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Archive for the ‘Memória’ Category

Morre Paulo Sant’Ana

Por Rodney Brocanelli

Morreu na noite desta quarta-feira, aos 78 anos  Paulo Sant’Ana, um dos jornalistas e radialistas mais populares da cidade de Porto Alegre. A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. Ele estava afastado de suas atividades no Grupo RBS havia pouco mais de dois anos devido a uma doença chamada demência vascular. Desde o diagnóstico, ele esteve sob cuidados médicos em sua residência.

Paulo Sant’Ana foi um dos pilares do sucesso do programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha. A atração criada por Cândido Norberto em 1971 tinha como base entrevistas com redatores e editores do jornal Zero Hora que falavam sobre o noticiário geral do dia. Sant’Ana já era conhecido por ser torcedor do Grêmio e por vezes era convidado a falar do seu time no programa. Suas intervenções causaram grande repercussão. A RBS resolveu dar a ele um contrato para ser debatedor fixo da atração. De quebra, ganhou uma coluna no Zero Hora. Para o Sala de Redação não pender tanto para o lado do Grêmio, a direção resolveu também instituir um comentarista que falasse de seu principal rival, o Internacional. A partir de então, o Sala passou a ser um programa eminentemente sobre futebol.

Em Zero Hora, Sant’Ana escrevia apenas sobre futebol ou sobre o Grêmio. Com o tempo, passou a ser um cronista do cotidiano, ou generalista, como os gaúchos definiam. Nos últimos tempos, tinha um blog pendurado no site do jornal.

O velório de Paulo Sant’Ana será realizado na Arena do Grêmio, logo mais, a partir das 8h30. Depois, enterro às 17h no Cemitério João XXIII, o mesmo onde está sepultado o Everaldo, campeão mundial pela Seleção em 70 e que simboliza a estrela no distintivo do Grêmio.

Paulo Santana

Memória: a Copa de 2002 nas ondas do rádio

30/06/2017 1 comentário

Por Rodney Brocanelli

-A Copa Japão/Coreia de 2002 foi a primeira cuja revenda dos direitos de transmissão ficou a cargo do Grupo Globo. Com isso, muitas emissoras de rádio optaram por não transmitir aquela competição. O valor  (US$ 25 mil) foi  considerado caro demais na ocasião. Segundo a Folha de S. Paulo, apenas 12 rádios toparam desembolsar a quantia pedida. Com isso, a Jovem Pan resolveu fazer uma cobertura alternativa. Ela contratou grandes nomes do futebol (Luxemburgo, Leão, Zagallo, Candinho, Romário, entre outros) para comentar os jogos do Brasil durante o seu desenrolar. Globo e Bandeirantes até chiaram. A segunda colocou seu departamento jurídico de prontidão, segundo a Folha, para tomar qualquer providência se houvesse uma “transmissão mascarada”. Um anúncio foi até publicado pela Band nos jornais: “Atenção. Aviso ao público: faça como as rádios que não compraram e não pagaram os direitos de transmissão da Copa do Mundo. Ouça os jogos pela Bandeirantes”. Em outra frente, a Pan enviou Wanderley Nogueira para a cobertura do dia-a-dia da seleção. O repórter tinha prioridade total para entrar na programação da emissora. O detalhe: Wanderley não tinha credencial. Isso não chegou a ser um impedimento e o fator sorte contou muito. A seleção brasileira não se hospedou no hotel determinado pela Fifa. A delegação se mudou justamente para o local onde estava hospedado Wanderley. Além disso, os jogadores fizeram seus treinos em locais que não foram indicados pela Federação. Outro ponto que facilitou o trabalho do repórter. Além disso, a cumplicidade dos atletas com Wanderley ajudou bastante. Cafu e Émerson chegaram a ir até o quarto do repórter para conceder entrevistas.

