Memória: relembre a vinheta clássica da 97 FM dos anos 1980

Por Rodney Brocanelli

O perfil da banda Lingua de Trapo no YouTube publicou nesta segunda (18) uma verdadeira relíquia do rádio: a vinheta da 97 FM, quando ela ainda transmitia diretamente de Santo André. Como informou Laert Sarrumor em seu perfil no Facebook (veja aqui), ela rolava a cada uma hora e anunciava o prefixo da emissora. Ela foi produzida pelo próprio Laert ao lado de Catalau, da banda Golpe de Estado. A gravação aconteceu no dia 29 de maio de 1987 no Estúdio Cameratti, em Santo André, e contou com as participações de Paulo Zinner, Nelson Brito e Helcio Aguirra.

Inaugurada em 1983, em Santo André, a 97 FM foi aos poucos se transformando em uma rádio de rock. Virou uma das grandes referencias no assunto, em que se pese a dificuldade de seu sinal chegar a outras regiões de São Paulo. No começo só havia um locutor, o Jota Erre, que dava muito trabalho a um dos fundadores da emissora, Zé Constantino. Ambos já chegaram até a sair no tapa.

Em 1994, a emissora mudou radicalmente seu estilo, trocando o rock pela música eletrônica. Em uma edição do programa Morde e Assopra de 2018 (saiba mais aqui), o próprio Zé Constantino explicou a mudança contando dois que o fizeram mudar de ideia. Um deles foi um prejuízo que ele teve ao organizar um show do Sepultura em Santo André. O outro aconteceu durante uma viagem de táxi. O motorista estava ouvindo Deep Purple. “Você gosta de rock?”, perguntou o proprietário da 97 FM. Após a resposta afirmativa, o condutor do automóvel listou uma série de bandas das quais gostava. Todas antigas. Foi aí que Constantino teve um clique: o consumidor de rock não estava tão interessado assim em novidades, isso em pleno estouro do Nirvana.

A mudança de perfil não agradou aos ouvintes, é claro. Na ocasião, a determinação era para que os telefones não fossem atendidos e com isso, procurar driblar a fúria que vinha do outro lado. Após algumas alterações ao longo dos anos, a emissora adotou o nome de Energia 97.

O grande pulo do gato se deu em 1999, com a estreia do Estádio 97, debate sobre futebol com um tempero bem-humorado transmitido sempre aos finais de tarde. A fórmula tem grarantido sucesso comercial e de público ao longo desses anos. Desde 2019, a emissora tem se dedicado às transmissões dos jogos de futebol dos grande clubes de São Paulo com o projeto Energia em Campo.

Ouça abaixo a vinheta clássica da 97 FM com alta qualidade sonora.

Flávio Araújo, 87

Por Rodney Brocanelli

E a festa não para. Ontem comemoramos o aniversário de Osmar Santos. Hoje é a vez de transmitirmos os parabéns para Flávio Araújo, narrador esportivo que defendendeu por muitos anos o microfone da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Além disso, ele teve passagens pela Rádio Gazeta e Rádio Central, de Campinas (aqui como comentarista). Flávio está na ativa,  participando da programação da  Rádio Cultura, de Poços de Caldas (MG), sempre com um comentário a respeito dos temas da atualidade. A emissora é de propriedade de seu irmão, Chico de Assis.

Flávio Araújo seguiu a escola de Pedro Luiz, fazendo uma narração descritiva do que acontecia em campo, nas quadras, no ringue ou mesmo nos autódromos. No entanto, ele se permitia usar alguns bordões, como o “colocou a deusa branca para fazer chuá”, logo após um lance de gol, ou o “o 10 está brilhando na camisa dele”.

Seu período na ativa como narrador esportivo coincidiu com o auge de pelo menos quatro grandes esportistas da história do Brasil: Adhemar Ferreira da Silva, Éder Jofre, Pelé e Émerson Fittipaldi. Flávio usou sua voz para propagar os feitos deste quarteto de ouro aos quatro cantos deste país.

Vamos relembrar aqui algumas de suas narrações. Flávio Araújo narra uma luta de Éder Jofre contra Danny Kid, no ginásio do Ibirapuera. O ano é 1959.

Em 1982, a Gazeta, então comandada por Flávio Araújo, se associou com a antiga Rádio Clube Paranaense, liderada por Lombardi Jr, para a cobertura da Copa da Espanha. Essa dobradinha fez muito sucesso na época.

Em 30 de Março de 1980, Nelson Piquet conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. Narração de Flavio Araujo pela Bandeirantes.

Flávio foi um dos privilegiados que teve a oportunidade de narrar o milésimo gol de Pelé

Uma edição de seu “O Positivo e o Negativo”, na Rádio Cultura, de Poços de Caldas.

Flávio Araújo foi um dos entrevistados do Radioamantes no Ar, sempre apresentado pela web rádio Show Time.

