Rádios brasileiras investem na transmissão do futebol europeu; outras seguem na trilha da saudade

Por Rodney Brocanelli

Aos poucos, o rádio esportivo brasileiro vai voltando ao normal com a retomada das competições de futebol na Europa. Neste final de semana, emissoras como Guaíba e Jovem Pan investiram forte na transmissão de partida do campeonato espanhol. Neste sábado (13), ambas se dedicaram à cobertura de Mallorca x Barcelona.

No domingo (14), as atenções estarão voltadas ao confronto entre Real Madrid x Eibar. Guaíba também transmite, além da Rádio Bandeirantes, com a narração de Ulisses Costa. Aliás, neste sábado, a emissora do Morumbi levou presenteou seus ouvintes com a transmissão de Napoli x Internazionale, válida pela final da Copa da Itália.

O fuso horário colabora para que esses jogos entrem no ar bem na hora em que tradicionalmente são veiculadas as partidas do futebol brasileiro. O pontapé inicial da partida do Barcelona ocorreu às 17h. Por sua vez, o jogo do Real Madrid começará as 14h30, horário em que muitas emissoras já estão no ar com seus respectivos programas pré-jogo.

Esse retorno das transmissões, começou com a respectiva volta do campeonato alemão de futebol. Até mesmo a Rádio Grenal, de Porto Alegre, voltada exclusivamente para a cobertura das coisas de Grêmio e Internacional, passou a acompanhar os jogos dessa liga, que é uma das mais importantes do continente europeu.

Enquanto o futebol doméstico não retoma a sua rotina de competições, o futebol internacional é uma saída para que as emissoras de rádio consigam honrar seus compromissos publicitários. Para quem não sabe, as cotas de patrocínio das jornadas esportivas são comercializadas para o ano todo, e as marcas são divulgadas seja nos textos-foguete lidos pelos narradores ou nas inserções que vão ao ar no pré-jogo e intervalo. Algumas estações conseguem vender cotas exclusivas para os programas pós-jogo, tradição iniciada pelo Terceiro Tempo, comandado por Milton Neves.

Enquanto algumas emissoras investem no futebol europeu, outras seguem dedicando-se a veicular jogos históricos de futebol, com narração atualizada (aliás, como definir isso em uma ou duas palavras?).

A Rádio Gaúcha procurou reforçar seu pacote de retransmissões intitulado Saudade no Esporte. As suas noites de quarta-feira e as tardes de domingo serão preenchidas com algumas das principais decisões envolvendo Grêmio e Inter. Amanhã (14), a torcida tricolor poderá ouvir o jogo de volta da final da Copa Libertadores 1995, que colocou frente a frente Atlético Nacional × Grêmio. A narração será de Pedro Ernesto Denardin. Na última quarta, a Gaúcha colocou no ar o jogo de ida dessa competição na última quarta.

O Saudade no Esporte está previsto para ir ao ar até o começo de julho. O calendário de jogos está definido:

17/6 – Chivas 1×2 Inter (final da Libertadores de 2010 – ida)
21/6 – Inter 3×2 Chivas (final da Libertadores de 2010 – volta)
24/6 – Grêmio 1×0 Lanús (final da Libertadores de 2017 – ida)
28/6 – Lanús 1×2 Grêmio (final da Libertadores de 2017 – volta)
1º/7 – Estudiantes 0×1 Inter (final da Sul-Americana de 2008 – ida)
5/7 – Inter 1×1 Estudiantes (final da Sul-Americana de 2008 – volta)

A Rádio Globo também vai entrar na onda da saudade, neste domingo, a partir das 16h. Seu site (https://radioglobo.globo.com/) vai ser um espaço para que as torcidas de Flamengo e Corinthians revivam grandes conquistas. Os rubro-negros poderão acompanhar a final da Libertadores de 2019, contra o River Plate. A Fiel vai ter acesso a uma lembrança mais remota: a partida contra a Ponte Preta, que decidiu o campeonato paulista de 1977.

futebol

 

Memória: Serginho Leite imita Pelé e engana Xuxa durante entrevista

Por Rodney Brocanelli

Em 1981, a então modelo e atriz Xuxa concedia uma entrevista ao Show da Manhã, da Rádio Jovem Pan AM. Ela falava sobre aspectos da sua carreira, de um documentário que estava filmando e de seu namoro com Pelé, que fazia a alegria do jornalismo de celebridades da época. Em dado momento, o próprio Pelé entrava no ar para surpreender a namorada. No entanto, tudo não passou de uma armação da produção do programa. Na verdade, quem entrou no ar foi Serginho Leite, apresentador da Jovem Pan FM, humorista e exímio imitador de famosos (ouça abaixo).