-José Silvério estava na Rádio Bandeirantes havia quase dois anos. Foi sua primeira Copa como titular na emissora. Na época, algo que chamou a atenção foi o fato de que as narrações de Silvério chegavam bem antes dos gols da seleção brasileira na televisão. Isso contou muitos pontos a favor do locutor, que ganhou a admiração de muitos ouvintes por “antever” um gol de Ronaldo ou Rivaldo. A explicação para o fenômeno é bem simples. Tanto a Rádio Bandeirantes como a TV Globo usaram o satélite para as suas transmissões. Porém, o sinal da Globo chegava frações de segundo mais atrasadas por estarem juntos som e imagem. Para a Bandeirantes, só chegava o áudio, por isso a não demora na entrega. Vale lembrar que estamos falando de tv aberta. O Sportv transmitiu também aquela Copa, mas a tv por assinatura ainda não era tão popularizada no país. José Silvério fez narrações memoráveis dos jogos do Brasil. O gol de Ronaldinho contra a Inglaterra ganhou a melhor descrição possível: “ele enganoooou o muunnnndo”. Dunga foi um dos comentaristas daquela Copa na Bandeirantes. O ex-jogador e técnico (ou ex, quem sabe) esteve ao lado de Silvério nos jogos disputados na Coreia (onde o Brasil ficou na primeira fase) e no Japão. Roberto Avallone, do Brasil, também participou daquelas transmissões. Os repórteres eram Leandro Quessada e Eduardo Castro. Curiosidade: as chamadas do evento na emissora tiveram a voz do ator e dublador Francisco Milani (quem aí lembra do Seu Saraiva, do antigo Zorra Total?)

-O Sistema Globo de Rádio decidiu economizar no que diz respeito aos direitos de transmissão da Copa de 2002 e decidiu formar uma equipe só para a cobertura do evento. Antes, as rádios do Rio e de São Paulo tinham autonomia para fazer cada uma as suas transmissões. Além disso, estava em prática o projeto de rede da emissora, que naufragou tempos depois. José Carlos Araújo, então na Globo carioca, foi a voz dos jogos do Brasil para todas as emissoras da rede, incluindo São Paulo. E profissionais das emissoras de todas as praças foram unidos para a transmissão dos outros jogos (offtube ou geladão). Um exemplo: a partida entre China e Costa Rica (adversários do do mesmo grupo do Brasil) foi transmitida pelo Edson Mauro e Rui Fernando, dos estúdios no Rio, Luiz Augusto Maltoni e Osmar Garrafa, de São Paulo. O Mauro foi o narrador, com o Maltoni comentando e a dupla Guilherme/Garrafa como os pontas/metas/goleira. A CBN optou por fazer o mesmo tipo de cobertura da Jovem Pan.

-Na Grande São Paulo, as rádios América e Difusora, esta de Osasco, também irradiaram a Copa de 2002. A primeira entrou em rede com a Rádio K do Brasil, na época de propriedade de Jorge Kajuru. A segunda entrou em cadeia com a Rádio Sociedade, de Salvador. A Itatiaia, de Belo Horizonte, Guaíba e Gaúcha, de Porto Alegre marcaram presença. Uma outra rádio de Porto Alegre também esteve presente: a Rádio Pampa. Do Paraná, a única que esteve presente foi a Rádio Paiquerê, de Londrina, como bem lembra Edu Cesar.

Vamos a alguns registros sonoros:

Ronaldo marca o primeiro gol do Brasil na grande final. José Silvério narrou na Rádio Bandeirantes.

Silvério narra o segundo gol de Ronaldo.

Abaixo, é possível ouvir os gols da final entre Brasil x Alemanha com a narração de Haroldo de Souza, então pela Rádio Guaíba.

Ouça o gol de Ronaldo (o segundo daquela decisão) narrado por Willy Gonser, da Rádio Itatiaia.

Memória: Jorge Helal lê texto anunciando saída de Hélio Ribeiro da Rádio Globo

28/06/2017 2 comentários

Por Rodney Brocanelli

Durante quase todo o ano de 1995, Hélio Ribeiro ocupou um dos horários mais nobres da Rádio Globo (SP): o do meio dia e meia até as 15h. Um pouco antes, Eli Corrêa havia decidido voltar para a Rádio Record. O então coordenador artístico da emissora, Pedro Villela tinha um cartão de visitas deixado pelo comunicador numa visita anterior e decidiu entrar em contato. A negociação não foi fácil, mas as partes chegaram a um acordo.