Graças a uma colaboração de Celso Casemiro, do Memorial Hélio Ribeiro, recuperamos o trecho de um programa do apresentador veiculado em 1976, as vésperas do GP de Monza de Fórmula 1, que seria disputado em 12 de setembro daquele ano. Para lá, a Rádio Bandeirantes enviou o narrador Flávio Araújo, que iria transmitir a corrida ao lado do comentarista Edgard Mello Filho. Neste áudio, Flávio Araújo inicia fazendo seu boletim com informações acerca do clima em Monza. Logo em seguida Hélio começa a fazer perguntas sobre o calor, sobre o câmbio, diárias de hotel, as músicas que tocavam nas emissoras locais de rádio e do desempenho dos pilotos brasileiros da época: Émerson Fittipaldi e José Carlos Pace.

Ouça o compacto da transmissão de São Paulo x Portuguesa, de 1977, pela Rádio Bandeirantes.

Para encerrar, Flávio Araújo narra o gol de Pita, pelo Santos, na primeira partida da decisão do campeonato brasileiro de 1983.

flavioaraujo

Orlando Drummond começou sua carreira no rádio como contrarregra e radioator

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta terça (27) o ator Orlando Drummond aos 101 anos. Ele morreu em casa, mas desde maio a sua saúde inspirava cuidados. Ele foi internado em um hospital do Rio de Janeiro devido a uma infecção urinária, ficando na unidade semi intensiva. Recebeu alta no mês de junho. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e enterro.

Conhecido por seu trabalho com dublador e como interprete do icônico Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo, Orlando Drummond começou sua carreira no rádio, como contrarregra, na Rádio Tupi, em 1942. Por influência de Paulo Gracindo passou a ser radioator a partir de 1946, interpretando personagens de sucesso na época como  Lúcio, o Granfino, Enxolino Sacoso, Takananuka, um japonês e o Taco, um índio que fazia dupla com Pataco, interpretado por Otávio França. Ambos eram conhecidos pelo bordão “Pezinho pra frente, pezinho pra trás”. Eles foram revividos anos depois no extinto Zorra Total, da TV Globo. Nessa nova versão, Paulo Silvino deu vida a Pataco.

Muito provavelmente não devam existir registros de Orlando Drummond no rádio. Vamos relembrar Tato e Pataco no Zorra Total.

Um ano sem José Paulo de Andrade

Por Edu Cesar, do Papo de Bola

Completado neste sábado, rendeu emocionadas e emocionantes lembranças nos matinais que apresentava na Rádio Bandeirantes de São Paulo, tanto no “Jornal Gente” apresentado pelo Pedro Campos quanto no “Pulo do Gato” comandado pela Silvania Alves, que ficou com a voz embargada quando lembrou da vez que o Zé disse a ela e ao operador da mesa de som Ailton Dias que temia ser infectado pelo coronavírus pois tinha certeza que, se acontecesse, não resistiria – e tristemente foi exatamente o que aconteceu. Áudios clássicos do âncora foram resgatados mais uma vez, incluindo narrações dele nos tempos de cronista esportivos, e muitas, muitas homenagens foram rendidas por ouvintes. Zé Paulo partiu, mas nunca morrerá de forma absoluta.

Ouça abaixo a homenagem divulgada pela Rádio Bandeirantes

“A Maldita”, história da Fluminense FM, estreia em documentário

Por Marcos Lauro

Selma Boiron, locutora da Fluminense FM - Foto: Divulgação
Selma Boiron, locutora da Fluminense FM – Foto: Divulgação

Foi ao ar nessa quarta-feira (14), no Canal Brasil, o documentário “A Maldita”, da diretora Tetê Mattos. O filme já teve sua versão em curta metragem lançada em 2007 e agora ganha sua versão maior com depoimentos de artistas, entrevistas com profissionais que fizeram parte da equipe e outros detalhes que tornam a história ainda mais interessante.

A Fluminense foi a primeira rádio segmentada no rock no Rio de Janeiro. Com uma linguagem jovem, mas que respeitava a inteligência do ouvinte, a rádio soube abraçar a geração 1980 de uma forma única, que vencia até a pobreza técnica do seu transmissor – ouvintes cariocas chegavam a ir de carro até o Aterro do Flamengo, onde o sinal chegava bem, só pra ficar ouvindo a rádio e participar da programação.

Além de mostrar o pioneirismo da equipe, o filme presta uma grande homenagem ao ouvinte-fã da rádio. Boa parte da documentação exibida na tela vem dos arquivos desses ouvintes – um deles anotava num caderno a programação da rádio e o setlist de todos os shows em que ia. Outra ouvinte, ainda, guarda uma carta-resposta que recebeu da emissora.

Outro detalhe do filme é a leitura das cartas. Entre um depoimento e outro, uma imagem de arquivo e outra, cartas dos ouvintes são lidas em off para mostrar a relação de colaboração que existia. Ouvintes, além de elogiarem a programação, davam dicas, pediam música e, de fato, participavam da rádio por carta. Alguns faziam mais: iam até a emissora (algo raro para a época) e trabalhavam. Um deles é o cantor e compositor BNegão, que ia até a rádio para atender ligações de ouvintes e conviver com os locutores da época.