Esse episódio é bastante conhecido no rádio de São Paulo. Durante o papo, alguém da produção do Show da Manhã teve a ideia de chamar Serginho Leite para imitar Pelé e provocar alguma reação em Xuxa. Na ocasião, Serginho estava no ar pelo FM. A proximidade dos estúdios do AM e do FM facilitou a situação. Apesar da pegadinha (que talvez nem se chamasse dessa forma nos anos 1980), a futura Rainha dos Baixinhos levou essa situação inesperada na boa.

Outro detalhe dessa entrevista é que ela foi feita fora do estúdio e em seu comando estava Ana Maria Penteado (que muitos ainda insistem em confundi-la com Ana Maria Braga, apresentadora da Rede Globo). Além dela, o então produtor Luiz Henrique Romagnoli colaborou, fazendo perguntas à entrevistada.

Um dado curioso é que foi citado um documentário que Xuxa estaria finalizando um documentário chamado “Xuxa no Cinema – Nasce uma Estrela”. No entanto, não foi encontrada qualquer menção a ele na Internet, pelo menos com esse título. Pela descrição, essa obra destacaria sua primeira participação em cinema, no filme “Amor Estranho Amor” (aquele mesmo).

Serginho Leite e Xuxa

A história de Miriam Lane

Por Rodney Brocanelli

No começo de 1984, um crime abalou São Paulo, em especial radialistas e ouvintes. Um tiro dado pelas costas abreviava a carreira de uma jovem profissional que aos 21 anos trabalhava em uma das principais emissoras da capital.  Na ocasião, ela era uma das poucas vozes femininas atuando em Frequência Modulada. Conquistou fãs durante sua breve passagem pela emissora, mesmo ocupando um horário fora daqueles que atraem bastante público. Estamos falando de Miriam Lane, da Rádio Jovem Pan FM.

Miriam Lane, ou Miriam Clea dos Santos Tavares Barcelos Garcia, nasceu em Muzambinho (MG). Mudou-se para Campinas, onde começou a cursar a faculdade de Jornalismo na PUC.

Ainda em Campinas, conseguiu uma vaga no departamento de jornalismo na Rádio Educadora AM. Por ter uma voz bonita, começou a apresentar um programa de músicas de Roberto Carlos chamado Nossa Canção. Posteriormente, o passou a ser locutora da Educadora FM. Seu nome artístico nessa ocasião era Miriam Tavares.

Pedro Bondaczuk, jornalista que conviveu com ela naquela época, publicou um texto sobre Miriam no jornal Correio Popular, logo depois de sua morte. Segundo ele, a colega “irradiava simpatia, quebrando um pouco aquele clima sisudo, que muitas vezes nos dominava”.

Outras impressões de Bondaczuk: “Lembro-me, nitidamente, da sua figura, morena, bonita, sempre sorrindo (Mírian sorria com os olhos, profundos, românticos e sonhadores), ora brincando com a turma do Departamento de Esportes e de Jornalismo, ora se divertindo com as piadas do Ari Costa, ou trocando ideias com a Lucinha de Fátima na discoteca, sobre determinada canção do seu ídolo, ou pedindo algum esclarecimento ao nosso chefe, o Alair Beline, quando não mexendo com o pessoal da Técnica, o Wagnaldo Silva, o Carioca, o Joãozinho ou o Marcelo de Almeida”. (leia a versão integral aqui).

Na Rádio Educadora, Miram conheceu Pablo Garcia, que na época era coordenador de programação da emissora. Já casados, se mudaram para São Paulo no início de 1983. Ele conseguiu uma vaga na Bandeirantes FM (hoje Band FM). Ela, por sua vez, arrumou uma vaga na Rádio Jovem Pan FM (na época a Jovem Pan) e passou a comandar o horário noturno, entre 22h e 02h, adotando o pseudônimo de Miriam Lane.

Não se sabe quem foi que a batizou dessa maneira na Pan, mas esse era o nome da namorada do Super Homem nas edições brasileiras de suas histórias em quadrinhos publicadas no Brasil naquele período (somente depois é que o nome Lois passou a ser adotado).

Segundo o Jornal do Brasil do dia 01 de fevereiro de 1984 , seus colegas de Pan a definiram como “uma mulher simpática e alegre, que chegava cedo ao estúdio para pretar melhor seu horário, com leituras e conselhos de amigos”. Além disso, como registrou o diário, ela “recebia muitas cartas e telefonemas, principalmente depois de ter sido apresentadora de um show de aniversário da rádio, no Ginásio do Ibirapuera”.

Na Pan, Miriam encontrou um conterrâneo: Milton Neves, que na época fazia o plantão das transmissões esportivas do AM. Ambos conversavam muito nas noites de quarta e quinta, quando Neves estava na emissora (veja aqui). Ele conheceu os pais dela, Zélia e Lincoln, ainda em Muzambinho (veja aqui).