No entanto, a passagem de Hélio pela Globo não foi o que se pode chamar de um mar de rosas. Segundo Pedro Villela em um texto divulgado há alguns anos, ele despertou a ciumeira de outros comunicadores da casa, em especial o que o antecedia no horário. No entanto, um episódio foi determinante para a saída de Hélio. Um ex-governador de São Paulo e que se elegeu deputado federal por vários mandatos resolveu (figura constante nos debates do programa que antecedia O Poder da Mensagem) visitar Hélio no estúdio. Como escreveu Pedro Villela (leia no link abaixo), Hélio foi ao chão.

A Globo até que deu uma despedida digna à Hélio Ribeiro. Um texto de aproximadamente três minutos foi lido pelo locutor Jorge Helal, na época voz padrão da emissora. Com o passar dos anos, este registro ganhou outra dimensão. Hélio Ribeiro não voltou mais ao rádio depois dessa passagem pela Globo, não ao menos comandando programa diário. Ele morreria em 6 de agosto do ano 2000. Sem imaginar, Helal era porta voz da despedida do veículo à Hélio Ribeiro. Áudio extraído dos arquivos de Johnny Black, que estão disponíveis na Internet. Ouça no player abaixo.

E no link abaixo, é possível ler o texto de Pedro Villela, em que ele fala sobre a passagem meteórica de Hélio Ribeiro pela Rádio Globo.

https://radiobaseurgente.blogspot.com.br/2004/02/aos-milhares-de-fs-do-hlio-ribeiro.html

Didático, Kid Vinil deixou sua marca no rádio

19/05/2017 4 comentários

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta sexta-feira, o músico, radialista e apresentador Kid Vinil. No dia 19 de abril, ele passou mal em uma apresentação na cidade de Conselheiro Lafaiete (MG). Foi internado em um hospital municipal e depois transferido para São Paulo e foi direto para o hospital TotalCor. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Como músico, ele fez parte das bandas Verminose, Magazine, entre outras. Com esta última, conseguiu sucesso comercial na explosão do rock nacional dos anos 1980. Apesar dos hits  “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso”, Kid não chegou a entrar para o panteão dos nomes clássicos daquela geração, como Renato Russo, Herbert Vianna, entre outros. No entanto, foi no rádio onde ele conseguiu deixar a sua marca, influenciando uma grande parcela de ouvintes. Para isso, o apresentador se valeu de uma fórmula simples: ele procurava ser sempre didático. Sem enrolar muito, Kid informava ao ouvinte sobre a música ou banda que iria tocar.

No começo dos anos 1980, ele teve um programa na Rádio Excelsior FM (hoje CBN) chamado “Programa do Kid Vinil”. Em seguida, na mesma emissora,  fez uma parceria com Leopoldo Rey para comandar o “Rock Sandwich”. Naquela época, a Excelsior tinha como diretor Maurício Kubrusly.

Antes do estouro com o Magazine, Kid passou pela Antena 1 FM, que era bem diferente daquela que está hoje no ar. Em 1986, voltou ao rádio, comandando um programa semanal na 89 FM. No começo da década de 1990, apresentou na Brasil 2000, ao lado de Mauro Beting, o semanal Digital Sessions. Era uma verdadeira anarquia, no bom sentido.

Talvez o grande momento de Kid Vinil no rádio começou na 97 FM, por volta do ano de 1993, quando comandou o diário “Patrulha Noturna”. Ele tinha quatro horas livres, ao vivo, a partir das 22h, para tocar aquilo que quisesse. Perdi a conta de quantas madrugadas eu ficava colado no meu aparelho de som, ouvindo a seleção musical de Kid, nem que isso significasse pouquíssimas horas de sono. O duro era levantar cedo para ir à aula, mas valia a pena. Naquela época, Kid começou a tocar bandas que que seriam muito reconhecidas no cenário internacional. Uma delas era simplesmente o Oasis.