“A Maldita” é um filme que mostra a importância de um veículo de comunicação que de fato se comunica com seu público. Mesmo quem não ouviu na época ou nem mesmo é do Rio de Janeiro/Niterói, vai sentir a força que tinha uma rádio desse tipo em tempos pré-internet.

Para ver o documentário “A Maldita”, consulte a programação do Canal Brasil para pegar uma das reprises.

Há 10 anos, uma série de composições tirava do ar a Rádio Brasil 2000 FM

Por Rodney Brocanelli

Há dez anos, uma série de composições tirou do ar a Rádio Brasil 2000 FM. O Grupo Estado e a ESPN precisavam de um canal em FM para colocar no ar a programação que já vinha dando certo no AM. Com o nome de Eldorado/ESPN, a emissora que operava em 700Khz, veiculava um mix de jornalismo (tocado pela equipe da Eldorado) com transmissões esportivas (com o know how dos canais ESPN).

No entanto, havia uma dúvida no ar. O que fazer com a programação da antiga Eldorado FM, que operava nos 92,9Mhz, tinha um público fiel e, mais importante, patrocinadores. A solução foi costurar um acordo coma Fundação Brasil 2000, responsável pela programação veiculada nos 107,3Mhz. Em seus últimos anos, a emissora era identificada pela sua frequência, mas por muito tempo usou o nome Brasil 2000, se transformando em uma referência entre o público que gosta de rock.

A antiga Brasil 2000 vivia uma série de problemas na ocasião. Apesar da boa programação musical, não havia quase locutores ao vivo, muito menos programas especializados. Ela veio perdendo força ao longo dos anos em um processo que se iniciou no ano de 2001 depois da saída da dupla Tatola/Roberto Maia da direção e dos microfones também. Eles tinham bastante popularidade entre os ouvintes da emissora e tinham um espaço na programa com o 2000 Volts, no final de tarde.

Pouco depois, Lélio Teixeira foi contratado para ser coordenador artístico. Uma das grandes inovações do gestor na emissora foi lançar o Na Geral, programa de debates futebolísticos que está no ar até hoje, com passagens pela Bandeirantes, Kiss FM e 105 FM. Atualmente, a atração está na Massa FM.

Com a saída de Lélio, o convidado para tomar conta dos destinos na Brasil 2000 foi Kid Vinil, em 2003. Entretanto, nem isso serviu para dar algum alento à emissora. O próprio Kid assumiu depois que cometeu alguns erros em sua administração e enfrentou desgastes com pessoas ligadas à administração da rádio.

Em seguida, o futuro da emissora foi envolvido em várias especulações. Falou-se que ela iria se transformar numa rádio 100% esportiva, tocada pelo Grupo Bandeirantes. Isso somente iria se concretizar anos depois e em um outro canal, com a saudosa Bradesco Esportes FM. Durante alguns meses de 2005, a programação jornalística matinal da Rádio Bandeirantes (06h às 10h) foi transmitida nos 107,3Mhz.

Outra especulação dava conta de que ela iria virar a Transamérica Hits. Quase que ela virou rádio infantil, com a marca de Playground FM, um projeto tocado por publicitários. Entretanto, quem se deu melhor foi o Grupo Estado, que em 2011 transferiu para os 107,3 a programação tradicional dos 92,9Mhz. Com isso, o caminho ficou aberto para a estreia da Estadão/ESPN. Todo esse processo se deu entre os dias 26 e 27 de março de 2011.

O nome oficial para a nova programação dos 107,3Mhz soava estranho: Eldorado Brasil 3000. Claro que foi abandonado pouco depois. Por sua vez, a Brasil 2000 migrou para a web, usando toda a estrutura usada na antiga emissora de rádio.

A parceria Estadão/ESPN nos 92,9Mhz durou muito pouco, sendo desfeita em 2013. Com isso, a emissora passou a se chamar apenas Estadão, com uma programação eminentemente jornalística. Em 2015, foi arrendada pela Comunidade Paz & Vida, do pastor Juanribe Pagliarin. Com isso parte da programação jornalística foi migrada para os 107,3Mhz.

Porém, no ano de 2019, a frequência foi vendida ao empresário Carlos Massa, o Ratinho, que planejava colocar a sua Massa FM no mercado de São Paulo.

Já a web rádio Brasil 2000 foi descontinuada em 2016 (saiba mais aqui).

E com tantas idas e vindas, a frequência dos 107,3Mhz segue abrigando a programação da Rádio Eldorado FM, com destaque para o Jornal Eldorado, apresentado por Haisem Abaki e Carolina Ercolin.

Antes de encerrar deixo aqui dois links que resgaram um pouco mais da memória da Brasil 2000 FM.

Entrevista com Roberto Maia – https://radioamantes.wordpress.com/2013/01/24/memoria-roberto-miller-maia-abre-o-jogo-sobre-a-brasil-2000-fm/

Algumas declarações de Kid Vinil sobre sua passagem pela emissora – https://radioamantes.wordpress.com/2017/05/19/didatico-kid-vinil-deixou-sua-marca-no-radio/

Ouça abaixo a transição da Brasil 2000 para a Eldorado 3000.

