Jovem Pan e a monetização do inaceitável

Por Marcos Lauro

A edição mais recente do programa Greg News foi sobre a Jovem Pan. Na última sexta (24), a premiada atração da HBO, que vai ao ar semanalmente no canal fechado e no YouTube sempre com um tema específico, dedicou seus quase 30 minutos de duração à emissora, suas empresas coligadas e sua equipe de comentaristas.

De maneira didática, o apresentador Gregório Duvivier foi escalando as questões problemáticas que envolvem a Jovem Pan desde a sua fundação, oriunda da Panamericana S.A., até o mais recente episódio que envolveu a concessão do canal 32 UHF, que já abrigou a revolucionária MTV e hoje, de maneira irregular e ilegal, corre o risco de ir parar nas mãos de Tutinha. O programa, como já citado, é bastante didático e está, na íntegra, logo abaixo:

O programa é completo e não há muito o que acrescentar a ele. A visão panorâmica mostra o ponto em que chegamos em alguns processos de comunicação, onde o inaceitável é tratado como conteúdo. Aqui nesse texto, de 2018, expliquei a estratégia de programas com o Pânico de recortar trechos impactantes do dia para atrair visualizações no YouTube e, consequentemente, monetização. Nessa atualização mais recente da Jovem Pan, desde 2015, outro tipo de conteúdo mal-feito e nocivo ganha monetização: o político. Claro que isso não difere do que é feito em centenas de outros canais obscuros e que também ganham dinheiro com isso. Mas esses canais não carregam um nome que já foi referência no fazer rádio aqui no Brasil, um nome que já foi criador de tendências musicais e comportamentais, que já fez rir de forma genuína e descompromissada.

A Jovem Pan, como qualquer outra empresa de comunicação, fala a linguagem do dinheiro. Mas com um certo cuidado e preocupação com reputação e relevância, é possível pesar bem as decisões. Temos centenas de bons exemplos pelo Brasil, de empresas de comunicação que conseguem diminuir o peso do dinheiro no seu resultado final, no que é apresentado ao público, e fazem um bom trabalho. E não falo aqui de imparcialidade, essa lenda urbana que persegue o jornalismo há tantos anos. É possível ter lado e ser honesto. Mas Tutinha e sua Jovem Pan desistiram desse caminho – e já faz muito tempo. Tudo pelo dinheiro.

Fantasma do Coronavírus assombra bastidores de uma emissora de rádio

Por Rodney Brocanelli

O fantasma da Covid-19 tem assombrado os bastidores de uma importante emissora de rádio de São Paulo.

Um de seus profissionais não tomou as duas doses da vacina e deixou bem claro aos seus colegas que não pretende se vacinar. Entretanto, com essa postura negacionista, ele foi apanhado pelo vírus.

Um outro também foi diagnosticado com vírus e desfalcou seu setor em um recente plantão de final de semana. Seu colega acabou sobrecarregado.

Nunca é demais lembrar que o ambiente de rádio é bem propício para a disseminação do Covid-19, popularmente conhecido como Coronavírus.

Muitos dos que frequentam a emissora já estão acima dos 75 anos, especialmente um de seus profissionais que é bastante querido grande parte do público.

Essa situação é preocupante. E o homem lá de Brasília tem muita culpa nisso.

Narrador faz desabafo anti-racista após gol de Celsinho, do Londrina

Por Rodney Brocanelli, com informações do portal Ponte.jor

O narrador Gabriel Carriconde, da Rádio Cidade, de Curitiba, fez um desabafo anti-racista na noite da última quarta (1º) durante a transmissão de Londrina 2 x 3 Coritiba, partida válida pela série B do campenato brasileiro de futebol. Pouco depois de Celsinho, jogador do Londrina fez um dos gols de sua equipe, Gabriel desabafou: “Respeita o povo negro deste país. Respeita o cabelo Black Power. Respeita a históra deste povo sofrido que constroi a história desta nação. Respeitem o Celsinho. Respeitem o camisa 10 do Londrina”.

