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Archive for the ‘Memória’ Category

Memória: Marcelo Rezende no Garagem

18/09/2017 2 comentários

Por Rodney Brocanelli

Marcelo Rezende concedeu boas entrevistas à programas de rádio. Uma aconteceu em novembro de 2014, no Quem Somos Nós?, apresentado pelo publicitário  Celso Loducca na Eldorado FM (ouça aqui). A outra rolou no Pânico,  em dezembro de 2016, a última participação dele na consagrada atração da Jovem Pan FM (ouça aqui).  Vamos destacar aqui a entrevista  que talvez seja a mais marcante do jornalista e apresentador morto no último sábado. Ela foi dada programa Garagem, apresentado por André Barcinski, Álvaro Pereira Jr.,  Paulo Cesar Martin e Sandro Vieira na hoje extinta Brasil 2000 FM, em 29 de julho de 2002.

Um motivo que pode ter contribuído e muito para a participação de Rezende no Garagem foi a sua ligação profissional com Álvaro Pereira Jr. Ambos trabalharam juntos no jornalismo da TV Globo. Álvaro segue lá até hoje. Na ocasião, Marcelo Rezende estava estreando na Rede TV! como apresentador do Repórter Cidadão.

As historias de Marcelo Rezende tomaram conta do programa. A duração do Garagem teve de ser prolongada (de duas horas para duas horas e meia) a fim de acomodar a programação musical escolhida pelo trio e as intervenções do convidado. O jornalista contou histórias de bastidores da reportagem que fez sobre a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina no Paraguai. Rezende acabou preso ao lado dos policiais brasileiros que para lá foram a fim de prender os criminosos. Uma história pra lá de bizarra.

Rezende também contou como chegou à fita de vídeo que detonou o caso da Favela Naval, em que policiais fizeram de tudo com moradores de uma favela do município de Diadema (SP). Outro relato dele sobre o meso tema foi o da campana que fez para localizar uma das vítimas até convencê-la a aparecer na reportagem.

Não poderiam faltar temas relacionados ao esporte. Marcelo Rezende contou que foi comentarista esportivo da Rádio Nacional (RJ) na época de José Carlos Araújo. E mais histórias de bastidores: ele conta como foi até Miami para revelar a boa vida de um dirigente de futebol.

Todas essas histórias podem ser ouvidas em detalhes no player abaixo. O áudio foi extraído do blog Acervo Garagem, sem as músicas do playlist original.

MARCELO REZENDE_CIDADE ALERTA_008_FOTO EDU MORAES

 

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Flávio Araújo, 83

29/07/2017 1 comentário

Por Rodney Brocanelli

E a festa não para. Ontem comemoramos o aniversário de Osmar Santos. Hoje é a vez de darmos os parabéns para Flávio Araújo, que foi narrador esportivo, defendendo por muitos anos o microfone da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Além disso, teve passagens pela Rádio Gazeta e Rádio Central, de Campinas (aqui como comentarista).Ele ainda está na ativa, com uma coluna no site Ribeirão Preto On Line e um comentário diário na Rádio Cultura, de Poços de Caldas (MG).

Flávio Araújo seguiu a escola de Pedro Luiz, fazendo uma narração descritiva do que acontecia em campo, nas quadras, no ringue ou mesmo nos autódromos. No entanto, ele se permitia usar alguns bordões, como o “colocou a deusa branca para fazer chuá”, logo após um lance de gol, ou o “o 10 está brilhando na camisa dele”.

Seu período na ativa como narrador esportivo coincidiu com o auge de pelo menos quatro grandes esportistas da história do Brasil: Adhemar Ferreira da Silva, Éder Jofre, Pelé e Émerson Fittipaldi. Flávio usou sua voz para propagar os feitos deste quarteto de ouro aos quatro cantos deste país.

Vamos relembrar aqui algumas de suas narrações. Flávio Araújo narra uma luta de Éder Jofre contra Danny Kid, no ginásio do Ibirapuera. O ano é 1959.