Memória: relembre Rodrigo Rodrigues e João Carlos Albuquerque na Rádio Estadão/ESPN em 2011

Por Rodney Brocanelli

No último domingo (14), João Carlos Albuquerque encerrou sua participação no The Voice+, programa da TV Globo que visa revelar ou divulgar talentos musicais da melhor idade. A técnica Claudia Leitte resolveu optar por outros dois concorrentes para seguirem na competição. João Canalha, como é conhecido, cantou um clássico do rock nacional em sua apresentação: “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho. Ele aproveitou para homenagear Rodrigo Rodrigues, morto no ano passado devido ao Covid-19. Ambos foram companheiros nos canais ESPN.

“Eu quero, se vocês me permitem, dedicar essa música à memória do meu querido, maravilhoso amigo Rodrigo Rodrigues, que se foi ano passado por causa da Covid, e com quem eu cantei algumas vezes essa música. É um dos caras mais espetaculares que eu conheci na minha vida”, disse João.

Essa parceria não se limitou apenas aos palcos. Em abril de 2011, João Carlos Albuquerque foi o primeiro convidado de Rodrigo Rodrigues no programa Bola e Música, da Rádio Estadão/ESPN, uma das tentativas da ESPN em explorar o rádio, fazendo uma parceria com o Grupo Estado (responsável por editar o jornal O Estado de S. Paulo), que detinha a concessão em FM dos 92,9Mhz na capital paulista.

A ideia do programa era a de um talk show descontraído em que convidados falariam um pouco de si, com direito a escolher as músicas para tocar entre um bate papo e outro. Na estreia, João levou seu violão e até fez um sonzinho à parte. Ele também falou sobre seu apelido Canalha e de aspectos de sua carreira em 2011. O programa ainda contou com breves participações de Zico, Nelson Motta,  Magic Paula, José Trajano (então manda chuva dos canais ESPN) e Dudu Nobre.

Ouça o programa no player abaixo (não foram incluídas as músicas selecionadas por João Carlos Albuquerque. A ideia é não atrair strikes ou bloqueios no YouTube. O blog agradece a compreensão).

Memória: o dia em que Cristiano Silva participou do Lar Doce Lar, no Caldeirão do Huck

Por Rodney Brocanelli

Talvez poucos se lembrem, mas Cristiano Silva, hoje apresentador e repórter da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, já apareceu com grande destaque na tela da Globo, mais precisamente no  Lar Doce Lar, apresentado dentro do programa Caldeirão do Huck. Para quem não sabe, a finalidade desse quadro é promover uma reforma completa na casa de quem participa dele. A mãe de Cristiano, Dona Luzia, foi escolhida para ser a protagonista de uma de suas edições, a partir de uma carta escrita por uma de suas filhas, que também se chama Luiza. 

No entanto, conforme as regras da atração, para conseguir a reforma, todos os integrantes da família tem que participar de uma espécie de gincana bolada pela produção do programa. E Cristiano não ficou de fora.

Em uma entrevista ao canal do jornalista Darci Filho, veiculada em agosto do ano passado, Cristiano relembrou dessa história.  No Natal de 2006, família reunida na casa da mãe, ele resolve fazer um discurso, depois de uns champagnes a mais, prometendo uma reforma, mais do que necessária. A questão é que não havia dinheiro para isso. “Eu não tinha dinheiro nem para reformar o banheiro, que dirá a casa toda. Mas é discurso de Natal, tá valendo”, contou.

Nessa confraternização, Cristiano percebeu que sua irmã Luzia, quem tem o mesmo nome da mãe, vale lembrar, estava tirando fotos e mais fotos da casa. Isso chamou a sua atenção, uma vez que não eram os tradicionais registros familiares característicos dessas reuniões. 

No ano seguinte, próximo do dia das mães, em maio,  o jornalista combinou de passar na casa da mãe e leva-la para comprar um presente. Chegando lá, é avisado por Dona Luzia que ela não poderia sair. “A tua irmã disse que vem gente importante ver a casa”, explicou. Detalhe: Cristiano estava de bota e bombacha, vestimentas típicas do Rio Grande do Sul. Pouco depois, tocam a campanha, ele vai atender e vê duas vans estacionadas e com equipes de tevê filmando tudo.

A irmã de Cristiano, que estava com eles explica: “Esse pessoal é do Lar Doce Lar, do Caldeirão do Huck, eles estão filmando tudo e vamos participar”. Na época, trabalhando na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, o jornalista se viu em um dilema, resolvido rapidamente: “Das duas uma: ou os caras não reformam a casa ou eu ficaria desempregado. Não tive dúvidas, eu pediria demissão na hora”, afirmou. 

Cristiano chamou a atenção da produção durante essa primeira visita. Ele até tentou se esquivar, dizendo que não morava naquela casa, mas logo descobriu o motivo: a forma como estava vestido no dia. “É o case ideal: Rio Grande do Sul. Um maluco de bota e bombacha. Na cidade. É isso que eles queriam”, afirmou.