Infelizmente, mais uma vez o atleta foi vitima de uma ofensa racista. Desta vez, na partida contra o Brusque, ocorrida no último dia 28 de agosto. Ele relatou que foi xingado de macaco por alguém ligado ao time adversário. A partida aconteceu na cidade de Brusque (SC). O clube divulgou uma nota, totalmente abominável, acusando o jogador de ser oportunista. Entretanto, o próprio Londrina deu o xeque-mate ao divulgar um vídeo da transmssão de televisão no qual é possível ouvir claramente a ofensa (veja mais aqui).

Não é a primeira vez que Celsinho enfrenta situações desse tipo. Profissionais de rádio lamentávelmente proferiram falas racistas em relação ao jogador em duas ocasiões. Uma delas em Goiânia (veja aqui). A outra aconteceu em Belém (leia aqui). Todos os responsáveis (ou irresponsáveis, por que não?) foram afastados de suas funções.

A manifestação anti-racista de Carriconde é mais do que bem-vinda. E talvez seja a deixa para que outros nomes do microfone possam tomar posição nessa luta. Veja abaixo.

SBT volta a anunciar em rádio, desta vez para divulgar a Uefa Champions League

Por Rodney Brocanelli

Depois de usar o rádio para divulgar as suas transmissões da Copa Libertadores da América, o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) voltou a usar o veículo para desta vez anunciar que também vai levar aos seus telespectadores as emoções da Uefa Champions League, a maior competição interclubes da Europa.

Téo José é mais uma vez o astro deste comercial, com 30 segundos de duração. Ele é bem diferente do spot sobre a Libertadores usado na semana passada. Este é mais formal, praticamente um comunicado (saiba mais aqui).

Desta vez, para informar sobre a Champions, usou-se um outro tom, mais adequado a um anúncio publicitário. O narrador pede para o ouvinte pegar uma caneta e anotar a data da primeira transmissão, 17 de agosto. Esse recurso lembra a estética de programas populares de rádio e seus testemunhais publicitários. Ouça no player abaixo.

O anúncio já está em alta rotação nos intervalos de emissoras espalhadas pelo país. Mais uma vez, a Rádio Gaúcha faz parte do esquema publicitário, como informa Edu Cesar, do Papo de Bola. Aguardemos pelo comentário de Pedro Ernesto Denardin.

Orlando Drummond começou sua carreira no rádio como contrarregra e radioator

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta terça (27) o ator Orlando Drummond aos 101 anos. Ele morreu em casa, mas desde maio a sua saúde inspirava cuidados. Ele foi internado em um hospital do Rio de Janeiro devido a uma infecção urinária, ficando na unidade semi intensiva. Recebeu alta no mês de junho. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e enterro.

Conhecido por seu trabalho com dublador e como interprete do icônico Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo, Orlando Drummond começou sua carreira no rádio, como contrarregra, na Rádio Tupi, em 1942. Por influência de Paulo Gracindo passou a ser radioator a partir de 1946, interpretando personagens de sucesso na época como  Lúcio, o Granfino, Enxolino Sacoso, Takananuka, um japonês e o Taco, um índio que fazia dupla com Pataco, interpretado por Otávio França. Ambos eram conhecidos pelo bordão “Pezinho pra frente, pezinho pra trás”. Eles foram revividos anos depois no extinto Zorra Total, da TV Globo. Nessa nova versão, Paulo Silvino deu vida a Pataco.

Muito provavelmente não devam existir registros de Orlando Drummond no rádio. Vamos relembrar Tato e Pataco no Zorra Total.

Grupo RBS anuncia investimento de R$ 63 milhões em canais de distribuição de rádio e televisão

Até 2024, o Grupo RBS pretende investir R$ 63 milhões na modernização de seus parques tecnológicos de rádio e televisão, em desenvolvimento de produtos e em cultura digital. Parte desses recursos será aplicada ainda em 2021, em um novo ciclo de transformação dos negócios de rádio, que envolve evoluções em produto, tecnologia e posicionamento de marca.

