida Brasil x Itália, a grande final da Copa do México. Nesse registro do LP, Ênnio acabou narrando todos os gols do Brasil naquela partida, enquanto que a voz de Fiori Gigliotti é ouvida em áudio original no gol de empate da Azurra.

 

Para quem quiser baixar a versão digitalizada de A Copa é Nossa, baixa clicar no link abaixo.

http://sintoniamusikal.blogspot.com.br/2014/06/documento-copa-e-nossa-lp-duplo-1970.html

Tostão

Foto: Reprodução

 

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Memória: relemebre a transmissão de Porto x Peñarol, em 1987, pela Rádio Globo (SP)

Por Rodney Brocanelli

Em 1987, a partida da Copa Intercontinental (ou Copa Toyota ou Mundial de Clubes, decidam aí), colocou frente a frente o Peñarol, do Uruguai, e o Porto, de Portugal. O que era para ser mais um grande duelo, acabou se transformando em algo diferente, graças à nevasca que assolou a cidade de Tóquio na ocasião. Não consegui achar qualquer relato que trouxesse a temperatura exata na hora da partida, mas as imagens da época mostram muita neve espalhada pelo gramado do estádio Nacional. A disputa só não foi cancelada devido aos altos custos para a organização do evento.

Outro fato para lá de curioso que envolve esse jogo é que uma emissora de rádio do Brasil esteve em Tóquio para a transmissão da partida. A Rádio Globo, de São Paulo, enviou para lá Wanderley Ribeiro e Marcio Bernardes. Um investimento bem ousado, uma vez que não havia equipe do Brasil naquela final. Os times daqui iriam só valorizar essa competição a partir de 1992, quando o São Paulo venceu o o Barcelona pelo placar de 2 a 1. Vale destacar também que o rádio esportivo ainda não tinha entrado totalmente na era do off tube, quando as partidas são feitas dos estúdios de rádio e não dos locais dos jogos.

Apesar do clima desfavorável, tivemos futebol. Tivemos gols também. Fernando Gomes colocou o Porto em vantagem aos 41 minutos do primeiro tempo. Vieira empatou aos 35 minutos da segunda etapa. O argelino Madjer desempatou na prorrogação e seu gol deu o título à equipe portuguesa.

Veja todos esses gols (antes que o YouTube tire do ar) com a narração de Wanderley Ribeiro e as reportagens de Márcio Bernardes. Agradecimentos especiais ao Maurício Bastos, que rodou o áudio dessa partida no seu Futebol à Manivela. Agradeço também a Edu Cesar, do Papo de Bola, que fez a montagem publicada no maior site de vídeos da internê.

portoxpen1987

Haroldo de Souza passa a ser o único narrador a ser a voz dos três títulos do Grêmio na Libertadores

Por Rodney Brocanelli

Haroldo de Souza passa a ser o único narrador de rádio dos três títulos do Grêmio em Libertadores e por três emissoras diferentes. Em 1983 foi na Gaúcha Em 1995, ele estava na Guaíba. Agora em 2017, Haroldo empunha o microfone da Grenal. Um feito histórico no rádio esportivo brasileiro. Lembrança feita por Edu Cesar, do Papo de Bola.

Ouça abaixo a narração de Haroldo (na Guaíba) para o primeiro título do Grêmio, em 1983, batendo o Peñarol.

Abaixo, trazemos a narração dele para o bi do Grêmio em 1995. Aqui, ele narrava pela Guaíba.

Ouça a seguir a narração de Haroldo para o terceiro título do Grêmio, agora em 2017, vencendo o Lanús. Narração para a Rádio Grenal.

Haroldo de Souza

Luiz Gama fala da sua primeira transmissão no Carecão

Por Rodney Brocanelli

Durante a partida entre Boa Esporte x Goiás, válida pela série B do campeonato brasileiro, o narrador Luiz Gama, da Rádio Bandeirantes/820, de Goiânia, aproveitou uma mensagem de ouvinte vinda de Conceição do Araguaia (PA) para contar que ele fez parte da primeira transmissão de rádio diretamente do estádio local, no ano de 1981, cujo apelido é Carecão. “Eu abri o microfone e disse ‘Carecão ao vivo'”, disse Gama para divertimento do plantão Thiago Menezes. O narrador explicou que para aquela transmissão, a equipe teve que usar “quase 3km de fios da Telegoiás”. José Carlos Lopes, meio irritado já, contou que naquela época, quem fazia transmissão externa sequer conversava com o operador de áudio no estúdio. Para saber se a transmissão estava chegando, era solicitado que o operador desse um corte na música que estivesse tocando no ar . E para confirmar se o áudio chegava com qualidade, o operador dava dois cortes. Coisas do rádio antigo. Ouça abaixo.

Luiz Gama

Memória: Em 1976, Hélio Ribeiro sugere o árbitro de vídeo no futebol

Por Rodney Brocanelli

Os últimos acontecimentos relacionados à arbitragem de futebol no Brasil geraram um intenso debate sobre a utilização do recurso de vídeo para ajudar na tomada de decisão sobre lances polêmicos. No entanto, Hélio Ribeiro já falava sobre o tema na década de 1970.

Com a colaboração de Celso Casemiro, do memorial que homenageia o genial radialista, trazemos aqui o trecho de um programa do ano de 1976 em que Hélio faz uma defesa veemente sobre a utilização do árbitro de vídeo. Ele cita, sem entrar em maiores detalhes, um episódio ocorrido em uma partida do América, de São José do Rio Preto (Se algum historiador do futebol conseguir identificar qual é, basta deixar um comentário aqui).