Em agosto, Luciano Huck desembarca na cidade para as gravações do Lar Doce Lar na casa da mãe de Cristiano. Ele estava cumprindo mais um dia de expediente normal na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, quando seu telefone tocou e ficou sabendo da movimentação. O repórter parou tudo o que estava fazendo e falou com seu superior: “O negócio é o seguinte: eu recebi uma ligação do Luciano Huck, ele tá no quarto da minha mãe, com a minha mãe e estou indo pra casa dela agora. Eu estou no Lar Doce Lar. Se vocês quiserem me demitir, façam agora, eu passo no RH e assino tudo, porque essa boca aí eu não vou perder”.

Em resumo, a participação da família de Cristiano foi bem sucedida (veja abaixo). Eles tomaram parte de uma prova organizada no pedalinho da Redenção, um dos parques mais tradicionais de Porto Alegre. Com isso, ganharam o direto de reforma prometida pelo programa. “Eles baixaram a casa e fizeram uma nova, móveis da Tok Stok. Eu para mim, foi um milagre. Se o pessoal não acredita em milagre, eu sou testemunha. Isso que aconteceu foi um milagre”, afirmou o jornalista.

Aproximadamente 15 anos depois, Dona Luzia, segue morando na casa reformada com outra de suas filhas, chamada Joana. A que escreveu a carta, (também Luiza, vale repetir), hoje mora em Florianópolis. “Claro que teve alguns consertos, mas ela é a mesma casa”, disse Cristiano.

Veja abaixo a entrevista de Cristiano Silva concedida ao colega Darci Filho.

Veja abaixo a participação da família de Cristiano Silva no Lar Doce Lar. São duas partes.

Memória: ouça grandes lances de Maradona em narrações do rádio esportivo brasileiro

Por Rodney Brocanelli

O mundo perdeu hoje uma de suas maiores referências: Diego Maradona. Ele teve uma parada cardiorrespiratória em sua residência. Apesar do socorro de seis ambulâncias, não foi possível reanimá-lo. O mundo do futebol está de luto e a Argentina em estado de choque. Ele tinha 60 anos. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e enterro. 

Vamos relembrar aqui alguns momentos de Maradona no mundo do futebol registrados pelo rádio brasileiro.

Não poderíamos começar com outro registro que não fosse o gol de mão que ele marcou na partida entre Argentina x Inglaterra, válida pela fase de quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986. Um gol marcado com “la mano de Dios”. Narração de Éder Luiz e reportagens de Roberto Silva, pela Rádio Bandeirantes.

O segundo gol de Maradona naquela partida foi uma pintura. Ouça a descrição de Samuel de Souza Santos, pela Rádio Guaíba.

Haroldo de Souza transmitiu este histórico jogo pela Rádio Gaúcha.

O último gol de Maradona em Copas aconteceu no mundial dos EUA, em 1994. Um belo chute de média distância com o pé esquerdo. Entretanto, pouco depois, ele foi excluido da competição, por ser pego no exame antidoping. Ouça a narração de Alberto Cesar e reportagens de Marcelo di Lallo, pela Rádio Gazeta.

Ouça esse mesmo lance com a narração de Jota Santiago, da Super Rádio Tupi.

Outro lance histórico de Maradona não foi exatamente um gol, mas sim um passe que ele deu para Caniggia fazer o gol da vitória da Argentina sobre o Brasil. Diego veio com a bola dominada no meio campo, conseguiu se livrar da marcação de Dunga e, mesmo cercado por pelo menos dois outros jogadores brasileiros, passou a bola para que seu companheiro saísse livre, de frente para o gol.

Só mesmo um lance genial de Maradona para fazer Fiori Gigiotti falar um palavrão no ar. Ouça abaixo e saiba mais clicando aqui.

Ouça o mesmo lance com a narração de José Silvério, então pela Rádio Jovem Pan.

E ainda, a narração de Marco Antonio Pereira, pela Rádio Guaíba.

 

 

Narrador teve que se desdobrar para narrar gol 1040 de Pelé

Por Rodney Brocanelli

No dia 2 de setembro de 1970 o Santos foi até a cidade de Erechim (RS) para disputar um amistoso contra o Grêmio que marcaria a inauguração do estádio Colosso da Lagoa, que existe até hoje e abriga os jogos do Ypiranga, tradicional time da cidade, e até alguns clássicos envolvendo Grêmio e Internacional.

Mais do que inaugurar o estádio, essa partida também entrou não só para a história do rádio esportivo brasileiro, mas para a história pessoal de Idivar Appio que teve de se desdobrar para transmitir esse gol.

A hoje extinta Super Rádio Tupi, de São Paulo, resolveu homenagear Pelé, que aproximadamente um ano antes havia marcado seu milésimo gol, com direito a uma apoteose no Maracanã. A ideia da emissora era fazer uma nova festa, desta vez quando o Rei do Futebol chegasse a marca do gol de número 1040. 

Claro que havia uma jogada de marketing nesta intenção. O número escolhido não foi por acaso. Era a frequência em que a Tupi operava em amplitude modulada na cidade de São Paulo: 1040Khz.