Serão R$ 14 milhões que garantirão a modernização de toda a infraestrutura de rádio, reforçando a crença da empresa no meio, preparando a RBS para adotar novas soluções que surgem para a rádio do futuro, como transmissão em novas plataformas, novos formatos de consumo e segmentação de mídia. Desta forma, a RBS estará mais preparada para integrar suas rádios nos meios digitais às tendências do futuro – como rádio híbrida, rádio com conteúdo de vídeo e mídia programática –, além de facilitar a integração com dispositivos automotivos, assistentes digitais (Alexa, Google home etc.) e internet das coisas (IoT). Além disso, também haverá investimentos em equipamentos para as equipes de conteúdo, garantindo ainda mais mobilidade, leveza e agilidade nas coberturas de jornalismo e de entretenimento, e maior capacidade de produzir materiais on demand, como podcasts para diferentes plataformas, e de criar novas rádios digitais, mantendo a qualidade e a confiabilidade do sinal FM.

Acompanhando esse processo e em linha com a redução do consumo mundial de rádio no AM, a RBS não irá mais transmitir a programação de suas marcas nessa banda a partir do dia 31 de julho. Gaúcha e Farroupilha seguirão presentes no dia a dia dos ouvintes no digital, no FM e em outras plataformas. A decisão segue a evolução no comportamento de consumo de mídia dos gaúchos e leva em conta fatores como a qualidade de áudio e a redução na baixíssima disponibilidade de receptores para AM disponíveis no mercado. O movimento também antecipa a tendência de que o AM deixe de existir no país.

A Gaúcha, já presente no FM, única emissora de news líder no país há 75 meses, seguirá no dial 93.7 (Porto Alegre), 105.7 (Santa Maria), 102.1 (sul do Estado) e 102.7 (Serra), e de forma digital, a partir do site e do aplicativo de GZH, meios que alcançam, hoje, 92,3% do público da marca. Desse índice, 6% dos ouvintes da Gaúcha já acessam o conteúdo via GZH, e a tendência é de um aumento exponencial do consumo de áudio em digital, já que outros devices estão ganhando protagonismo (como smarthphones, tablets, notebooks e smart TVs). Segundo estudo Inside Radio 2020, realizado pela Kantar IBOPE Media, 46% dos ouvintes de rádio entrevistados ouviram serviços de streaming de áudio durante a pandemia e 25% aumentaram esse consumo.

A partir de agosto, a Gaúcha ainda terá um novo posicionamento, reforçando seu papel de marca de jornalismo forte e contundente, palco onde acontecem os principais debates e onde se manifestam as vozes que influenciam o contexto gaúcho. Também haverá novidades na programação.

Assim como a Gaúcha, a Farroupilha seguirá presente na rotina dos ouvintes de forma digital, a partir do player no site do Diário Gaúcho e do aplicativo da marca, disponível de forma gratuita em Android e IOS. Com 85 anos, a Farroupilha é uma marca importante na história do Grupo RBS e do Rio Grande do Sul. Por isso, também sua essência continuada a partir da presença do comunicador símbolo da rádio – Gugu Streit – em novos espaços da RBS. A partir de 2 de agosto, Gugu terá um espaço na rádio 92, das 5h às 8h, de segunda a sábado, no programa Bom Dia 92. Além disso, passará a participar do Bom Dia Rio Grande, da RBS TV. O comunicador também levará conteúdos especiais para o Spotify, onde comandará um podcast, e segue assinando sua coluna no Diário Gaúcho.

Investimento em TV será de R$ 49 milhões

Na RBS TV essa atualização já começou. Em 2019, a empresa iniciou a atualização de equipamentos de operação e transmissão, possibilitando avanços na produção de conteúdo em todo o Rio Grande do Sul. A iniciativa permitiu um novo jeito de fazer jornalismo, mais dinâmico, ágil e flexível. O novo modelo está, agora, na etapa de digitalização de processos, com instalação de tecnologias que oportunizam aumento na qualidade das entregas, mas novidades ainda estão por vir. Ao todo, serão investidos R$ 49 milhões em quatro anos.