Como Miriam saia muito tarde da rádio, um colega ou então um amigo sempre ficava encarregado de levá-la para casa, no bairro do Itaim Bibi.  Na madrugada do dia 28 de janeiro, um sábado, Beto Rivera, então locutor da emissora, foi o encarregado de dar carona.

Conforme relatos da imprensa, a radialista desceu na rua Itacolomi, onde morava. Depois de descer do carro de Rivera, um Escort, ela se dirigiu até a porta do prédio. No entanto, ela foi cercada por dois ladrões que anunciaram um assalto. Assustada, ela empurrou um deles e correu para o veículo dirigido por Rivera. Um dos bandidos estava armado com um revólver calibre 22 e atirou nela. Depois do disparo, a dupla entrou em um veículo, um Volks branco,  no qual outra pessoa os aguardava.

Miriam foi socorrida por Beto e levada para o hospital São Luís. Ao ser atendida, foi constatado que o tiro acertara sua cabeça. Já chegou em estado de coma. O Jornal do Brasil informou que “só seu coração funcionava devido à juventude e à ajuda de instrumentos”. Ela morreu em 31 de janeiro de 1984.

Depois do anúncio oficial, a Jovem Pan passou a veicular uma chamada em sua programação com a voz de Miriam identificando a emissora e, em seguida, o seguinte editorial: “Miriam Lane está morta. Miriam Lane é mais uma vitima fatal da violência da cidade. Miriam Lane foi baleada por assaltantes na porta de sua residência, quando voltava de suas apresentações diárias na Rádio Jovem Pan FM. Mirian Lane está morta. Nós estamos sós diante da violência da cidade.”

O enterro aconteceu em sua cidade natal.

Um boletim de ocorrência foi lavrado no 15º Distrito Policial, próximo ao prédio onde Miram morava. A Polícia Civil trabalhou com várias linhas de investigação, entre elas a de uma possível vingança. O caso foi desvendado mais de dois anos depois e praticamente por acaso.

Em julho de 1986, ao investigar um assalto a uma loja de automóveis, a  Polícia prendeu um  suspeito de praticar esse crime. Durante o depoimento, ele confessou ter participado de uma tentativa de assalto que não chegou a ser concluída após ter feito um disparo.  No dia seguinte, pela mídia, ficou sabendo que a vítima, segundo suas palavras, era “uma garota famosa da rádio FM”.

O então delegado do 27º Distrito que efetuou a prisão quis saber o motivo do disparo. “Fiquei assustado”, foi a resposta. Outro dos bandidos, que dirigia o Volks branco, também foi preso na mesma época. Faltava apenas localizar o terceiro integrante dessa gangue.

Demorou um pouco, mas ele logo foi identificado. A grande ironia dessa história (se é que dá para colocar dessa forma) é que mais de dois anos depois, esse sujeito deixou o mundo do crime e arrumou emprego como caixa em um grande banco. Na ocasião, havia acabado de se casar e estava em lua de mel. Com sua prisão, a Policia Civil considerou esclarecida a morte de Miriam Lane.

O trio foi levado à julgamento e posteriormente condenado. As penas variaram de 15 a 18 anos de reclusão, segundo informações do Jornal do Brasil em 16 de outubro de 1986.

Voltando a 1984, pouco antes da tragédia, Miriam Lane participou das gravações de um especial produzido pela BB Vídeo para a TV Record. Ao lado de Bob Floriano, outro conhecido nome do rádio, ela fez a introdução de clipes musicais com artistas do porte de Lionel Ritchie, Dalto, Beth Carvalho, Martinho da Vila, entre outros. Mesmo depois de sua morte, a emissora manteve a veiculação do programa, programado para o dia 7 de fevereiro daquele ano. Quem quiser assisti-lo, basta clicar neste link (é necessário estar logado no VK).

Deste programa, destacamos dois trechos com a voz de Miriam Lane. Talvez os únicos registros que restaram de uma voz tão marcante. Ouça abaixo.

Miriam Lane

Memória: paulistas ouviram narração de Pedro Carneiro Pereira na Copa de 1970

Por Rodney Brocanelli

Neste final de semana, a Rádio Guaíba colocou no ar mais dois jogos históricos de seu arquivo. Desta vez, envolvendo a seleção brasileira de futebol. No sábado (9), a emissora rodou a gravação de Brasil x Zaire, partida válida pela Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, com narração  de Armindo Antonio Ranzolin, Neste domingo (10), foi veiculada a reprise de Brasil x Tchecoslováquia, estreia das duas seleções na Copa de 1970, no México. É desse segundo jogo, que o Radioamantes vai destacar algumas curiosidades.