Em 1982, a Gazeta, então comandada por Flávio Araújo, se associou com a antiga Rádio Clube Paranaense, liderada por Lombardi Jr, para a cobertura da Copa da Espanha. Essa dobradinha fez muito sucesso na época.

Em 30 de Março de 1980, Nelson Piquet conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. Narração de Flavio Araujo pela Bandeirantes.

Flávio foi um dos privilégiados que teve a oportunidade de narrar o milésimo gol de Pelé

Uma edição de seu “O Positivo e o Negativo”, na Rádio Cultura, de Poços de Caldas.

Flávio Araújo foi um dos entrevistados do Radioamantes no Ar, sempre apresentado pela web rádio Show Time.

Para encerrar, Flávio Araújo narra o gol de Pita, pelo Santos, na primeira partida da decisão do campeonato brasileiro de 1983.

flavioaraujo

Osmar Santos, 68

28/07/2017 1 comentário

Por Rodney Brocanelli

Osmar Santos comemora 68 anos de vida neste 28 de julho. Ele é um dos grandes nomes do rádio esportivo em todos os tempos. Vamos relembrar alguns de seus grandes momentos.

A seguir, um especial em duas partes produzido e apresentado por André York, então na Rádio Banda B, de Curitiba.

Abaixo, Osmar saúda a volta de José Carlos Araújo à Rádio Globo, do Rio, no final de 1984.

A imagem não está boa, mas o que importa é o som. Osmar Santos narrando pela TV Globo um gol do Brasil no torneio olímpico de futebol em Los Angeles, também em 1984.

Osmar Santos já narrou Fórmula 1 pela Rádio Globo. Ouça um trecho da transmissão do GP da Argentina de 1978.

Em São Paulo, Osmar Santos começou a escrever seu nome na história do rádio esportivo na Jovem Pan. Abaixo, o registro da primeiro jogo da grande final do Paulistão de 1974, reunindo Palmeiras e Corinthians. O primeiro jogo, no Pacaembu terminou empatado em 1 a 1.

Poucos dias depois, o Palmeiras iria surpreender e bater o favorito Corinthians no Morumbi. Osmar transmitiu as emoções dessa partida também pela Pan.

Uma das maiores homenagens recentes a Osmar Santos é a bola Gorduchinha. A intenção era que ela fosse a bola da Copa aqui no Brasil. No entanto, a empresa de material esportivo oficial preferiu utilizar uma outra opção. Mesmo assim, o sonho virou realidade, graças a uma grande fabricante de material esportivo aqui do Brasil. Ao Radioamantes no Ar, o pai da ideia, Delen Bueno, contou um pouco mais da história.

Em 1983, a Rádio Globo liderava a audiência nas transmissões de futebol com a equipe esportiva comandada por Osmar Santos. A segunda colocada da ocasião, a Rádio Bandeirantes, tentava de todas as formas recuperar o terreno perdido. E o sistema de auto falantes do estádio do Morumbi à época foi usado como parte dessa estratégia. Em dias de jogos, sempre quando o serviço iria divulgar alguma informação relevante para os espectadores, uma vinheta era executada antes: uma variação do logotom do Escrete do Rádio. Aquilo procurava funcionar como uma mensagem subliminar para fazer com que o ouvinte se lembrasse da Bandeirantes e mudasse de estação. Isso irritava Osmar, que sempre dava um jeito de alfinetar a estratégia do concorrente. Isto aconteceu na final do campeonato paulista de 1983, disputada por Corinthians x São Paulo.

No último dia 12 de julho, pouco antes da partida entre Palmeiras x Corinthians, válida pelo campeonato brasileiro de futebol, foi inaugurado oficialmente as novas instalações para a imprensa no Allianz Parque. O nome oficial será Centro de Imprensa Osmar Santos, uma homenagem mais do que justa a um dos grandes nomes da imprensa esportiva. Osmar ganhou uma camiseta do Palmeiras personalizada e uma placa. Depois, ele descerrou uma outra placa que encerrou a solenidade

osmarsantos

Morre Paulo Sant’Ana

Por Rodney Brocanelli

Morreu na noite desta quarta-feira, aos 78 anos  Paulo Sant’Ana, um dos jornalistas e radialistas mais populares da cidade de Porto Alegre. A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. Ele estava afastado de suas atividades no Grupo RBS havia pouco mais de dois anos devido a uma doença chamada demência vascular. Desde o diagnóstico, ele esteve sob cuidados médicos em sua residência.