– Em breve, o consumidor perceberá os avanços significativos de qualidade, e os clientes terão uma gama de novas oportunidades de relacionamento com o público. Somos uma empresa de conteúdo, de jornalismo, esporte e entretenimento, e a tecnologia é o suporte para toda essa produção. Ou seja, trata-se de uma evolução na qual a tecnologia passa a estar relacionada com todas as áreas da empresa, buscando mais inteligência e competitividade. O futuro já chegou – ressalta o presidente da RBS, Claudio Toigo Filho. 

Os investimentos permitirão à RBS participar do avanço pós-TV digital HD, adotando tecnologias que facilitem personalização de conteúdo, alta qualidade e expansão de negócios – as TVs 2.5 e 3.0. A atualização possibilitará que funcionalidades características da televisão se integrem a recursos interativos digitais, como dispositivos de segunda tela, 5G, vídeo on demand, publicidade direcionada, antena interna e melhoria da qualidade de áudio e vídeo pela internet. Com a evolução dos aparelhos de televisão (smart TVs), incluindo ampla conectividade com internet, capacidade de resolução 4k e outras vantagens, a empresa tem se aprofundado nas tendências mundiais de desenvolvimento e investido sistematicamente na atualização de infraestrutura e equipamentos de operação e transmissão.

APCA divulga vencedores da categoria rádio em 2020

Em um ano marcado pela pandemia, em que a produção artística sofreu grande impacto por conta do isolamento social, o “rádio” continuou sendo um importante veículo de informação, prestação de serviço, e entretenimento. Assim, seguindo orientação da diretoria da Associação Paulista de Críticos de Arte, que limitou a três vencedores em cada categoria, os críticos de Rádio da APCA decidiram por realizar uma premiação diferente, contemplando os segmentos: valorização do rádio, profissional do ano e podcast (veja os indicados neste link).

Eis os vencedores:

Valorização do Rádio:

· Luiz Fernando Magliocca, que esteve ligado a momentos importantes do rádio desde os anos 70. Em 2020, o radialista realizou lives temáticas para reunir importantes nomes do meio e, entre as séries que produziu merecem destaque as destinadas a contar as histórias das emissoras DifusoraJet Music e Excelsior (Máquina do Som).



Profissional do Ano:

· José Eduardo Piedade Catalano – mais antigo radialista profissional na ativa, que comemorou 72 anos de trabalho, na apresentação de programas na Rádio Difusora de Santa Cruz do Rio Pardo/SP.



Podcast:

· Atenção, Silêncio no Ar

Criação, produção e apresentação do radialista César Rosa. Em pauta, a história do rádio FM paulistano. Os episódios são divididos em capítulos e baseados e livro homônimo a ser lançado em breve.

A entrega dos prêmios deverá ser definida em breve.


Votaram: Fausto Silva Neto, Marcelo Abud, Marco Antônio Ribeiro, e Maria Fernanda Teixeira.

 

O rádio na noite de terror em Criciúma

Por Edu Cesar, do Papo de Bola

O começo desta terça foi horrível no sul de Santa Catarina, já que um bando de criminosos armados até os dentes assaltou o Banco do Brasil e intimidou a cidade inteira, posicionando-se em diferentes bairros e atirando até não poder mais. Vídeos apavorantes dominaram especialmente o Twitter e muitos foram os relatos extremamente tensos. E o rádio não ficou de fora disso, especialmente o esportivo, já que profissionais dele se envolveram nisso.

A intimidação foi tamanha que nem as emissoras de rádio criciumenses puderam prestar serviço e informar a população. A Eldorado é uma que sofreu diretamente com isso. Há mais de 15 anos acompanho Dante Bragatto Netto narrando jogos do Criciúma, inclusive sábado passado ele veio a Porto Alegre fazer a partida diante do São José no Passo D’Areia. Nunca imaginei que escutaria ele falando para cá por causa de algo agoniante como o que ocorreu nesta terça, quando terminava o programa “Companhia da Noite” e ele e o sonoplasta perceberam tiros próximos à sede da estação. A retransmissão da madrugada da BandNews FM foi cortada para que informações sobre o estado máximo de tensão fossem passadas. Porém, depois da 1h precisaram terminar tudo e sair do ar pois bandidos que estavam no ataque ameaçaram eles, que tiveram de se esconder numa parte superior do prédio da rádio.