Primeiro que a transmissão partida disputada no Estádio Jalisco, em Guadalajara foi transmitida em pool. Diferente do que ocorreu na Copa seguinte, quando cobriu aquela competição sozinha, a Guaíba se uniu à extinta Rádio Continental para a transmissão dos jogos daquela competição. Profissionais das duas emissoras se dividiram  para irradiar emoção aos rádios tanto de Porto Alegre, como do Rio de Janeiro.

Pela Guaíba, estiveram transmitiram os jogos Pedro Carneiro Pereira (narrador), Ruy Carlos Ostermann (comentarista) e João Carlos Belmonte (repórter). Pela Continental, Clóvis Filho (narrador), Carlos Marcondes (comentarista) e Luís Fernando (repórter). Cada narrador comandava a transmissão em um tempo da partida. Os outros profissionais participavam juntos e intervinham sempre que necessário.

Pedro Carneiro Pereira narrou a primeira etapa de Brasil x Tchecoslováquia. E justamente aqui que temos as curiosidades mais saborosas. Como se sabe, a transmissão da Copa do México foi dividida em diversos pools (entenda mais aqui). Um deles, o de São Paulo, que envolveu as rádios Jovem Pan, Bandeirantes e Nacional (hoje Globo) enfrentou dificuldades técnicas logo de casa. A saída para essas emissoras foi usar o áudio da Guaíba-Continental, que chegava sem problemas ao Brasil. Com isso a transmissão  de Pedro Carneiro, um dos maiores narradores do Rio Grande do Sul, foi ouvida pelos paulistanos. Em vários trechos de sua narração, ele informa os problemas técnicos vividos pelos paulistanos e anuncia o nome das rádios.

O pool de São Paulo só conseguiu entrar no ar aos 8 minutos do segundo tempo, com  Joseval Peixoto, representando a Jovem Pan, saudando os ouvintes e passando o comando para Fiori Giglotti, da Bandeirantes. “Ninguém pode imaginar o drama e o sacrifício que vivemos, que experimentamos até agora para que nosso som chegasse ao Brasil, disse o locutor da torcida brasileira. Fiori e Joseval fatiaram a transmissão do que restou daquele segundo tempo (ouça aqui o áudio disponibilizado pelo jornalista Thiago Uberreich).

A transmissão do pool Guaíba-Continental seguiu normal para as duas rádios, com Clóvis Filho assumindo a narração. Aliás, essa reprise veiculada pela rádio porto-alegrense serviu também para resgatar um a memória da  Continental, que operava nos 1030Khz e era uma das grandes audiências locais durante o futebol.

Pedro Carneiro Pereira foi diretor do departamento de esportes da Rádio Guaíba. Além disso, sua outra paixão era pela pilotagem. Ele morreu em 1973, aos 35 anos, em um acidente durante a 4ª etapa do campeonato gaúcho de carros turismo, no autódromo de Tarumã, em Porto Alegre.

Ouça no link abaixo a íntegra de Brasil x Tchecoslováquia.

https://www.facebook.com/613005798713948/videos/853548625138549/

Pedro Carneiro Pereira

Ouça José Silvério sem Tieline e com Tieline

Por Rodney Brocanelli

Ontem o Radioamantes publicou um post sobre o Tieline, um decodificador (ou codec) que converte o som telefônico em som de estúdio. Esse aparelho melhora muito a qualidade das transmissões externas e vem sendo usado por diversos profissionais de rádio que estão apresentando ou participando de programas (leia mais aqui).

No entanto, faltaram exemplos sonoros para demonstrar a diferença da qualidade de som. Para isso, vamos pegar duas narrações de José Silvério em dois momentos diferentes da história.

Em 1978, pela Rádio Jovem Pan, Silvério transmitiu as emoções da Copa da Argentina. Destacamos aqui o gol da vitória da seleção brasileira sobre a seleção italiana, marcado por Dirceu, na disputa pelo terceiro lugar. Reparem que o som tem a qualidade de uma ligação telefônica.

Agora, vamos destacar um registro da Copa da Rússia, em 2018, 40 anos depois. A partida em questão é Brasil x México, com vitória brasileira (e sofrida) pelo placar de 2 a 0. O narrador já estava na Rádio Bandeirantes. Com o avanço tecnológico e o uso do Tieline, notem como a qualidade de som tem um ganho substancial. O áudio é em estéreo e o ouvinte tem a sensação que José Silvério está no estúdio (o que não era o caso).