Paulo Sant’Ana foi um dos pilares do sucesso do programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha. A atração criada por Cândido Norberto em 1971 tinha como base entrevistas com redatores e editores do jornal Zero Hora que falavam sobre o noticiário geral do dia. Sant’Ana já era conhecido por ser torcedor do Grêmio e por vezes era convidado a falar do seu time no programa. Suas intervenções causaram grande repercussão. A RBS resolveu dar a ele um contrato para ser debatedor fixo da atração. De quebra, ganhou uma coluna no Zero Hora. Para o Sala de Redação não pender tanto para o lado do Grêmio, a direção resolveu também instituir um comentarista que falasse de seu principal rival, o Internacional. A partir de então, o Sala passou a ser um programa eminentemente sobre futebol.

Em Zero Hora, Sant’Ana escrevia apenas sobre futebol ou sobre o Grêmio. Com o tempo, passou a ser um cronista do cotidiano, ou generalista, como os gaúchos definiam. Nos últimos tempos, tinha um blog pendurado no site do jornal.

O velório de Paulo Sant’Ana será realizado na Arena do Grêmio, logo mais, a partir das 8h30. Depois, enterro às 17h no Cemitério João XXIII, o mesmo onde está sepultado o Everaldo, campeão mundial pela Seleção em 70 e que simboliza a estrela no distintivo do Grêmio.

Paulo Santana

Memória: a Copa de 2002 nas ondas do rádio

30/06/2017 1 comentário

Por Rodney Brocanelli

-A Copa Japão/Coreia de 2002 foi a primeira cuja revenda dos direitos de transmissão ficou a cargo do Grupo Globo. Com isso, muitas emissoras de rádio optaram por não transmitir aquela competição. O valor  (US$ 25 mil) foi  considerado caro demais na ocasião. Segundo a Folha de S. Paulo, apenas 12 rádios toparam desembolsar a quantia pedida. Com isso, a Jovem Pan resolveu fazer uma cobertura alternativa. Ela contratou grandes nomes do futebol (Luxemburgo, Leão, Zagallo, Candinho, Romário, entre outros) para comentar os jogos do Brasil durante o seu desenrolar. Globo e Bandeirantes até chiaram. A segunda colocou seu departamento jurídico de prontidão, segundo a Folha, para tomar qualquer providência se houvesse uma “transmissão mascarada”. Um anúncio foi até publicado pela Band nos jornais: “Atenção. Aviso ao público: faça como as rádios que não compraram e não pagaram os direitos de transmissão da Copa do Mundo. Ouça os jogos pela Bandeirantes”. Em outra frente, a Pan enviou Wanderley Nogueira para a cobertura do dia-a-dia da seleção. O repórter tinha prioridade total para entrar na programação da emissora. O detalhe: Wanderley não tinha credencial. Isso não chegou a ser um impedimento e o fator sorte contou muito. A seleção brasileira não se hospedou no hotel determinado pela Fifa. A delegação se mudou justamente para o local onde estava hospedado Wanderley. Além disso, os jogadores fizeram seus treinos em locais que não foram indicados pela Federação. Outro ponto que facilitou o trabalho do repórter. Além disso, a cumplicidade dos atletas com Wanderley ajudou bastante. Cafu e Émerson chegaram a ir até o quarto do repórter para conceder entrevistas.