O relato tenso demais do Dante foi dado na manhã desta terça ao “Timeline”, apresentado por Kelly Matos e David Coimbra na Rádio Gaúcha. Esta, aliás, em boa parte da madrugada foi basicamente a única fonte de informação ao vivo no dial brasileiro sobre o que acontecia em Criciúma. Ouvintes do “Esporte & Cia.” mandaram relatos perto da 1h sobre o que estava acontecendo e o apresentador Rafael Colling não teve dúvida: derrubou a pauta futebolística ainda durante um debate com os colegas Luciano Périco, Marcelo de Bona e Marcos Bertoncello. O jornalismo foi constante nas horas seguintes em vigoroso trabalho do Colling, da equipe técnica e dos produtores Gustavo Gossen e Karine Dalla Valle. Entrevistados foram colocados diretamente de Criciúma, como o ex-jogador colorado Valdomiro (durante a fala dele várias vezes se escutavam tiros perto de onde reside) e até o prefeito Clésio Salvaro.

Outro profissional esportivo envolvido no trabalho horas depois do estado de terror passar foi Janniter de Cordes, narrador da CBN/Diário de Florianópolis, que tem familiares em Criciúma e dirigiu-se para lá depois das 4h para cobrir as consequências de tudo que aconteceu. Também destaco um relato do Mário Lima, narrador da Som Maior FM, que disse no Facebook que o entorno do prédio onde mora pareceu a Faixa de Gaza em outros tempos, com armas de grosso calibre sendo disparadas o tempo todo durante mais de duas horas e um clima de guerra criado por encapuzados com roupas de combate em todas as ruas centrais enquanto ocorria o assalto. Cara… Até isso 2020 está nos proporcionando. Felizmente sem vítimas, ao menos isso. Mas e o terror psicológico?

O rádio se faz presente no dia-a-dia das pessoas, é verdade. E onde estão os anunciantes?

Por Rodney Brocanelli

Flavio Ricco, colunista do portal R7, trouxe neste último domingo (11) importantes informações sobre a presença do rádio na vida das pessoas. Em resumo, ele cita um estudo do Kantar Ibope Media sobre consumo de rádio. A pesquisa realizada entre os meses de abril e junho conclui que “78% da população em 13 regiões metropolitanas, ouvem rádio. Três a cada cinco pessoas escutam todos os dias, e cada uma, em média, 4h41”.

Além dos dados, Ricco destaca a transformação do meio rádio ao longo destes últimos anos “o fato é que pela sua versatilidade, o conteúdo em áudio tem, agora, várias formas de disseminação. O rádio, por exemplo, está presente há quase 100 anos no dia a dia dos brasileiros e não dá sinais de perder sua força e relevância. Acompanha a evolução”.

Outro ponto sobre o qual o jornalista se debruça é a capacidade do veículo ajudar em iniciativas educacionais, além de expandir a fronteira do aparelho de rádio: “ao longo de 2020, inclusive, o meio também se adaptou e se inseriu em um novo contexto, devido à pandemia. Marcou presença nas chamadas lives, diversificou a programação, foi parceiro de prefeituras e governos, transmitindo, ao vivo, parte do currículo escolar para que estudantes não perdessem o ano letivo. Indiscutível a sua relevância”.

Nada a opor aos fatos e argumentos apresentados no texto. No entanto, deixo aqui um outro aspecto para análise geral com base em uma pergunta: onde estão os grandes anunciantes que não enxergam todas essas vantagens do rádio?

Desde antes da pandemia, nota-se a ausência dos anunciantes de peso no rádio: grandes bancos, grandes fabricantes de eletroeletrônicos, grandes empresas alimentícias, etc.