Silvério Pan e Bandeirantes

No podcast Nossa Conversa, Wanderley Nogueira entrevista paciente infectado com o Coronavírus

Por Rodney Brocanelli

Muitas emissoras estão deslocando profissionais do departamento de esportes para ajudar na cobertura da pandemia do Covid-19, mais popularmente conhecido como Coronavírus. Na Rádio Jovem Pan, destacamos a entrevista que Wanderley Nogueira fez com o decorador Renato Correa, de 29 anos, infectado com o Coronavirus. Ele esteve internado por vários dias no Hospital Oswaldo Cruz. Devidamente medicado, Correa foi para casa, mas está em regime de isolamento. Tossindo e quase sem fôlego, falou por telefone sobre seu sofrimento. Um impressionante relato. A entrevista está publicada no podcast Nossa Conversa, no qual Wanderley sempre recebe convidados especiais.

Ouça, clicando aqui.

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Coronavírus muda rotina em emissoras de rádio

Por Rodney Brocanelli

O Covid-19, popularmente conhecido como Coronavírus, está mudando a rotina de muitas emissoras de rádio no ar e fora dele. A Rádio Sul América Paradiso, do Rio de Janeiro, tomou algumas medidas. Segundo o site Audência Carioca, a emissora suspendeu a veiculação ao vivo do programa Manhã Paradíso, comanado por Roberto Canázio. O comunicador está com 71 anos e está dentro do grupo de risco de contágio. Em seu lugar, entra uma programação que vai mesclar jornalismo com música. Seus estúdios ficam dentro do Shopping Bossa Mall, no Aeroporto Santos Dumont. Por outro lado, os programas Rio na Palma da Mão e Hora do Blush seguem no ar e ao vivo, mas não haverá a presença de convidados no estúdio, conforme a apuração do Audiência Carioca.

Ainda no Rio, a Rádio Roquette Pinto ( atualmente conhecida como 94 FM) não terá  programas ao vivo nesta semana, em princípio A equipe de produção tem ido aos estúdios para gravar conteúdo especial a ser veiculado neste período. O jornalismo vai trabalhar em esquema de plantão, conforme a apuração do jornalista Gabriel Gontijo.

Em São Paulo, a Rádio Jovem Pan suspendeu a presença de público para acompanhar o programa Pânico nos estúdios. Um comunicado divulgado nas redes sociais informa que assim que a situação se estabilizar, a seleção da plateia voltará ao normal (clique aqui pra ver).

A Rádio Bandeirantes não terá entrevistas presenciais em seus estúdios até segunda ordem. Elas não vão deixar de ser veiculadas, mas deverão acontecer via skype ou telefone. O mesmo valerá para a participação de colunistas.

O Linha Direta com a Justiça, tradicional quadro da emissora que conta com a participação de advogados e juristas foi ao ar hoje com as intervenções de seus convidados feitas pelo telefone (veja aqui).

Outra medida da emissora do Morumbi é que agora cada apresentador fica com uma espuma de microfone personalizada, sem uso por mais de um, informa Edu Cesar, do Papo de Bola.

No que diz respeito à sua programação, a Bandeirantes cancelou o Resenha, Futebol e Humor desta segunda-feira. Em seu lugar entrou uma edição especial do  “RB News” apresentado por  Bruna Barboza e Bernardo Ramos no seu horário.

Outras emissoras poderão adotar medidas semelhantes as que foram descritas acima.

Na área administrativa, algumas rádios liberaram seus funcionários para trabalharem em casa.

Por outro lado, a pauta Coronavírus está influenciando até em programas esportivos. O Esperando o Futebol,  pré-jogo da Rádio Guaíba, dedicou boa parte de seu tempo ao tema e suas implicações no mundo do futebol neste último domingo. No Brasil, as partidas de vários campeonatos regionais foram disputadas sem a presença de público, exemplo do campeonato gaúcho. Claro que o momento é sério, mas não seria surpresa se a emissora mudasse o nome da sua atração, naquele momento, para Esperando o Coronavírus (veja aqui).

Coronavírus

 

Marco Antônio Villa retorna à Jovem Pan analisando crise entre Irã e EUA

Por Rodney Brocanelli

Conforme amplamente noticiado, aconteceu nesta segunda-feira (06) o retorno de Marco Antônio Villa ao Jornal da Manhã, da Rádio Jovem Pan. Logo em sua reestreia,  após uma breve saudação de retorno do apresentador Victor Brown, o comentarista falou sobre a crise Irã-EUA, que tem tirado o sono de muita gente pelo planeta. Villa disse que toda essa tensão envolvendo os dois países é horrorosa para o Brasil, uma vez que o país precisa de um cenário internacional estável para receber investimentos estrangeiros. Ele pede neutralidade nesse momento, pelo fato de o Irã comprar daqui quase que R$ 2 bilhões por ano. Veja mais no player abaixo.