Em dezembro de 1994, a 97 FM abandonou o rock e se transformou em uma rádio de música eletrônica. Na época, o então diretor Lélio Teixeira (ele mesmo) disse à Folha de S. Paulo que o estilo não era mais viável comercialmente. Kid falou sobre isso numa entrevista à Rádio Onze, uma rádio livre ligada ao Centro Acadêmico da Faculdade de Direito-USP: “As pessoas querem que a coisa dê dinheiro, querem faturar e não sabem o que fazer. Na 97 FM aconteceu isso. Eles querem faturar, no entanto, ainda não conseguiram com o poperô. Acho que deveriam mudar para samba ou sertanejo. Se eles querem ganhar dinheiro, tem que ser com uma coisa bem brega mesmo, porque o popular é que dá dinheiro”. Vale lembrar que em 1999, a emissora adotou uma linha mais popular, ainda que por pouco tempo.

Kid não ficou muito tempo fora do ar e se transferiu para a Brasil 2000 no começo de 1995. Foi nela que ele passou a falar de uma banda que estava com uma grande repercussão na Inglaterra, comandada por uma vocalista de origem brasileira: o Drugstore, de Isabel Monteiro. Nesse período, ele passou a ter uma visão bem critica dos ouvintes de rock: “Quem gosta de rock eh um público pequeno, isso o rock de verdade. Tem cara que prefere comprar o disco para ouvir em casa a ouvir radio, eu conheço muitas pessoas que fazem isso e não estão nem aí para o fato de ter rádio tocando ou não. O público de rock é complicado de se trabalhar. Eu vejo pela Brasil 2000. A gente tem um número de ouvintes limitado. É uma coisa muito dirigida, quem gosta de rock é um outro publico. As pessoas que ouvem essas rádios mais populares gostam de qualquer coisa, não tem um gosto especifico”, disse ele em entrevista à Rádio Onze.

Depois de uma nova passagem pela 89 FM, em 1996, Kid foi para a então novata Mix FM no ano seguinte. Ela ainda não tinha se transformado em uma rádio pop e o apresentador tinha um programa de segunda a sexta entre 21h e 01h. Aqui, ele já não tinha tanta liberdade. Apenas no período da meia noite à uma da manhã havia espaço para uma programação mais pessoal, além de atender a pedidos dos ouvintes que chegavam via fax.

Entre 2001 e 2003, Kid Vinil teve uma experiência radiofônica do outro lado do balcão: ele dirigiu a Brasil 2000, mas devido a problemas internos, essa passagem não foi muito feliz. Ao site Rock em Geral, ele disse: “Uma das diretoras me chamou para ser o coordenador geral da rádio, e eu achei legal, ia ter toda a liberdade. Só que a rádio não dependia só dessa pessoa que me chamou, ela pertence a uma universidade e havia outras irmãs que ficam dando palpite. Cada uma gosta de uma coisa. Uma delas gostava de world music; a outra, de pop descartável. E, outra, que foi a que me chamou, mais de alternativo. E tinha um sobrinho que ficava minando o meu trabalho, querendo o meu lugar – e acabou conseguindo. Eles queriam que a rádio fosse da família, e acabou sendo, só que a família não conhece nada de música. Tiveram a oportunidade de ter credibilidade, mas minaram o meu trabalho. No primeiro ano deu certo, no segundo, quando eu comecei a ser afastado, a coisa degringolou”.  Mesmo com tantos problemas, ele não deixou de fazer a sua autocrítica: “Hoje eu faria diferente. Na época, peguei pesado na coisa e fazer uma rádio alternativa. Muita gente até me criticou por isso. Deixei a rádio muito alternativa, fui com sede ao pote. Hoje eu faria uma coisa mais equilibrada, colocaria sucessos, clássicos do rock e as coisas mais alternativas, não seria tão lado B”. Uma pena que não foi possível nomear os personagens citados.

Nos últimos tempos, Kid se dividiu entre a web rádio da Brasil 2000, até ela ser extinta, e a 89 FM, emissora onde tinha um programa semanal.

