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Sucesso do rádio nos anos 80, o Balancê ganha olhar acadêmico acessível a todos os tipos de leitores

Por Rodney Brocanelli

Um dos programas de rádio mais influentes e revolucionários dos anos 1980, o  Balancê, apresentado pela antiga Rádio Excelsior (hoje CBN) foi objeto de uma dissertação de mestrado apresentado na Escola de Comunicações e Artes da USP,  apresentada no último dia primeiro de setembro. Com a aprovação da banca examinadora, Felipe Martinelli, seu autor, conseguiu seu título acadêmico. Martinelli é conhecido dos leitores deste blog por conceder uma entrevista ao Radioamantes no Ar sobre Carlos Roberto Escova, em dezembro de 2015. O humorista, que teve participação de destaque no programa de rádio, morreu poucos dias antes e o agora mestre falou na ocasião sobre o encontro que os dois tiveram na cidade de Ourinhos, em outubro de 2007. Muitas informações das conversas de ambos estão nessa dissertação.

O grande mérito de “Girando a roda do Balancê: a trajetória de um programa e a  transformação do rádio paulistano” é atrair tanto a comunidade acadêmica (sua finalidade principal) como ao leitor comum, seja aquele que é interessado na história do rádio por hobby ou aos saudosistas que acompanharam o programa em grande parte de sua existência no dial paulistano.

Martinelli fez a divisão da trajetória do programa em quatro fases. A  primeira começa (obviamente) em sua estreia, no 07 de abril de 1980 e vai até 1983. A atração nasceu de uma necessidade de Osmar Santos, principal nome do departamento esportivo da Globo-Excelsior de entrar em outras áreas além do futebol, como as artes e a política. Osmar iria apresentar o programa, mas quando ele tivesse algum outro compromisso, um co-apresentador assumiria o comando. Juarez Sores foi o escolhido para a missão. Nessa fase, a parte politizada do programa justamente é a que iria dar dores de cabeça a todos, desde o alto escalão da emissora até a equipe de produção. Já naquela época, o  sonoplasta Johnny Black se destacava por dar uma plástica toda peculiar ao Balancê.

A partir de 1983, com a saída de Juarez Soares, que se transfere para a TV Bandeirantes a fim de apresentar o Show do Esporte, começa a outra fase. Meio que por acaso, até. Alguns dos integrantes da equipe esportiva da Globo-Excelsior não tinham, digamos, o perfil para um programa daquele porte. Jorge de Souza, Odinei Edson e Reinaldo Costa foram testados para co-apresentar o programa com Osmar Santos. Até que se chegou ao nome de Fausto Silva. Com isso, o Balancê tomou outro rumo e contribuiu muito para isso a química do novo apresentador com os humoristas Carlos Roberto Escova e Nélson Tatá Alexandre (e Johnny Black, é claro) torna a atração mais anárquica e irreverente. Aqui, Martinelli nos revela que Fausto Silva e Osmar santos, não tinham o que se consideraria uma amizade fora dos microfones. Aliás, isso é mais comum do que possa parecer. Exitem vários casos (e alguns deles muito atuais) no rádio de gente que não se suporta, mas devido a compromissos comerciais, técnicos, entre outros, deixa as rusgas de lado quando estão no ar. O texto relata alguns momentos de alfinetadas de Faustão em Osmar por muitas questões, especialmente salários.  Nessa fase, o Balancê passa a ser apresentado em um teatro por uma questão simples. Não dava para acomodar no estúdio todos os que desejavam acompanhar o programa ao vivo, além, é claro, dos convidados.

A terceira fase, vai de 1985 até 1987. Em 85, Fausto Silva se transfere para a Rádio Record. Vale lembrar que já naquela época, ele já está com o Perdidos na  Noite, cujo processo de criação é devidamente contado por Martinelli em seu texto. Oscar Ulisses passa a apresentar o Balancê em alguns dias da semana. A derradeira fase do programa abrange grande parte do ano de 1988. Aqui, Osmar já havia se transferido para a Rádio Record e costurado um acordo com a Rádio Gazeta para repetir a dobradinha Globo-Excelsior. Na Gazeta, as últimas edições do Balancê foram transmitidas. O perfil passa a ser o de um programa de variedades, com a apresentação de Carlos Fernando (talvez algo mais adequado à sua personalidade).

O tema central da tese de Martinelli é o Balancê. Mesmo assim, seu texto não deixa de contemplar outras emissoras. A Jovem Pan ganha um espaço generoso, até porque de lá saíram profissionais importantes para a história do programa da Excelsior. Além disso, perto do final, é explicada até de que forma a Rádio Record viabilizou financeiramente seu departamento de esportes, lançado em 85, com a adoção, já naquela época, dos hoje detestados contratos de Pessoa Jurídica. O responsável por isso é um conhecido executivo de rádios ainda na ativa e que volta e meia ganha elogios e citações simpáticas, sendo apontado como exemplo de um gestor genial.

O  mestrado de Felipe Martinelli pode ser lido em sua íntegra no link a seguir. Logo abaixo, tem lá o caminho para o pdf. Boa leitura.

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-27092017-093957/pt-br.php

girando a roda

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Radioamantes no Ar homenageia Helio Ribeiro

Sexta, 24 de julho de 2015. Se estivesse vivo, Helio Ribeiro estaria comemorando 80 anos. O Radioamantes no Ar aproveitou a data para relembrar fatos importantes da carreira deste grande comunicador, que deixou seu nome na história do rádio. Ele trabalhou em emissoras como Tupi e Bandeirantes, comandando programas como Correspondente Musical e O Poder da Mensagem. O convidado especial Sidney Magrini, integrante do Memorial Helio Ribeiro, contou vários aspectos  de sua vida e carreira, além de falar da parceria com o grande sonoplasta Johnny Black.. O Radioamantes no Ar vai ao ar todos os sábados, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flavio Aschar. showtime2

João e Hélio

Por Rodney Brocanelli

João Antônio de Souza ( o Johnny Black) e Hélio Ribeiro formaram uma das maiores duplas do rádio brasileiro. Ambos trabalharam juntos por muitos anos e em várias emissoras. O que Hélio pensava, João executava. É a prova de que o trabalho em equipe sempre funciona. E que o comunicador não vive sem o operador de áudio. João depois seguiu seu caminho e se tornou conhecido da geração acima dos 30 anos por seu trabalho na televisão, especificamente no programa Perdidos na Noite, apresentador por Fausto Silva. Mesmo assim, os caminhos dessa dupla nunca deixaram de se cruzar. João morreu em junho de 1996. Emocionado, Hélio gravou um depoimento para o Sistema Globo de Rádio reconhecendo o talento de João. Uma simples, mas comovente homenagem.  Quatro anos mais tarde, no ano 2000, foi a vez de Hélio partir desta dimensão. A história que os dois escreveram não merece ser esquecida.

 

HelioRibeiro

O áudio foi extraído dos arquivos de Onofre Favotto, que estão disponíveis na Internet.

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