A participação de Villa nesse retorno se deu a partir das 07h30. Resta saber se este horário será rotineiro.

Villa na Pan

A volta dos que não foram: Marco Antonio Villa retorna à Jovem Pan

Por Rodney Brocanelli

O sempre bem-informado Flávio Ricco publica em sua coluna no UOL que o professor Marco Antonio Villa deverá retornar ao microfone da Rádio Jovem Pan no início de 2020. Houve uma reunião entre Villa e os donos da emissora, Tutinha e Marcelo Carvalho na qual o acordo foi sacramentado (saiba mais aqui).

O modo como ocorreu essa reaproximação foi bem curioso e foi contato pelo próprio Ricco em um texto anterior. Villa estava na agência do banco onde tem conta,  que ,por coincidência, fica no prédio onde a Jovem Pan estava instalada. Lá, ele encontrou o Tutinha. Ambos começaram a conversar e um dos manda-chuvas da Pan o convidou para conhecer os novos estúdios (saiba mais aqui).

A conversa avançou de forma rápida. Villa deverá estrear no dia 6 de janeiro, no Jornal da Manhã, mas sua participação na Pan não deverá ficar apenas nisso.

Marco Antonio Villa esteve na Jovem Pan até junho deste ano. Deixou a emissora em meio a divergências internas, que pareciam irreconciliáveis.

No mês de julho, estreou na Rádio Bandeirantes, participando de forma ativa do Primeira Hora. Alegando cansaço, resolveu pedir para encerrar sua participação no jornal. A emissora, em nota, informou que existia a possibilidade de um novo projeto para ele na casa, mas isso acabou não se confirmando.

A volta de Villa à Jovem Pan pode ser um bom exemplo aos clientes que não gostam de ir ao seu banco. Uma visita presencial, as vezes, pode gerar mais do que um bom negócio.

marco-antonio-villa

 

Vera Magalhães deixa Jovem Pan com direito a duas despedidas

Por Rodney Brocanelli

Hoje aconteceu a despedida oficial de Vera Magalhães da Rádio Jovem Pan. A jornalista vai assumir o comando do Roda Viva, tradicional programa de entrevistas da TV Cultura. Ela vai substituir Daniela Lima, que está se transferindo para a CNN Brasil.

Vera teve a chance de se despedir nos dois programas de que participa da Jovem Pan. Durante o Jornal da Manhã, disse que foram três anos “nesse jornal que eu cresci ouvindo, indo para a escola atrasada”. Acrescentou que o “repita” fez parte de sua vida desde sempre. “Foi um privilégio”, afirmou.

Já no 3 em 1, ouviu mensagens carinhosas de despedida dos colegas de bancada. O apresentador Vitor Brown disse que Vera é uma das grandes jornalísticas políticas da atualidade. “É completa”, declarou. Josias de Souza, sempre circunspecto, não conseguiu conter a emoção e passou a bola para Rodrigo Constantino. “Nós tivemos nossos embates calorosos, mas sempre tive muito respeito pelo trabalho da Vera”, disse Rodrigo. Recuperado, Josias conseguiu retomar a palavra: “Lamento que não vá  desfrutar mais desse convivo diário com sua inteligência, com a sua competência, com a sua vivacidade”.

Em seguida, também emocionada, Vera disse que fez questão de ter a presença no estúdio do jornalista Patrick Santos, um dos primeiros apresentadores do 3 em 1, e que a levou para a emissora. “Assim como entrei com ele, quero sair com ele”, afirmou.

A jornalista falou sobre a experiência de fazer rádio: “Nunca esperei fazer rádio. Nunca esperei gostar tanto de fazer rádio (…) É uma paixão que eu levo. E que acho que vai permanecer”. Vera se colocou à disposição para participar dos podcasts da emissora e de programas como o Morning Show.

Vera também disse que o nome do programa, 3 em 1, foi dado por ela e ele saiu em uma sessão de brainstorm (em resumo, trata-se de uma técnica em que é possível externar várias ideias a respeito de um tema, sem a possibilidade de críticas, para depois avaliar e selecionar as melhores).

Ela seguirá como colunista do jornal O Estado de S.Paulo.

Veja abaixo as despedidas de Vera Magalhães.

Vera Magalhães

Morre Guilherme Amaral

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta terça-feira, o jornalista Guilherme Amaral. Ele era conhecido dos ouvintes de rádio da capital por trazer informações da baixada santista. Trabalhou em emissoras como Bandeirantes e Jovem Pan. Nesta última, ele permaneceu por 27 anos. A causa da morte não foi divulgada. O anúncio ocorreu durante o programa Balanço Geral, da TV Record. Ele tinha 72 anos.