Para encerrar, deixo aqui uma lembrança inusitada de sua passagem pela Mix FM. Em uma bela noite, o áudio de um programa da Igreja Universal passou a vazar no ar. A reação de Kid Vinil foi impagável.

KidVinil

Memória: ouça os gols de Brasil 2 x 1 Portugal, de 1962, com a narração de Edson Leite

09/05/2017 2 comentários

Por Rodney Brocanelli

Em maio de 1962, a seleção brasileira de futebol fez uma série de amistosos como parte da sua preparação para a Copa do Mundo que seria disputada no Chile. Entre eles duas partidas contra a seleção portuguesa. Uma delas, a que vamos destacar aqui, aconteceu no estádio do Pacaembu (a outra seria no Maracanã), no dia 6, um domingo. Pelo Brasil, atuaram nomes como Pelé, Garrincha e Didi. Por outro lado, Portugal tinha jogadores que iriam disputar a Copa de 1966 como Eusébio e Coluna. Os portugueses saíram na frente com um gol  de Coluna, em chute de média distância. O Brasil empatou ainda no primeiro tempo, com  um gol de Vavá, após uma bela jogada combinada pela direita entre Pelé e Garrrincha. No segundo tempo, o gol de desempate, com Zequinha, após tabelar com Pelé na entrada da área.

Edson Leite narrou essa partida pela Rádio Bandeirantes. Ouça no player abaixo. Observação: a filmagem original foi da TV Tupi. Interessante notar como os ângulos das câmeras eram bem diferente do que se vê hoje em dia. Uma delas foi posicionada quase atrás do gol do portão principal. O áudio foi extraído dos arquivos de Edleuza Soares.

pelé

Fiori Gigliotti e outros nomes históricos são esquecidos em reportagem dos 80 anos da Rádio Bandeirantes

08/05/2017 4 comentários

Por Rodney Brocanelli

No último sábado, o Jornal da Band exibiu uma longa reportagem sobre os 80 anos de inauguração da Rádio Bandeirantes. No começo, é promovido um encontro de um ouvinte tradicional da emissora com um dos astros da casa: José Paulo de Andrade. Na seqüência, foi destacado o Cedom – Centro de Documentação – na figura de Milton Parron, seu atual comandante. Em seguida, outro ouvinte foi destacado, desta vez para fazer uma conexão com as coberturas esportivas da emissora. Nomes históricos, como o do repórter Tico Tico e do apresentador Vicente Leporace foram lembrados. Nos pouco mais de três minutos seguintes o reporter Sergio Gabriel falou sobre a televisão e a atuação do grupo na Internet.

 

No entanto, a ausência de um nome causou estranheza: Fiori Gigliotti. O narrador esportivo dedicou cerca de 39 anos de sua carreira à emissora. Ele teve duas passagens pela emissora. A partir de 1963, ele seria titular do departamento esportivo, mantendo a Bandeirantes na briga pelas primeiras colocações da audiência esportiva.

Pelo Facebook, Marcelo Gigliotti, um dos filhos do narrador, manifestou sua estranheza com a ausência de Fiori nesta reportagem: “Que pena!!!”, escreveu.

Outras duas ausências foram sentidas na reportagem que durou mais de dez minutos. Uma delas é a de Hélio Ribeiro, que por muitos anos foi diretor artístico da Bandeirantes e lá apresentando o “Poder da Mensagem”, programa de grande prestígio e repercussão nos anos 1970. A outra é de José Silvério, que dá nome atualmente à equipe esportiva da emissora. Veja o vídeo abaixo.

fiori

 

O melhor dos 100 anos do derby paulista nas ondas do rádio

Por Rodney Brocanelli, atendendo a uma sugestão de Edu Cesar, do Papo de Bola

No dia 5 de maio de 1917,  portanto há 100 anos, Palestra Itália x Corinthians disputaram o primeiro jogo do derby paulista. Muitos dos que estiveram em campo talvez não tivessem ideia de que estariam iniciando uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. Naquele primeiro confronto, o vencedor foi o Palestra (jogando em casa), pelo placar de 3 a 0. A única mudança considerável de lá pra cá foi a mudança de nome do Palestra, que passou a se chamar Palmeiras. Ainda assim, o antagonismo entre as duas agremiações se manteve intacto.

