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Didático, Kid Vinil deixou sua marca no rádio

19/05/2017 4 comentários

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta sexta-feira, o músico, radialista e apresentador Kid Vinil. No dia 19 de abril, ele passou mal em uma apresentação na cidade de Conselheiro Lafaiete (MG). Foi internado em um hospital municipal e depois transferido para São Paulo e foi direto para o hospital TotalCor. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Como músico, ele fez parte das bandas Verminose, Magazine, entre outras. Com esta última, conseguiu sucesso comercial na explosão do rock nacional dos anos 1980. Apesar dos hits  “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso”, Kid não chegou a entrar para o panteão dos nomes clássicos daquela geração, como Renato Russo, Herbert Vianna, entre outros. No entanto, foi no rádio onde ele conseguiu deixar a sua marca, influenciando uma grande parcela de ouvintes. Para isso, o apresentador se valeu de uma fórmula simples: ele procurava ser sempre didático. Sem enrolar muito, Kid informava ao ouvinte sobre a música ou banda que iria tocar.

No começo dos anos 1980, ele teve um programa na Rádio Excelsior FM (hoje CBN) chamado “Programa do Kid Vinil”. Em seguida, na mesma emissora,  fez uma parceria com Leopoldo Rey para comandar o “Rock Sandwich”. Naquela época, a Excelsior tinha como diretor Maurício Kubrusly.

Antes do estouro com o Magazine, Kid passou pela Antena 1 FM, que era bem diferente daquela que está hoje no ar. Em 1986, voltou ao rádio, comandando um programa semanal na 89 FM. No começo da década de 1990, apresentou na Brasil 2000, ao lado de Mauro Beting, o semanal Digital Sessions. Era uma verdadeira anarquia, no bom sentido.

Talvez o grande momento de Kid Vinil no rádio começou na 97 FM, por volta do ano de 1993, quando comandou o diário “Patrulha Noturna”. Ele tinha quatro horas livres, ao vivo, a partir das 22h, para tocar aquilo que quisesse. Perdi a conta de quantas madrugadas eu ficava colado no meu aparelho de som, ouvindo a seleção musical de Kid, nem que isso significasse pouquíssimas horas de sono. O duro era levantar cedo para ir à aula, mas valia a pena. Naquela época, Kid começou a tocar bandas que que seriam muito reconhecidas no cenário internacional. Uma delas era simplesmente o Oasis.

Em dezembro de 1994, a 97 FM abandonou o rock e se transformou em uma rádio de música eletrônica. Na época, o então diretor Lélio Teixeira (ele mesmo) disse à Folha de S. Paulo que o estilo não era mais viável comercialmente. Kid falou sobre isso numa entrevista à Rádio Onze, uma rádio livre ligada ao Centro Acadêmico da Faculdade de Direito-USP: “As pessoas querem que a coisa dê dinheiro, querem faturar e não sabem o que fazer. Na 97 FM aconteceu isso. Eles querem faturar, no entanto, ainda não conseguiram com o poperô. Acho que deveriam mudar para samba ou sertanejo. Se eles querem ganhar dinheiro, tem que ser com uma coisa bem brega mesmo, porque o popular é que dá dinheiro”. Vale lembrar que em 1999, a emissora adotou uma linha mais popular, ainda que por pouco tempo.

Kid não ficou muito tempo fora do ar e se transferiu para a Brasil 2000 no começo de 1995. Foi nela que ele passou a falar de uma banda que estava com uma grande repercussão na Inglaterra, comandada por uma vocalista de origem brasileira: o Drugstore, de Isabel Monteiro. Nesse período, ele passou a ter uma visão bem critica dos ouvintes de rock: “Quem gosta de rock eh um público pequeno, isso o rock de verdade. Tem cara que prefere comprar o disco para ouvir em casa a ouvir radio, eu conheço muitas pessoas que fazem isso e não estão nem aí para o fato de ter rádio tocando ou não. O público de rock é complicado de se trabalhar. Eu vejo pela Brasil 2000. A gente tem um número de ouvintes limitado. É uma coisa muito dirigida, quem gosta de rock é um outro publico. As pessoas que ouvem essas rádios mais populares gostam de qualquer coisa, não tem um gosto especifico”, disse ele em entrevista à Rádio Onze.

Depois de uma nova passagem pela 89 FM, em 1996, Kid foi para a então novata Mix FM no ano seguinte. Ela ainda não tinha se transformado em uma rádio pop e o apresentador tinha um programa de segunda a sexta entre 21h e 01h. Aqui, ele já não tinha tanta liberdade. Apenas no período da meia noite à uma da manhã havia espaço para uma programação mais pessoal, além de atender a pedidos dos ouvintes que chegavam via fax.