Guilherme Amaral era pai da também jornalista Fabiola Reipert, do quadro A Hora da Venenosa, da TV Record.

Ouça abaixo um registro de Guilherme Amaral, de 2015, na Rádio Jovem Pan.

Guilherme Amaral

 

Jovem Pan inaugura seu novo estúdio digital; Jornal da Manhã entra em nova fase

Por Rodney Brocanelli

A Rádio Jovem Pan estreou nesta terça-feira (05) o seu novo estúdio digital, batizado de Complexo Antonio Augusto Amaral de Carvalho, uma homenagem ao Seu Tuta. A partir dele será transmitido o Jornal da Manhã para as plataformas em que a emissora atua: rádio (AM e FM) e Internet (Facebook e YouTube). Logo de cara, o jornalístico nessa nova fase já teve seu primeiro convidado: João Dória, governador de São Paulo,  que foi recebido pelo âncora Thiago Uberreich e também por Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, diretor presidente do Grupo Jovem Pan. Em seguida ele foi levado ao estúdio principal, onde se encontrou com a equipe do programa para conceder uma entrevista

Outro convidado especial foi Joseval Peixoto, nome histórico do Jornal da Manhã, que em sua intervenção se disse fascinado com o novo estúdio. Joseval lembrou quando iniciou a fase jornalística da Pan, com o JP Opinião, em 1966. Segundo ele, não havia redator nem diretor. O programa era feito com a leitura dos jornais que eram do Dr. Paulo Machado de Carvalho.

Mesmo com toda a modernidade, a tradição da hora certa foi mantida, agora com a participação dos âncoras. Kallyna Sabino, recém-contratada pela emissora após deixar o SBT,  foi quem disse o famoso “repita” a Thiago Uberreich.

Após a entrevista com Dória, o jornal seguiu seu curso, com o noticiário do dia e as participações dos comentaristas Augusto Nunes, Denise Campos de Toledo, Felipe Moura Brasil, Bruno Garschagen, Sammy Dana, Vampeta,  e da equipe de repórteres e correspondentes.

No final, o encerramento ficou a cargo de Joseval Peixoto. “Esse anfiteatro em que estamos é o resultado do que começou lá atrás, em 1966”, referindo-se ao JP Opinão. Ele lembrou que o jornalístico foi tirado do ar por duas vezes, uma quando morreu o guerrilheiro Che Guevara, e a outra por ocasião da prisão de estudantes no famoso congresso da UNE, em Itaici (SP). Em seguida, ele falou muito sobre a liberdade de expressão, e as tentativas de cerceá-la.

Veja nos vídeos abaixo.

Jornal da Manhã

Rádio: em defesa da isenção dos direitos de transmissão, Jorge Kajuru diz que vai se reunir com Bolsonaro e coletar assinaturas

Por Rodney Brocanelli

Em entrevista concedida neste domingo à Rádio Jovem Pan, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO)prometeu mobilização contra a possível cobrança das emissoras de rádio para que estas transmitam as partidas  de futebol organizadas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Kajuru disse que já marcou uma audiência o presidente Jair Bolsonaro. Além disso, ele afirmou que está coletando assinaturas de seus colegas e informa já um total de 43 delas. O senador declarou também que enviou um requerimento a Paulo Tonet, presidente da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) e vice-presidente da Rede Globo procurando mostrar a importância do rádio para o futebol.

Durante a entrevista concedida a Wanderley Nogueira e Flavio Prado, o senador fez duras criticas aos dirigentes de futebol: Não tem cabimento esse vice-presidente da CBF, que está morrendo de medo da CPI do Esporte e toda hora manda recados para mim, dizendo que ‘essa CBF é diferente da outra’, dizer que é igual Copa do Mundo… Que comparação chumbrega! Querer comparar venda de direitos de transmissão de um evento que ocorre a cada quatro anos no mundo, que movimenta bilhões de dólares, com Campeonato Brasileiro… Querer cobrar Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e Estaduais com o intuito exclusivo de enriquecer ainda mais as federações em sua maioria corruptas, essas que recebem mensalinho? São elas que estão forçando a CBF para que o rádio pague direitos de transmissão”, disse.

O debate sobre a venda de direitos de transmissões das partidas de futebol organizadas pela CBF ganhou corpo novamente após as declarações de Francisco Novelletto, vice-presidente da entidade ao site GaúchaZH: “Eu estou falando pela minha cabeça e por mim: no ano que vem, só vai transmitir quem pagar, e está absolutamente certo. Tem que ser como na Copa do Mundo. Eu estou acelerando para que isso seja implementado já no ano que vem e posso dizer que o movimento se acelerou após a entrevista do Andrés. Ele que está puxando, mas já existem outros presidentes que são favoráveis”. O cartola cita uma entrevista de Andrés Sanches, presidente do Corinthians, no sábado retrasado, antes de Grêmio x Corinthians, em que questionou a presença de um grande número de veículos de comunicação para a cobertura da partida (saiba mais aqui). O dirigente corinthiano foi duramente criticado pelo senador Jorge Kajuru em sua entrevista à Jovem Pan.