O rádio somente chegaria ao Brasil de forma oficial em 1922. As primeiras transmissões de futebol aconteceram a partir de 1931. Dessa forma, os primeiros anos da rivalidade não foram contados pelo rádio. No entanto, o veículo esteve presente no registro de vários capítulos históricos de sua história recente. Separamos alguns deles aqui neste post.

1966 – Garrincha Garrincha perde pênalti em um Corinthians x Palmeiras

No primeiro semestre de 1966, o jogador Garrincha teve uma breve passagem pelo Corinthians. Ele estava com 32 anos e já não mostrava mais o futebol que encantou o planeta nas Copas vencidas pelo Brasil em 1958 e 1962 e também pelo Botafogo. Entretanto, não deixava de ser uma atração. No dia 21 de março daquele ano, o Corinthians enfrentou o Palmeiras em partida válida pelo torneio Rio-São Paulo. Aos 43 minutos do segundo tempo, o Verdão vencia pelo placar de 2 a 1 até que foi marcado um pênalti para o Timão. Garrincha ficou encarregado da cobrança. O goleiro Valdir Joaquim de Moraes defendeu, garantindo a vitória para seu time. Ouça o registro desse momento na narração de Fiori Gigliotti e com reportagens de José Paulo de Andrade, pela Rádio Bandeirantes.

1971 – A virada histórica do Corinhians

Um dos maiores jogos da história do derby, segundo os corintianos. A equipe alvinegra terminou o primeiro tempo em desvantagem no placar: 2 a 0. O Palmeiras tinha em seu elenco nomes como Leivinha, Luis Pereira e Leão, a segunda academia. Na segunda etapa, Adãozinho fez uma partidaça e comandou a virada. Mirandinha também foi muito importante para o resultado, marcando dois gols. Ouça a narração de Joseval Peixoto, na Rádio Jovem Pan.

1974 – Palmeiras conquista título e deixa rival na fila

Depois de conquistar o campeonato paulista de 1954, o Corinthians entrou em um período sem levantar torneios oficiais (poucos se lembram – ou talvez não levem em consideração de propósito – o Rio-São Paulo de 1966, no qual o alvinegro foi declarado campeão ao lado Santos, Botafogo e Vasco). Quando chegou à final do Paulistão de 1974, a torcida achou que tinha chegado a oportunidade do encerramento daquele incômodo jejum. Entretanto, o Palmeiras não ligou muito para a atmosfera daquela decisão. Sustentou um empate pelo placar de 1 a 1 no primeiro jogo e venceu o segundo por 1 a 0. Ouça a narração de Osmar Santos, então na Rádio Jovem Pan.

1979 – Corinthians desbanca o Palmeiras favorito de Telê

Naquele ano, o Palmeiras era favorito para a conquista das competições mais importantes da época. Apesar do belo trabalho do técnico Telê Santana, o time foi eliminado do Brasileirão daquele ano ao cair diante do Internacional. Sobrava o campeonato paulista, no qual o time também foi muito bem. Entretanto, graças a uma manobra de bastidor, as suas fases decisivas foram disputada em janeiro de 1980. Muitos apontam que a paralisação favoreceu mais ao Corinthians. Na semifinal, Biro- Biro fez o gol que colocou seu time na grande final. Ouça a narração de José Silvério, na Rádio Jovem Pan (note que Silvério e Wanderley Nogueira não se entendem sobre o autor do gol. No final, Wanderley estava certo).

1982 – A goleada alvinegra

Essa partida entrou para a história do derby graças ao placar final. O time da Democracia Corintiana aplicava uma goleada sobre seu maior rival. A partida se encaminhava para um empate em 1 a 1. No entanto, na parte final do segundo tempo, o Corinthians impôs seu bom futebol e Casagrande foi o autor de três gols. Ouça a narração de José Silvério, pela Rádio Jovem Pan.