Com isso, os profissionais da emissora passaram perseguir esse registro até que o destino reservou que o grande momento ocorresse no amistoso de Erechim. Tudo já estava previamente planejado. Assim que saísse o gol, o repórter que estivesse na cobertura entregaria uma camiseta com o número 1040 às costas. Coube a Vitor Moran tal privilégio. Pelé fez o primeiro gol da vitória santista pelo placar de 2 a 0 e todo o protocolo foi executado com êxito.

Pouco depois, o Colosso da Lagoa inaugurou uma placa de bronze para eternizar esse feito, ofertada pela própria Tupi. Um dos poucos registros tangíveis da emissora que permaneceram desde sua extinção, ocorrida no ano de 1981.

Quem narrou esse gol foi Idivar Appio, que trabalhava na Rádio Difusão, de Erechim, na ocasião. Ele contou ao Radioamantes que foi contratado pela Tupi para essa transmissão. Ele já estava acostumado a transmitir jogos pela emissora, especialmente aqueles que envolviam a Loteria Esportiva. 

No entanto, Appio não deixou de narrar esse jogo também pela Difusão. A saída, como ele conta, foi usar dois microfones. “Num deles fiz os comerciais da Tupi. No outro um locutor na cabine fez os comerciais da rádio local”, diz.  A estratégia deu certo. A seu lado, na transmissão da Rádio Difusão, estiveram o comentarista Idylio Badalotti, já falecido, e o repórter Francisco Dias. 

Tempos depois, Appio foi contratado pela Rádio Farroupilha, que também era dos Diários Associados. Lá, ele mudou de nome artístico após um acerto com os coordenadores Ari dos Santos e Batista Filho. “Passei a usar o segundo nome Francisco, com qual tive o privilégio de trabalhar em várias emissoras”. Ingressou na carreira política e foi deputado estadual do Rio Grande do Sul em várias legistaturas.  Appio hoje está com 72 anos. Ouça abaixo sua narração para o gol 1040, de Pelé.

 

 

Falta de dentista fez Juçara Carioca começar sua carreira no rádio

Por Rodney Brocanelli

Paulo Lopes foi quem deu a primeira oportunidade para Juçara Carioca trabalhar em rádio. E foi bem por acaso. Ela tinha uma consulta no dentista, mas o profissional que iria atendê-la faltou. Sem ter o que fazer naquele momento, e com uma baita dor de dente, Juju foi até a antiga sede da Super Rádio Tupi. No momento em que estava lá, Lopes perguntou quem gostaria de pedir uma música. Ela logo se prontificou e foi gravar com a produção. A música escolhida foi Detalhes, de Roberto Carlos. Sua voz agradou tanto que Lopes resolveu oferecer um estágio a ela, que estava com uma semana de aula na faculdade. Uma vez na emissora,  iniciou na editoria de Geral, entrevistando autoridades e logo foi deslocada para a cobertura policial, onde se destacou. 

Juçara contou essa e outras histórias em uma entrevista concedida ao canal de Diana Rogers, no You Tube, publicada em setembro de 2017 (veja abaixo). Ela morreu na última quinta-feira (22) vítima de um câncer no pulmão. O sepultamento aconteceu no dia seguinte (23) no Cemitério do Cacuía, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, com a presença da familiares e colegas da Tupi. Tinha 64 anos. Nos últimos anos, fazia parte da equipe do Show do Antonio Carlos, entrando no ar com notícias sobre o mundo artístico.

 

 

 

 

O rádio se faz presente no dia-a-dia das pessoas, é verdade. E onde estão os anunciantes?

Por Rodney Brocanelli

Flavio Ricco, colunista do portal R7, trouxe neste último domingo (11) importantes informações sobre a presença do rádio na vida das pessoas. Em resumo, ele cita um estudo do Kantar Ibope Media sobre consumo de rádio. A pesquisa realizada entre os meses de abril e junho conclui que “78% da população em 13 regiões metropolitanas, ouvem rádio. Três a cada cinco pessoas escutam todos os dias, e cada uma, em média, 4h41”.

Além dos dados, Ricco destaca a transformação do meio rádio ao longo destes últimos anos “o fato é que pela sua versatilidade, o conteúdo em áudio tem, agora, várias formas de disseminação. O rádio, por exemplo, está presente há quase 100 anos no dia a dia dos brasileiros e não dá sinais de perder sua força e relevância. Acompanha a evolução”.

Outro ponto sobre o qual o jornalista se debruça é a capacidade do veículo ajudar em iniciativas educacionais, além de expandir a fronteira do aparelho de rádio: “ao longo de 2020, inclusive, o meio também se adaptou e se inseriu em um novo contexto, devido à pandemia. Marcou presença nas chamadas lives, diversificou a programação, foi parceiro de prefeituras e governos, transmitindo, ao vivo, parte do currículo escolar para que estudantes não perdessem o ano letivo. Indiscutível a sua relevância”.

Nada a opor aos fatos e argumentos apresentados no texto. No entanto, deixo aqui um outro aspecto para análise geral com base em uma pergunta: onde estão os grandes anunciantes que não enxergam todas essas vantagens do rádio?

Desde antes da pandemia, nota-se a ausência dos anunciantes de peso no rádio: grandes bancos, grandes fabricantes de eletroeletrônicos, grandes empresas alimentícias, etc.