-José Silvério estava na Rádio Bandeirantes havia quase dois anos. Foi sua primeira Copa como titular na emissora. Na época, algo que chamou a atenção foi o fato de que as narrações de Silvério chegavam bem antes dos gols da seleção brasileira na televisão. Isso contou muitos pontos a favor do locutor, que ganhou a admiração de muitos ouvintes por “antever” um gol de Ronaldo ou Rivaldo. A explicação para o fenômeno é bem simples. Tanto a Rádio Bandeirantes como a TV Globo usaram o satélite para as suas transmissões. Porém, o sinal da Globo chegava frações de segundo mais atrasadas por estarem juntos som e imagem. Para a Bandeirantes, só chegava o áudio, por isso a não demora na entrega. Vale lembrar que estamos falando de tv aberta. O Sportv transmitiu também aquela Copa, mas a tv por assinatura ainda não era tão popularizada no país. José Silvério fez narrações memoráveis dos jogos do Brasil. O gol de Ronaldinho contra a Inglaterra ganhou a melhor descrição possível: “ele enganoooou o muunnnndo”. Dunga foi um dos comentaristas daquela Copa na Bandeirantes. O ex-jogador e técnico (ou ex, quem sabe) esteve ao lado de Silvério nos jogos disputados na Coreia (onde o Brasil ficou na primeira fase) e no Japão. Roberto Avallone, do Brasil, também participou daquelas transmissões. Os repórteres eram Leandro Quessada e Eduardo Castro. Curiosidade: as chamadas do evento na emissora tiveram a voz do ator e dublador Francisco Milani (quem aí lembra do Seu Saraiva, do antigo Zorra Total?)

-O Sistema Globo de Rádio decidiu economizar no que diz respeito aos direitos de transmissão da Copa de 2002 e decidiu formar uma equipe só para a cobertura do evento. Antes, as rádios do Rio e de São Paulo tinham autonomia para fazer cada uma as suas transmissões. Além disso, estava em prática o projeto de rede da emissora, que naufragou tempos depois. José Carlos Araújo, então na Globo carioca, foi a voz dos jogos do Brasil para todas as emissoras da rede, incluindo São Paulo. E profissionais das emissoras de todas as praças foram unidos para a transmissão dos outros jogos (offtube ou geladão). Um exemplo: a partida entre China e Costa Rica (adversários do do mesmo grupo do Brasil) foi transmitida pelo Edson Mauro e Rui Fernando, dos estúdios no Rio, Luiz Augusto Maltoni e Osmar Garrafa, de São Paulo. O Mauro foi o narrador, com o Maltoni comentando e a dupla Guilherme/Garrafa como os pontas/metas/goleira. A CBN optou por fazer o mesmo tipo de cobertura da Jovem Pan.

-Na Grande São Paulo, as rádios América e Difusora, esta de Osasco, também irradiaram a Copa de 2002. A primeira entrou em rede com a Rádio K do Brasil, na época de propriedade de Jorge Kajuru. A segunda entrou em cadeia com a Rádio Sociedade, de Salvador. A Itatiaia, de Belo Horizonte, Guaíba e Gaúcha, de Porto Alegre marcaram presença. Uma outra rádio de Porto Alegre também esteve presente: a Rádio Pampa. Do Paraná, a única que esteve presente foi a Rádio Paiquerê, de Londrina, como bem lembra Edu Cesar.

Vamos a alguns registros sonoros:

Ronaldo marca o primeiro gol do Brasil na grande final. José Silvério narrou na Rádio Bandeirantes.

Silvério narra o segundo gol de Ronaldo.

Abaixo, é possível ouvir os gols da final entre Brasil x Alemanha com a narração de Haroldo de Souza, então pela Rádio Guaíba.

Ouça o gol de Ronaldo (o segundo daquela decisão) narrado por Willy Gonser, da Rádio Itatiaia.

Memória: Jorge Helal lê texto anunciando saída de Hélio Ribeiro da Rádio Globo

28/06/2017 2 comentários

Por Rodney Brocanelli

Durante quase todo o ano de 1995, Hélio Ribeiro ocupou um dos horários mais nobres da Rádio Globo (SP): o do meio dia e meia até as 15h. Um pouco antes, Eli Corrêa havia decidido voltar para a Rádio Record. O então coordenador artístico da emissora, Pedro Villela tinha um cartão de visitas deixado pelo comunicador numa visita anterior e decidiu entrar em contato. A negociação não foi fácil, mas as partes chegaram a um acordo.