1983 – Mais uma vitória corintiana em semifinal

Pelo campeonato paulista, mais um derby em semifinal. Mais uma vitória do Corinthians. Esse foi o famoso confronto em que Márcio, do Palmeiras, fez marcação pessoal em Sócrates. Não houve sucesso. O Magrão fez o gol na partida. Ouça a narração de Osmar Santos, agora na Rádio Globo.

1986 – Palmeiras devolve os 5 a 1

Outra partida que entrou para a história devido ao resultado final. Com uma atuação excepcional do atacante Edmar, o Palmeiras devolveu o placar de 1982. Casagrande, o carrasco de 1982, fez o gol de honra. Ouça a narração de José Silvério, pela Rádio Jovem Pan.

1986 – O troco palmeirense em semifinal

Depois de devolver a goleada, o Palmeiras conseguiria outro feito ao vencer o rival na semifinal do campeonato paulista. Desta vez, Mirandinha estava em noite de gala e fez o gol que levou a partida para a prorrogação. No tempo extra, Éder fez um gol olímpico que sacramentou a passagem para a final.

1993 – Palmeiras sai da fila em vitória sobre o Corinthians

O tempo passou, o mundo girou e desta vez quem estava na fila era o Palmeiras. Graças a uma parceria com a Parmalat, o alviverde montou um time com reforços de peso. Na primeira tentativa, em 1992, derrota para o São Paulo. No entanto, Evair e seus companheiros não deixariam escapar a segunda chance. Ouça o gol de pênalti marcado pelo camisa 9 palmeirense com a narração de Oscar Ulisses, da Rádio Globo.

1994 – Decisão em nível nacional

Depois de muitos anos decidindo títulos em âmbito estadual, chegou a vez de um confronto por um título nacional. Na verdade, esse duelo era para ter acontecido no ano anterior, mas o Corinthians caiu diante do Vitória. No ano seguinte, chegou a vez da decisão tão esperada. No primeiro jogo, triunfo palmeirense no Pacaembu. No segundo jogo, no mesmo estádio, o empate que garantiu o título. Narração de Ennio Rodrigues, pela Rádio Gazeta.

1995 – Em Ribeirão Preto, o Corinthians leva o Paulistão

Foram dois jogos fora da cidade de São Paulo. No primeiro, empate pelo placar de 1 a 1. No segundo, o Palmeiras saiu na frente com gol de Nilson. O empate corintiano veio com uma cobrança de de falta bem executada por Marcelinho Carioca. O gol do título veio com um heroi improvável: Elivelton. Ouça seu gol com a narração de José Silvério, na Rádio Jovem Pan.

1999 – O jogo das embaixadinhas

Mais uma decisão de Paulistão reunindo as duas equipes. O Palmeiras estava com a cabeça na Libertadores e já tinha desclassificado o rival na fase do mata-mata. No primeiro jogo, vitória corintiana pelo placar de 3 a 0. Na volta, o Palmeiras até que conseguiu dois gols, marcados por Evair. No final do jogo, a provocação de Edilson, com as embaixadinhas e uma briga quase generalizada. Ouça a narração de José Silvério, ainda na Rádio Jovem Pan.

2000 – O Derby cresce e chega à América

O ponto alto da história do Derby. Um duelo para chegar à final da Copa Libertadores. Dois jogos históricos e com placares elasticos: na ida, vitória corintiana por 4 a 3. Na volta, o Palmeiras venceria pelo placar de 3 a 2 e com um gol heroico de Galeano. A vaga seria disputada nas cobranças dos tiros livres. Marcos ratificaria a imagem de santo milagreiro ao defender a cobrança de Marcelinho Carioca. Ouça a narração de José Silvério, pela Jovem Pan (sim, só dá ele nessa seleção).

2005 – O fator Tevez

Naquele ano, o Corinthians foi o campeão brasileiro, com um super time montado pela MSI. O destaque vai para o argentino Tevez, que fez um belo gol na partida contra o Palmeiras, válida pelo campeonato brasileiro. Narração de José Silvério, agora na Rádio Bandeirantes.