Ouça a entrevista do senador Jorge Kajuru à Rádio Jovem Pan clicando no link abaixo:

https://jovempan.com.br/esportes/futebol/fim-do-futebol-no-radio-kajuru-se-revolta-marca-audiencia-com-bolsonaro-e-detona-andres-e-um-lixo-nao-reciclavel.html

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45 Do primeiro tempo é o novo podcast da Rádio Jovem Pan

Após quatro meses desde o lançamento do livro best-seller: 45 Do primeiro tempo, que entrou para a lista dos mais vendidos da PublishNews, publicado pela Literare Books International, o jornalista, apresentador e escritor Patrick Santos lança seu primeiro podcast homônimo da obra.

A ideia é trazer para a Rádio Jovem Pan um bate-papo sobre carreira e propósito de vida com personalidades que se reinventaram ao longo de suas caminhadas profissionais. A proposta do jornalista surgiu após o seu sabático, onde pôde refletir sobre diversos aspectos, estes que serão levantados com os convidados para que os ouvintes possam ter um novo olhar sobre suas carreiras, sem se esquecer de seus propósitos, da felicidade e, claro, do legado que deixarão. Ou seja, viver de forma plena e consciente prezando pela qualidade de vida e bem-estar na área atuante.

A primeira convidada é a jornalista Claudia Giudice, autora do blog e do livro A vida sem crachá, que conta histórias, inspirações e desafios de quem partiu para um “Plano B”. As conversas serão inseridas no site da Rádio Jovem Pan todas as sextas-feiras no período matutino. Para quem prefere as plataformas, o podcast estará disponível em todas: Spotify, Deezer, iTunes ou qualquer outra da preferência do ouvinte.

Patrick Santos

Memória: em 1979, Telê Santana diz à Jovem Pan que treinar seleção brasileira não era seu objetivo final

Por Rodney Brocanelli

1979. Telê Santana era o nome da vez no futebol brasileiro. Graças ao trabalho desenvolvido no Palmeiras, ele começou a ser bastante elogiado pela imprensa especializada da época e passou a ser um nome cotadíssimo para assumir a seleção brasileiro. Porém, em dezembro daquele ano, em meio as fases decisivas do campeonato brasileiro, Telê concedeu uma longa entrevista ao Jornal dos Esportes, da Rádio Jovem Pan, dizendo que esse não era seu objetivo final. “Muitos vão para a seleção mais por vaidade, sabendo que vão encontrar uma dificuldade muito grande para começar um trabalho. A vaidade as vezes é maior que o próprio interesse de cada um. Talvez nem seja pelo que vão ganhar, mas sim pela vaidade de dizer que foi técnico da seleção brasileira. Honestamente, eu não tenho essa vontade e nem essa vaidade”.

Ainda nessa mesma entrevista, José Silvério, então narrador principal da Jovem Pan questionou a Telê se ele aceitaria um convite da então CBD. “É quase certo uma recusa. Eu acho que não se tem um bom clima para trabalhar na seleção”. Telê prosseguiu: “Isso envelhece demais, desgasta, acaba, não só com o profissional como também com toda sua família”.

Outro motivo alegado por Telê nessa mesma entrevista é o fato de que muitos jogadores ditos”de cartaz” não aceitariam seus métodos de trabalho. Em seguida, Silvério perguntou se o treinador não gostava de trabalhar com estrelas. “Infelizmente, nossas estrelas não gostam de trabalhar e quando sentem que o técnico é um pouco mais duro reclamam para o dirigente e o que quase sempre acontece é o técnico espirrar, sair de seu caminho porque entre um técnico e um jogador, eles (os dirigentes) dão preferência ao jogador”, respondeu.

Apesar de todas essas justificativas dadas nessa entrevista à Jovem Pan, Telê Santana aceitou o convite para dirigir a seleção brasileira. Aparentemente, a maioria dos nomes “de cartaz”  do futebol na época aceitaram seus métodos de trabalho. Esteve em duas Copas do Mundo: 1982 e 1986. Na primeira, montou um time que, apesar das falhas, encantou o planeta. Sofreu as pressões inerentes ao cargo e saiu dele com a fama de fracassado. Teve sua redenção como treinador de clube no começo da década de 1990, quando passou a dirigir o São Paulo. Ouça abaixo esse registro histórico.

Telê Santana & José Silvério