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Archive for the ‘Memória’ Category

Edison Scatamachia conta histórias da época de Osmar Santos na Rádio Globo.

Por Rodney Brocanelli

O perfil Narração Esportiva, ativo no You Tube, vem publicando uma série de entrevistas de Edison Scatamachia, jornalista que foi coordenador de produção do departamento de esportes da Rádio Globo nos anos 1980, que corresponde ao auge da carreira de Osmar Santos. Scatinha, como era chamado por Osmar, contou algumas histórias de bastidores desse período. Esse depoimento é precioso porque talvez seja um dos poucos que detalham coisas da época em que a Globo dominou a audiência do rádio AM paulistano.

Vindo da imprensa escrita, Scatamachia resolveu adotar um roteiro para as transmissões esportivas. E nele, era obrigatório o giro de manchetes dos repórteres, que depois iam detalhando as informações, muitas delas recheadas com entrevistas pré-gravadas. Esse investimento no jornalsimo, segundo ele, foi o grande pulo do gato para que a Globo tomasse a audiência da Rádio Bandeirantes, que até então era a líder das pesquisas de audiência. “Nós viramos o jogo com a notícia”, conta. Isso, claro, sem perder o bom humor, que era outra características das transmissões. Veja abaixo.

No trecho abaixo, Scatinha também fala sobre Fausto Silva e Lucimara Parisi, outros dois grandes nomes daquela equipe, que atingiram voos maiores em suas respectivas carreiras. Para ele, o grande sucesso do Perdidos na Noite (programa da tv derivado do Balancê, da Rádio Excelsior) era a absoluta falta de organização. Depois, o jornalista conta divertidas histórias da participação de Osmar Santos como apresentador dos comícios das Diretas Já.

Edison Scatamachia

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A invenção do Off Tube, por Flavio Alcaraz Gomes

Por Rodney Brocanelli

Oficialmente,  o off tube foi criado em 1966, durante a Copa da Inglaterra. No começo, era um ato de resistência e de criatividade face à concorrência. No vídeo abaixo, Flavio Alcaraz Gomes, nome célebre do rádio e da tv do Rio Grande do Sul,  conta como a Rádio Guaíba teve de se virar para fazer a cobertura da Copa de 1966, na Inglaterra. A concorrente Rádio Gaúcha, por intermédio de um acordo com a Rádio Itatiaia (BH), conseguiu lugar nos estádios, deixando de fora a Guaíba. A solução foi arrumar junto à BBC uma televisão que exibisse os jogos da competição e o som ambiente das partidas. Os profissionais da emissora eram acomodados diante do receptor de tv e, com as imagens, faziam a narração dos jogos. Nascia assim o off tube, prática devidamente adaptada, que persiste até hoje. Veja abaixo.

Flavio Alcaraz Gomes

 

Memória: Ennio Rodrigues narra os gols do Tri do Brasil no México pela Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Pouco depois da conquista do tricampeonato mundial de futebol pela seleção brasileira no México, a Rádio Bandeirantes e a RCA Victor (hoje Sony Music) lançaram um LP chamado A Copa é Nossa, com os registros sonoros da emissora paras conquistas do nosso escrete nas edições de 1958, 1962 e 1970. Para a compilação do registro das vitórias na Suécia e no Chile, respectivamente, a tarefa até que foi fácil. A Bandeirantes transmitiu as partidas do Brasil na íntegra com as narrações de Edson Leite e Pedro Luiz. Entretanto, havia um problema com as transmissões da Copa do México. Na ocasião, devido a questões técnicas, Bandeirantes, Nacional (hoje Globo) e Jovem Pan tiveram de fazer um pool de transmissão, unindo narradores dos três prefixos: Fiori Gigliotti, Pedro Luiz e Joseval Peixoto. Cada um deles transmitiu pedaços dos jogos do Brasil naquela competição. Para lançar um LP comercial, talvez a união não fosse tão fácil. Qual foi a saída? Chamar o então narrador Ênnio Rodrigues e o repórter J. Hawíla (ele mesmo) para regravar as partes cujo áudio não é da Bandeirantes. Isto facilitou a produção desse álbum duplo, que com o passar dos anos, transformou-se em documento histórico do futebol e do rádio esportivo brasileiro.

Ouça no player abaixo os melhores momentos da partida Brasil x Itália, a grande final da Copa do México. Nesse registro do LP, Ênnio acabou narrando todos os gols do Brasil naquela partida, enquanto que a voz de Fiori Gigliotti é ouvida em áudio original no gol de empate da Azurra.

 

Para quem quiser baixar a versão digitalizada de A Copa é Nossa, baixa clicar no link abaixo.

http://sintoniamusikal.blogspot.com.br/2014/06/documento-copa-e-nossa-lp-duplo-1970.html

Tostão

Foto: Reprodução

 

Memória: relemebre a transmissão de Porto x Peñarol, em 1987, pela Rádio Globo (SP)

Por Rodney Brocanelli

Em 1987, a partida da Copa Intercontinental (ou Copa Toyota ou Mundial de Clubes, decidam aí), colocou frente a frente o Peñarol, do Uruguai, e o Porto, de Portugal. O que era para ser mais um grande duelo, acabou se transformando em algo diferente, graças à nevasca que assolou a cidade de Tóquio na ocasião. Não consegui achar qualquer relato que trouxesse a temperatura exata na hora da partida, mas as imagens da época mostram muita neve espalhada pelo gramado do estádio Nacional. A disputa só não foi cancelada devido aos altos custos para a organização do evento.