Em entrevista recente ao perfil da Uninarra (Universdade dos Narradores) no YouTube, o narrador José Silvério, reparou nisto também. Falando sobre o seu universo, o do rádio esportivo, ele disse que a usual prática de se transmitir os jogos de futebol dos estúdios, e não dos estádios, afugentou os grandes patrocinadores. No lugar deles, entram outros, que não podem pagar o que os de maior porte pagavam. “Isso significa que o rádio não está faturando nada”, disse (veja mais aqui).

Vale destacar que o caso das jornadas esportivas é muito particular, mas os grandes anunciantes fugiram de outros espaços também, incluindo aí os jornalísticos.

Outro exemplo: uma grande emissora de rádio lançou um importante programa de entrevistas com transmissão simultânea no rádio e em outras plataformas populares da Internet, como Facebook e no YouTube. Com poucas semanas de vida, já levou ao ar a palavra de importantes nomes da política nacional e jornalistas com grande bagagem para sabatiná-los. Entretanto, durante os intervalos, apenas chamadas institucionais. E olha que o alcance de público não foi pequeno, como é possível aferir pelo número de vizualizações na Internet.

No rádio popular a situação não é muito diferente. A emissora de um importante comunicador e empresário, recém-lançada em São Paulo, tem como principal anunciante uma marca de café a qual ele empresta um de seus bordões. Não fosse por isso, talvez não houvesse café no bule das outras emissoras.

Além desses, existem outros exemplos. O rádio tem feito a sua parte e tem se inserido mais na vida das pessoas. Entretanto, para que o veículo possa dar sequência a isso, ele precisa do retorno do mercado publicitário. É perfeitamente compreensível que neste momento de pandemia, exista receio de se investir.

É sabido que existe um preconceito histórico das agências de publicidade com o rádio. Vários de seus departamentos, especialmente o de criação, preferem mais criar peças ou campanhas para outros veículos. Algo que não deixa de ser estranho, uma vez que é muito mais barato bolar anúncios específicos para o rádio que para meios, digamos visuais. E para as rádios que veiculam parte de suas programações em vídeo, basta usar o mesmo vídeo usado na tevê/cinema/YouTube.

Espera-se que no período pós-pandemia as coisas mudem, deixando de lado preconceitos relacionados à veiculação de campanhas no meio. O rádio agradece.

Leia no link abaixo, o texto de Flavio Ricco

https://entretenimento.r7.com/prisma/flavio-ricco/o-radio-sempre-se-fara-presente-no-nosso-dia-a-dia-11102020

 

 

 

Arquivo Guaíba relembra Pedro Carneiro Pereira

Por Rodney Brocanelli

Neste sábado (10), o programa Arquivo Guaíba relembrou um dos profissionais mais importantes da história da Rádio Guaíba: o narrador Pedro Carneiro Pereira. A atração veiculou três registros de seus arquivos para destacá-lo. Um deles é o registro do acidente que tirou sua vida, em 21 de outubro de 1973. Paralelamente às suas atividades como comunicador, Pedro foi piloto de competição, participando de provas automobilísticas de forma mais regular a partir do ano de 1968.

Pedrinho, como era conhecido, foi disputar a quarta etapa do Campeonato Gaúcho de Turismo, no autódromo de Tarumã. Durante a corrida, ele se envolveu em um acidente com Ivã Iglesias. Depois do choque, os carros capotaram e se incendiaram logo em seguida. Infelizmente, não houve possibilidade para ambos escaparem com vida.

Essa prova teve cobertura da Rádio Guaíba. O repórter Clóvis Resende entrou no ar durante o pré-jogo da partida Internacional x São Paulo, válida pelo campeonato brasileiro de 1973 e, abalado, deu a notícia do acidente, ainda sem a possibilidade de identificar os envolvidos. Pouco tempo depois, o plantão esportivo Antônio Augusto dava a triste notícia: “Atenção. A Rádio Guaíba lamenta informar que hoje a tarde, quando se realizava a primeira bateria da prova para carros de turismo, ocorreu um sério acidente envolvendo dois carros. Do acidente, resultam mortos os pilotos Nelson Iglesias e Pedro Carneiro Pereira, titular de esportes da Rádio Guaíba”.

Embora a nota da Guaíba tenha informado Nelson Iglesias, o nome da outra vítima da tragédia era Ivã Iglesias Veiga.

Armindo Antonio Ranzolin, que narrava a partida, impactado pela notícia, informou aos ouvintes que não haveria a menor condição para seguir com a jornada esportiva daquele dia, que ainda previa a transmissão do jogo entre Desportiva (ES) x Grêmio. A partir de então, foi rodada uma programação musical, entremeada com algumas informações que chegavam de Tarumã, divulgada também por profissionais dos impressos da Empresa Caldas Júnior. Todos esses registros estão nesta edição do Arquivo Guaíba.