No entanto, a passagem de Hélio pela Globo não foi o que se pode chamar de um mar de rosas. Segundo Pedro Villela em um texto divulgado há alguns anos, ele despertou a ciumeira de outros comunicadores da casa, em especial o que o antecedia no horário. No entanto, um episódio foi determinante para a saída de Hélio. Um ex-governador de São Paulo e que se elegeu deputado federal por vários mandatos resolveu (figura constante nos debates do programa que antecedia O Poder da Mensagem) visitar Hélio no estúdio. Como escreveu Pedro Villela (leia no link abaixo), Hélio foi ao chão.

A Globo até que deu uma despedida digna à Hélio Ribeiro. Um texto de aproximadamente três minutos foi lido pelo locutor Jorge Helal, na época voz padrão da emissora. Com o passar dos anos, este registro ganhou outra dimensão. Hélio Ribeiro não voltou mais ao rádio depois dessa passagem pela Globo, não ao menos comandando programa diário. Ele morreria em 6 de agosto do ano 2000. Sem imaginar, Helal era porta voz da despedida do veículo à Hélio Ribeiro. Áudio extraído dos arquivos de Johnny Black, que estão disponíveis na Internet. Ouça no player abaixo.

E no link abaixo, é possível ler o texto de Pedro Villela, em que ele fala sobre a passagem meteórica de Hélio Ribeiro pela Rádio Globo.

https://radiobaseurgente.blogspot.com.br/2004/02/aos-milhares-de-fs-do-hlio-ribeiro.html

Didático, Kid Vinil deixou sua marca no rádio

19/05/2017 4 comentários

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta sexta-feira, o músico, radialista e apresentador Kid Vinil. No dia 19 de abril, ele passou mal em uma apresentação na cidade de Conselheiro Lafaiete (MG). Foi internado em um hospital municipal e depois transferido para São Paulo e foi direto para o hospital TotalCor. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Como músico, ele fez parte das bandas Verminose, Magazine, entre outras. Com esta última, conseguiu sucesso comercial na explosão do rock nacional dos anos 1980. Apesar dos hits  “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso”, Kid não chegou a entrar para o panteão dos nomes clássicos daquela geração, como Renato Russo, Herbert Vianna, entre outros. No entanto, foi no rádio onde ele conseguiu deixar a sua marca, influenciando uma grande parcela de ouvintes. Para isso, o apresentador se valeu de uma fórmula simples: ele procurava ser sempre didático. Sem enrolar muito, Kid informava ao ouvinte sobre a música ou banda que iria tocar.

No começo dos anos 1980, ele teve um programa na Rádio Excelsior FM (hoje CBN) chamado “Programa do Kid Vinil”. Em seguida, na mesma emissora,  fez uma parceria com Leopoldo Rey para comandar o “Rock Sandwich”. Naquela época, a Excelsior tinha como diretor Maurício Kubrusly.

Antes do estouro com o Magazine, Kid passou pela Antena 1 FM, que era bem diferente daquela que está hoje no ar. Em 1986, voltou ao rádio, comandando um programa semanal na 89 FM. No começo da década de 1990, apresentou na Brasil 2000, ao lado de Mauro Beting, o semanal Digital Sessions. Era uma verdadeira anarquia, no bom sentido.

Talvez o grande momento de Kid Vinil no rádio começou na 97 FM, por volta do ano de 1993, quando comandou o diário “Patrulha Noturna”. Ele tinha quatro horas livres, ao vivo, a partir das 22h, para tocar aquilo que quisesse. Perdi a conta de quantas madrugadas eu ficava colado no meu aparelho de som, ouvindo a seleção musical de Kid, nem que isso significasse pouquíssimas horas de sono. O duro era levantar cedo para ir à aula, mas valia a pena. Naquela época, Kid começou a tocar bandas que que seriam muito reconhecidas no cenário internacional. Uma delas era simplesmente o Oasis.