Outro fato para lá de curioso que envolve esse jogo é que uma emissora de rádio do Brasil esteve em Tóquio para a transmissão da partida. A Rádio Globo, de São Paulo, enviou para lá Wanderley Ribeiro e Marcio Bernardes. Um investimento bem ousado, uma vez que não havia equipe do Brasil naquela final. Os times daqui iriam só valorizar essa competição a partir de 1992, quando o São Paulo venceu o o Barcelona pelo placar de 2 a 1. Vale destacar também que o rádio esportivo ainda não tinha entrado totalmente na era do off tube, quando as partidas são feitas dos estúdios de rádio e não dos locais dos jogos.

Apesar do clima desfavorável, tivemos futebol. Tivemos gols também. Fernando Gomes colocou o Porto em vantagem aos 41 minutos do primeiro tempo. Vieira empatou aos 35 minutos da segunda etapa. O argelino Madjer desempatou na prorrogação e seu gol deu o título à equipe portuguesa.

Veja todos esses gols (antes que o YouTube tire do ar) com a narração de Wanderley Ribeiro e as reportagens de Márcio Bernardes. Agradecimentos especiais ao Maurício Bastos, que rodou o áudio dessa partida no seu Futebol à Manivela. Agradeço também a Edu Cesar, do Papo de Bola, que fez a montagem publicada no maior site de vídeos da internê.

portoxpen1987

Haroldo de Souza passa a ser o único narrador a ser a voz dos três títulos do Grêmio na Libertadores

Por Rodney Brocanelli

Haroldo de Souza passa a ser o único narrador de rádio dos três títulos do Grêmio em Libertadores e por três emissoras diferentes. Em 1983 foi na Gaúcha Em 1995, ele estava na Guaíba. Agora em 2017, Haroldo empunha o microfone da Grenal. Um feito histórico no rádio esportivo brasileiro. Lembrança feita por Edu Cesar, do Papo de Bola.

Ouça abaixo a narração de Haroldo (na Guaíba) para o primeiro título do Grêmio, em 1983, batendo o Peñarol.

Abaixo, trazemos a narração dele para o bi do Grêmio em 1995. Aqui, ele narrava pela Guaíba.

Ouça a seguir a narração de Haroldo para o terceiro título do Grêmio, agora em 2017, vencendo o Lanús. Narração para a Rádio Grenal.

Haroldo de Souza

Luiz Gama fala da sua primeira transmissão no Carecão

Por Rodney Brocanelli

Durante a partida entre Boa Esporte x Goiás, válida pela série B do campeonato brasileiro, o narrador Luiz Gama, da Rádio Bandeirantes/820, de Goiânia, aproveitou uma mensagem de ouvinte vinda de Conceição do Araguaia (PA) para contar que ele fez parte da primeira transmissão de rádio diretamente do estádio local, no ano de 1981, cujo apelido é Carecão. “Eu abri o microfone e disse ‘Carecão ao vivo'”, disse Gama para divertimento do plantão Thiago Menezes. O narrador explicou que para aquela transmissão, a equipe teve que usar “quase 3km de fios da Telegoiás”. José Carlos Lopes, meio irritado já, contou que naquela época, quem fazia transmissão externa sequer conversava com o operador de áudio no estúdio. Para saber se a transmissão estava chegando, era solicitado que o operador desse um corte na música que estivesse tocando no ar . E para confirmar se o áudio chegava com qualidade, o operador dava dois cortes. Coisas do rádio antigo. Ouça abaixo.

Luiz Gama

Memória: Em 1976, Hélio Ribeiro sugere o árbitro de vídeo no futebol

Por Rodney Brocanelli

Os últimos acontecimentos relacionados à arbitragem de futebol no Brasil geraram um intenso debate sobre a utilização do recurso de vídeo para ajudar na tomada de decisão sobre lances polêmicos. No entanto, Hélio Ribeiro já falava sobre o tema na década de 1970.

Com a colaboração de Celso Casemiro, do memorial que homenageia o genial radialista, trazemos aqui o trecho de um programa do ano de 1976 em que Hélio faz uma defesa veemente sobre a utilização do árbitro de vídeo. Ele cita, sem entrar em maiores detalhes, um episódio ocorrido em uma partida do América, de São José do Rio Preto (Se algum historiador do futebol conseguir identificar qual é, basta deixar um comentário aqui).

No áudio, Hélio diz que fez publicar no antigo Diário Popular uma sugestão “para acabar com a roubalheira do futebol”. Cita como exemplo as corridas de cavalos, informando que muitas delas são decididas no Photochart, aparelho eletrônico usado para apontar o resultado de muitos páreos em que os animais chegam “cabeça com cabeça”. “Jogo de futebol não tem”, afirma ele para depois se mostrar revoltado com mesas redondas de tevê da época, que passavam os lances polêmicos e com a exibição das imagens, os jornalistas diziam se as marcações e não marcações dos árbitros estavam corretas ou não. Já naquela época, Helio defendia que o vídeo servisse como base  para que juízes de cabine (definição dele) pudessem evitar erros que prejudicassem um clube ou outro.

Helio Ribeiro morreu no dia 6 de outubro de 2000. Se estivesse vivo, Hélio Ribeiro ao tomar conhecimento de toda a polêmica envolvendo a utilização do árbitro de vídeo nos dias atuais, diria: “eu avisei lá atrás”. Ouça no player abaixo.

HelioRibeiro

 

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