No áudio, Hélio diz que fez publicar no antigo Diário Popular uma sugestão “para acabar com a roubalheira do futebol”. Cita como exemplo as corridas de cavalos, informando que muitas delas são decididas no Photochart, aparelho eletrônico usado para apontar o resultado de muitos páreos em que os animais chegam “cabeça com cabeça”. “Jogo de futebol não tem”, afirma ele para depois se mostrar revoltado com mesas redondas de tevê da época, que passavam os lances polêmicos e com a exibição das imagens, os jornalistas diziam se as marcações e não marcações dos árbitros estavam corretas ou não. Já naquela época, Helio defendia que o vídeo servisse como base  para que juízes de cabine (definição dele) pudessem evitar erros que prejudicassem um clube ou outro.

Helio Ribeiro morreu no dia 6 de outubro de 2000. Se estivesse vivo, Hélio Ribeiro ao tomar conhecimento de toda a polêmica envolvendo a utilização do árbitro de vídeo nos dias atuais, diria: “eu avisei lá atrás”. Ouça no player abaixo.

HelioRibeiro

 

Memória: Marcelo Rezende no Garagem

18/09/2017 2 comentários

Por Rodney Brocanelli

Marcelo Rezende concedeu boas entrevistas à programas de rádio. Uma aconteceu em novembro de 2014, no Quem Somos Nós?, apresentado pelo publicitário  Celso Loducca na Eldorado FM (ouça aqui). A outra rolou no Pânico,  em dezembro de 2016, a última participação dele na consagrada atração da Jovem Pan FM (ouça aqui).  Vamos destacar aqui a entrevista  que talvez seja a mais marcante do jornalista e apresentador morto no último sábado. Ela foi dada ao programa Garagem, apresentado por André Barcinski, Álvaro Pereira Jr.,  Paulo Cesar Martin e Sandro Vieira na hoje extinta Brasil 2000 FM, em 29 de julho de 2002.

Um motivo que pode ter contribuído e muito para a participação de Rezende no Garagem foi a sua ligação profissional com Álvaro Pereira Jr. Ambos trabalharam juntos no jornalismo da TV Globo. Álvaro segue lá até hoje, fazendo reportagens prioritariamente para o Fantástico. Na ocasião, Marcelo Rezende estava estreando na Rede TV! como apresentador do Repórter Cidadão.

As historias de Marcelo Rezende tomaram conta do programa. A duração do Garagem teve de ser prolongada (de duas horas para duas horas e meia) a fim de acomodar a programação musical escolhida pelo trio e as intervenções do convidado. O jornalista contou histórias de bastidores da reportagem que fez sobre a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina no Paraguai. Rezende acabou preso ao lado dos policiais brasileiros que para lá foram a fim de prender os criminosos. Uma história bem bizarra.

Rezende também contou como chegou à fita de vídeo que detonou o caso da Favela Naval, em que policiais fizeram de tudo com moradores de uma favela do município de Diadema (SP). Outro relato dele sobre o mesmo tema foi o da campana que fez para localizar uma das vítimas até convencê-la a aparecer na reportagem.

Não poderiam faltar temas relacionados ao esporte. Marcelo Rezende contou que foi comentarista esportivo da Rádio Nacional (RJ) na época de José Carlos Araújo. E mais histórias de bastidores: ele conta como foi até Miami para revelar a boa vida de um dirigente de futebol.

Todas essas histórias podem ser ouvidas em detalhes no player abaixo. O áudio foi extraído do blog Acervo Garagem, sem as músicas do playlist original.

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Flávio Araújo, 83

29/07/2017 1 comentário

Por Rodney Brocanelli

E a festa não para. Ontem comemoramos o aniversário de Osmar Santos. Hoje é a vez de darmos os parabéns para Flávio Araújo, que foi narrador esportivo, defendendo por muitos anos o microfone da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Além disso, teve passagens pela Rádio Gazeta e Rádio Central, de Campinas (aqui como comentarista).Ele ainda está na ativa, com uma coluna no site Ribeirão Preto On Line e um comentário diário na Rádio Cultura, de Poços de Caldas (MG).

Flávio Araújo seguiu a escola de Pedro Luiz, fazendo uma narração descritiva do que acontecia em campo, nas quadras, no ringue ou mesmo nos autódromos. No entanto, ele se permitia usar alguns bordões, como o “colocou a deusa branca para fazer chuá”, logo após um lance de gol, ou o “o 10 está brilhando na camisa dele”.

Seu período na ativa como narrador esportivo coincidiu com o auge de pelo menos quatro grandes esportistas da história do Brasil: Adhemar Ferreira da Silva, Éder Jofre, Pelé e Émerson Fittipaldi. Flávio usou sua voz para propagar os feitos deste quarteto de ouro aos quatro cantos deste país.

Vamos relembrar aqui algumas de suas narrações. Flávio Araújo narra uma luta de Éder Jofre contra Danny Kid, no ginásio do Ibirapuera. O ano é 1959.

Em 1982, a Gazeta, então comandada por Flávio Araújo, se associou com a antiga Rádio Clube Paranaense, liderada por Lombardi Jr, para a cobertura da Copa da Espanha. Essa dobradinha fez muito sucesso na época.

Em 30 de Março de 1980, Nelson Piquet conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. Narração de Flavio Araujo pela Bandeirantes.

Flávio foi um dos privilégiados que teve a oportunidade de narrar o milésimo gol de Pelé

Uma edição de seu “O Positivo e o Negativo”, na Rádio Cultura, de Poços de Caldas.

Flávio Araújo foi um dos entrevistados do Radioamantes no Ar, sempre apresentado pela web rádio Show Time.

Para encerrar, Flávio Araújo narra o gol de Pita, pelo Santos, na primeira partida da decisão do campeonato brasileiro de 1983.

flavioaraujo

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