O programa também divulgou dos registros de Pedro Carneiro Pereira como narrador. O primeiro deles é a cobertura do GP Brasil de Fórmula 1 de 1973, disputado no mês de fevereiro no autódromo de Interlagos. Foi a primeira prova oficial da categoria máxima do automobilismo mundial por aqui. Pedrinho teve a companhia de Armindo Ranzloin e João Carlos Belmonte. A prova foi vencida por Émerson Fittipaldi.

Além disso, o programa veiculou o compacto da partida entre Grêmio x Remo, disputada em 14 de outubro de 1973, válida também pelo Brasileirão daquele ano. O tricolor saiu com a vitória pelo placar de 3 a 0, embora apenas os dois primeiros gols foram veiculados. Foi a última partida narrada por Pedro Carneiro Pereira pela Rádio Guaíba. Além dele, estiveram nesta transmissão o comentarista Lauro Quadros e os repórteres João Carlos Belmonte e Lupi Martins. Ouça no player abaixo.

O Arquivo Guaíba tem apresentação de Luis Magno.

 

Memória: a medalha de ouro de Joaquim Cruz em 1984 e o registro da cobertura de Orlando Duarte

Por Rodney Brocanelli

Em 1984, Joaquim Cruz era uma das esperanças de medalha para a delegação do Brasil nos Jogos Olímpicos disputados na cidade de Los Angeles (EUA). Uma de suas especialidades era a prova dos 800m, uma das provas de fundo mais tradicionais do atletismo. Um terceiro lugar no mundial sediado em Helsinki (FIN) no ano anterior fez com que seu nome passasse a ser acompanhado com mais atenção pela mídia brasileira e internacional. Em LA, ele tinha como adversários nomes de destaque como Sebastian Coe e Steve Owett, ambos ingleses e que vinham de uma sensacional disputa nos Jogos de Moscou, em 1980 (leia aqui).

Para a cobertura dos Jogos de LA, a Rádio Jovem Pan, de São Paulo, destacou Orlando Duarte, um dos principais nomes do departamento de esportes da emissora, com larga experiência em coberturas internacionais.  No dia 6 de agosto, data da grande final dos 800m, lá estava ele para cobrir a grande final. Joaquim Cruz conseguiu garantir seu lugar nela, após passar por três provas eliminatórias.

Cruz venceu a disputa e conquistou a medalha de ouro com o tempo de 1min43s00, recorde olímpico na ocasião. Era a primeira vez que um brasileiro conquistava o pódio olímpico em provas de corrida. Desde o bicampeonato de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo nos Jogos de Helsinque 1952 e de Melbourne 1956, o Brasil não havia obtido um resultado de destaque no atletismo nas competições que se seguiram.

No player abaixo, é possível reviver trechos desta cobertura de Orlando Duarte. Primeiramente, ele faz uma breve descrição da cerimônia de premiação após a final dos 800m. Uma narração sóbria e informativa, privilegiando os sons, especialmente a execução do Hino Nacional Brasileiro. Depois, a gravação passa para alguns trechos de uma concorrida entrevista coletiva de Joaquim Cruz. O corredor teve de responder as perguntas em inglês e português. “O povo tem que apoiar mais o esporte amador”, disse na ocasião. Orlando participa perguntando se o fato de ter sido “prensado” pelos adversários tenha impedido um tempo maior.

Joaquim Cruz hoje está radicado nos EUA, país para onde mudou ainda quando era atleta. Mora na cidade de San Diego. Segue trabalhando com atletismo e e foi o técnico da equipe de atletismo norte-americana em duas competições: os Jogos Parapan-americanos de 2007 no Rio de Janeiro e os Jogos Paraolímpicos de 2008 em Pequim.

Aos 88 anos, Orlando Duarte está aposentado. Conforme reportagem publicada pelo UOL em 2019, após ser diagnosticado com o mal de Alzheimer, ele tem enfrentado a “batalha pela vida” (leia aqui).

Morre Alfredo Raymundo

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta última quinta (27) o radialista Alfredo Raymundo. Ele estava internado em um hospital de Niterói desde 3 de agosto. Teve um infarto agudo do miocárdio na UTI e não resistiu. Tinha 87 anos. Informações sobre velório e enterro não foram divulgadas até o momento da publicação deste post.

Foi um dos nomes mais proeminentes do rádio do Rio de Janeiro. Começou como repórter esportivo, em Petrópolis, na Rádio Difusora. Em 1959, se transferiu para a Rádio Globo, atuando na mesma função. Pouco anos depois, migrou para a antiga Rádio Guanabara, integrando a equipe esportiva.

Raymundo teve cargos de gestão em diversas rádios pelo país:  Rádio Imperial, de Petrópolis,  Rádio Tiradentes (depois Globo) de Belo Horizonte e  Rádio Farroupilha, de Porto Alegre. Nos Diários Associados, ocupou os cargos de diretor administrativo e financeiro das Rádios Tupi e Tamoio do Rio de Janeiro. Na Tupi, entre idas e vindas, foi contratado como diretor-geral, e se transformou em  condômino dos Diários Associados, na década de 1990.

Em 2013, ele concedeu uma longa entrevista ao site Mídia de Verdade na qual falou sobre diversos aspectos de sua carreira. Veja abaixo.