2008 – O chororô de Valdivia

O futebol do atleta chileno deslanchou nesta temporada, com direito a um gol um clássico contra o Corinthians, válido pelo campeonato paulista e comemoração com chororô. Narração de Nilson Cesar, pela Rádio Jovem Pan.

2009 – Ronaldo derruba o alambrado

O primeiro gol de Ronaldo com a camisa do Corinthians foi em um derby disputado em Presidente Prudente, válido pelo campeonato paulista. Diego Souza abriu o placar para o Palmeiras. Porém, em jogada de escanteio, a bola foi para o segundo pau e o Fenômeno subiu para marcar de cabeça. Na festa que se seguiu depois, o atacante subiu no alambrado para comemorar com a torcida. Este não aguentou muito tempo e cedeu.  Um incidente sem gravidade. Ouça a narração de José Silvério, pela Rádio Bandeirantes.

2009 – Obina faz seu hat-trick

Os puristas que me perdoem, mas Obina entrou para a história do clássico ao fazer um hat-trick. O terceiro foi um presentaço de Cleiton Xavier. Ronaldo, não brilhou desta vez, sendo substituído por uma contusão no pulso. O atacante palmeirense ainda faria mais um gol, só que corretamente anulado. Essa partida valeu pelo campeonato brasileiro e foi disputada também na cidade de Presidente Prudente.  Ouça a narração de Oscar Ulisses, pela Rádio Globo.

2011 – Mais uma semifinal

E mais uma decisão nos tiros livres indiretos. João Vitor, do Palmeiras, se transformaria no vilão palmeirense ao ter sua cobrança defendida por Julio Cesar. Ouça José Silvério narrando pela Bandeirantes (obs. o vídeo não está sincronizado com o áudio, mas o registro é que vale).

2014 – A era das arenas

A partir de 2014, começava a era das novas arenas na história do Derby. Após anos atuando em campos neutros (Morumbi e Pacaembu), as duas equipes passaram a mandar os jogos em seus respectivos estádios. No primeiro jogo da Arena Corinthians, vitória do time da casa pelo placar de 2 a 0. Ouça a narração de Oscar Ulisses, da Rádio Globo.

2015 – Vitória na estreia da arena do rival

No ano seguinte, foi a vez do Allianz Parque receber o primeiro derby. E a vitória foi do visitante Corinthians pelo placar de 1 a 0, gol de Danilo. Narração de Sidney Botelho, pela Premium Esportes.

2015 – Deu Palmeiras, nos pênaltis

Em mais uma semifinal de Paulistão, desta vez foi a vez do Palmeiras vencer nos pênaltis o arqui-rival. A partida foi na Arena Corinthians e Fernando Prass começava a cavar um lugar na galeria de ídolos do Verdão. Ouça a narração de Eder Luiz, da Rádio Transamérica.

2016 – Desta vez deu Palmeiras no Allianz

Pelo campeonato brasileiro, o Palmeiras venceu o Corinthians em casa. Gol de Cleiton Xavier. Foi a última partida de Tite pelo Timão. Pouco depois, o técnico aceitaria o chamado para comandar a seleção brasileira. Ouça a narração de Diguinho Coruja pela Rádio Capital.

2016 – A dancinha do Mina

No segundo turno do Brasileirão, nova vitória palmeirense. Destaque para o gol de Yerry Mina, com direito a sua dancinha característica. Este gol elevou o zagueiro colombiano a categoria de ídolo. Não é para menos: naquela temporada, ele fez gols contra os principais rivais do Palmeiras em São Paulo, incluindo o Timão. Narração de Edmar Ferreira, pela Premium Esportes.

2017 – Vitória corintiana e polêmica

O derby que marcou os 100 anos de rivalidade foi marcada pela expulsão injusta do volante Gabriel, que não fez a falta no atacante Keno. O autor da falta foi o zagueiro Pablo. Mesmo com a vantagem númerica, o Palmeiras não conseguiu se impor diante do adversário e levou um gol de contra ataque, marcado pelo atacante Jô. Ouça a narração de Nilson Cesar, pela Rádio Jovem Pan.

derby 100 anos

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