Em dezembro de 1994, a 97 FM abandonou o rock e se transformou em uma rádio de música eletrônica. Na época, o então diretor Lélio Teixeira (ele mesmo) disse à Folha de S. Paulo que o estilo não era mais viável comercialmente. Kid falou sobre isso numa entrevista à Rádio Onze, uma rádio livre ligada ao Centro Acadêmico da Faculdade de Direito-USP: “As pessoas querem que a coisa dê dinheiro, querem faturar e não sabem o que fazer. Na 97 FM aconteceu isso. Eles querem faturar, no entanto, ainda não conseguiram com o poperô. Acho que deveriam mudar para samba ou sertanejo. Se eles querem ganhar dinheiro, tem que ser com uma coisa bem brega mesmo, porque o popular é que dá dinheiro”. Vale lembrar que em 1999, a emissora adotou uma linha mais popular, ainda que por pouco tempo.

Kid não ficou muito tempo fora do ar e se transferiu para a Brasil 2000 no começo de 1995. Foi nela que ele passou a falar de uma banda que estava com uma grande repercussão na Inglaterra, comandada por uma vocalista de origem brasileira: o Drugstore, de Isabel Monteiro. Nesse período, ele passou a ter uma visão bem critica dos ouvintes de rock: “Quem gosta de rock eh um público pequeno, isso o rock de verdade. Tem cara que prefere comprar o disco para ouvir em casa a ouvir radio, eu conheço muitas pessoas que fazem isso e não estão nem aí para o fato de ter rádio tocando ou não. O público de rock é complicado de se trabalhar. Eu vejo pela Brasil 2000. A gente tem um número de ouvintes limitado. É uma coisa muito dirigida, quem gosta de rock é um outro publico. As pessoas que ouvem essas rádios mais populares gostam de qualquer coisa, não tem um gosto especifico”, disse ele em entrevista à Rádio Onze.

Depois de uma nova passagem pela 89 FM, em 1996, Kid foi para a então novata Mix FM no ano seguinte. Ela ainda não tinha se transformado em uma rádio pop e o apresentador tinha um programa de segunda a sexta entre 21h e 01h. Aqui, ele já não tinha tanta liberdade. Apenas no período da meia noite à uma da manhã havia espaço para uma programação mais pessoal, além de atender a pedidos dos ouvintes que chegavam via fax.

Entre 2001 e 2003, Kid Vinil teve uma experiência radiofônica do outro lado do balcão: ele dirigiu a Brasil 2000, mas devido a problemas internos, essa passagem não foi muito feliz. Ao site Rock em Geral, ele disse: “Uma das diretoras me chamou para ser o coordenador geral da rádio, e eu achei legal, ia ter toda a liberdade. Só que a rádio não dependia só dessa pessoa que me chamou, ela pertence a uma universidade e havia outras irmãs que ficam dando palpite. Cada uma gosta de uma coisa. Uma delas gostava de world music; a outra, de pop descartável. E, outra, que foi a que me chamou, mais de alternativo. E tinha um sobrinho que ficava minando o meu trabalho, querendo o meu lugar – e acabou conseguindo. Eles queriam que a rádio fosse da família, e acabou sendo, só que a família não conhece nada de música. Tiveram a oportunidade de ter credibilidade, mas minaram o meu trabalho. No primeiro ano deu certo, no segundo, quando eu comecei a ser afastado, a coisa degringolou”.  Mesmo com tantos problemas, ele não deixou de fazer a sua autocrítica: “Hoje eu faria diferente. Na época, peguei pesado na coisa e fazer uma rádio alternativa. Muita gente até me criticou por isso. Deixei a rádio muito alternativa, fui com sede ao pote. Hoje eu faria uma coisa mais equilibrada, colocaria sucessos, clássicos do rock e as coisas mais alternativas, não seria tão lado B”. Uma pena que não foi possível nomear os personagens citados.

Nos últimos tempos, Kid se dividiu entre a web rádio da Brasil 2000, até ela ser extinta, e a 89 FM, emissora onde tinha um programa semanal.

Para encerrar, deixo aqui uma lembrança inusitada de sua passagem pela Mix FM. Em uma bela noite, o áudio de um programa da Igreja Universal passou a vazar no ar. A reação de Kid Vinil foi impagável.

KidVinil

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