Entre 2001 e 2003, Kid Vinil teve uma experiência radiofônica do outro lado do balcão: ele dirigiu a Brasil 2000, mas devido a problemas internos, essa passagem não foi muito feliz. Ao site Rock em Geral, ele disse: “Uma das diretoras me chamou para ser o coordenador geral da rádio, e eu achei legal, ia ter toda a liberdade. Só que a rádio não dependia só dessa pessoa que me chamou, ela pertence a uma universidade e havia outras irmãs que ficam dando palpite. Cada uma gosta de uma coisa. Uma delas gostava de world music; a outra, de pop descartável. E, outra, que foi a que me chamou, mais de alternativo. E tinha um sobrinho que ficava minando o meu trabalho, querendo o meu lugar – e acabou conseguindo. Eles queriam que a rádio fosse da família, e acabou sendo, só que a família não conhece nada de música. Tiveram a oportunidade de ter credibilidade, mas minaram o meu trabalho. No primeiro ano deu certo, no segundo, quando eu comecei a ser afastado, a coisa degringolou”.  Mesmo com tantos problemas, ele não deixou de fazer a sua autocrítica: “Hoje eu faria diferente. Na época, peguei pesado na coisa e fazer uma rádio alternativa. Muita gente até me criticou por isso. Deixei a rádio muito alternativa, fui com sede ao pote. Hoje eu faria uma coisa mais equilibrada, colocaria sucessos, clássicos do rock e as coisas mais alternativas, não seria tão lado B”. Uma pena que não foi possível nomear os personagens citados.

Nos últimos tempos, Kid se dividiu entre a web rádio da Brasil 2000, até ela ser extinta, e a 89 FM, emissora onde tinha um programa semanal.

Para encerrar, deixo aqui uma lembrança inusitada de sua passagem pela Mix FM. Em uma bela noite, o áudio de um programa da Igreja Universal passou a vazar no ar. A reação de Kid Vinil foi impagável.

KidVinil

Na Geral estreia na 105 Fm e Tri FM

02/11/2016 12 comentários

Por Rodney Brocanelli

Depois de sair do ar da Rádio Bandeirantes sem se despedir seus ouvintes, o Na Geral está de volta em duas emissoras: a 105 FM, de Jundiaí, mas com alcance em São Paulo e parte do interior, e a Tri FM, com alcance na Baixada Santista. Aliás, salvo engano, a Tri FM volta a ter futebol em sua programação desde 2012 quando a equipe que cobria os jogos do Santos foi extinta. Voltando ao Na Geral, a atração contará com o reforço da equipe de esportes da 105 FM, que é comandada por Lélio Teixeira e Ricardo Martins. O humorista Beto Hora permanece como principal destaque. Em especial cortesia de Edu Cesar, do Papo de Bola, ouça abaixo a íntegra da estreia do Na Geral nas novas emissoras.


 

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Na Geral volta das férias com novos quadros, música e maior interatividade

Na próxima segunda-feira, 19, o programa “ Na Geral” da Rádio Bandeirantes volta das férias com novos quadros, novas vinhetas e maior interatividade com os ouvintes. Lélio Teixeira, José Paulo da Glória e Beto Hora comandam no final da tarde o programa que fala de futebol, bom humor e, agora, a música também passa a fazer parte do programa. Na próxima semana, o trio recebe no estúdio alguns dos grandes nomes da música brasileira para um bate-papo com som da melhor qualidade. Na segunda-feira marcam presença Supla e João Suplicy, o Brothers of Brazil. Na terça-feira, 20, é a vez do MC Guimê. Fernandinho Beatbox é o convidado da quarta-feira, 21, e o cantor e compositor Toquinho fecha a semana mostrando seu talento na quinta-feira, 22.

Além da música, o público poderá conferir quadros inéditos que passam a fazer parte do programa. “Histórias do ‘Seo’ Geraldo” é um quadro no qual o personagem do mesmo nome, interpretado pelo Beto Hora, conta ‘causos’ mentirosos e absurdos e também vai desafiar os ouvintes a mandarem ‘causos’ tão ou mais absurdos;  “É a Mãe” vai trazer uma mãe de jogador famoso para conversar com o trio e “Onde Anda Você” será um serviço para ajudar as pessoas a localizar parentes e amigos “perdidos” pelo mundo. Os ouvintes também poderão interagir através de enquetes que estarão disponíveis no site da emissora, www.radiobandeirantes.com.br.

O “Na Geral” vai ao ar de segunda à sexta das 18h às 20h na Rádio Bandeirantes, 90, 9 FM/ 840 AM ou pelo aplicativo Band Rádios.

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