Em entrevista recente ao perfil da Uninarra (Universdade dos Narradores) no YouTube, o narrador José Silvério, reparou nisto também. Falando sobre o seu universo, o do rádio esportivo, ele disse que a usual prática de se transmitir os jogos de futebol dos estúdios, e não dos estádios, afugentou os grandes patrocinadores. No lugar deles, entram outros, que não podem pagar o que os de maior porte pagavam. “Isso significa que o rádio não está faturando nada”, disse (veja mais aqui).

Vale destacar que o caso das jornadas esportivas é muito particular, mas os grandes anunciantes fugiram de outros espaços também, incluindo aí os jornalísticos.

Outro exemplo: uma grande emissora de rádio lançou um importante programa de entrevistas com transmissão simultânea no rádio e em outras plataformas populares da Internet, como Facebook e no YouTube. Com poucas semanas de vida, já levou ao ar a palavra de importantes nomes da política nacional e jornalistas com grande bagagem para sabatiná-los. Entretanto, durante os intervalos, apenas chamadas institucionais. E olha que o alcance de público não foi pequeno, como é possível aferir pelo número de vizualizações na Internet.

No rádio popular a situação não é muito diferente. A emissora de um importante comunicador e empresário, recém-lançada em São Paulo, tem como principal anunciante uma marca de café a qual ele empresta um de seus bordões. Não fosse por isso, talvez não houvesse café no bule das outras emissoras.

Além desses, existem outros exemplos. O rádio tem feito a sua parte e tem se inserido mais na vida das pessoas. Entretanto, para que o veículo possa dar sequência a isso, ele precisa do retorno do mercado publicitário. É perfeitamente compreensível que neste momento de pandemia, exista receio de se investir.

É sabido que existe um preconceito histórico das agências de publicidade com o rádio. Vários de seus departamentos, especialmente o de criação, preferem mais criar peças ou campanhas para outros veículos. Algo que não deixa de ser estranho, uma vez que é muito mais barato bolar anúncios específicos para o rádio que para meios, digamos visuais. E para as rádios que veiculam parte de suas programações em vídeo, basta usar o mesmo vídeo usado na tevê/cinema/YouTube.

Espera-se que no período pós-pandemia as coisas mudem, deixando de lado preconceitos relacionados à veiculação de campanhas no meio. O rádio agradece.

Leia no link abaixo, o texto de Flavio Ricco

https://entretenimento.r7.com/prisma/flavio-ricco/o-radio-sempre-se-fara-presente-no-nosso-dia-a-dia-11102020

 

 

 

Narradores de futebol viram caçadores de curtidas

Por Rodney Brocanelli

Nos últimos tempos, muitas emissoras de rádio passaram a veicular suas jornadas esportivas em sites como o Facebook e o YouTube. Essa é uma forma de procurar atingir a um público maior, além dos já tradicionais aparelhos receptores. Essas transmissões são popularmente conhecidas como lives, na linguagem da Internet. Elas servem também para divulgar seus respectivos perfis ao público que as prestigiam. O grande problema acontece quando os narradores deixam de lado o jogo para ficar pedindo por likes.

Pois é, verdadeiras feras da narração de futebol simplesmente abandonam a partida de futebol que está acontecendo e ficam pedindo repetidas vezes para que espectadores e ouvintes curtam os perfis das emissoras nos já citados sites. A briga não é mais por audiência, mas por número de curtidas.

Aliás, fala-se em curtida ou mesmo em like. No entanto, essas expressões designam nada mais que uma assinatura do internauta. No YouTube, ainda tem um outro recurso que é chamado de “sininho”. Clicando nele, o assinante passa a receber notificações de transmissões em geral ao vivo.

Nada contra esse tipo de divulgação. Afinal, para usar um clichê surrado, propaganda é a alma do negócio. No entanto, trocar as emoções da bola rolando em uma partida de futebol  para chamar likes, curtidas ou algo nessa linha de forma exagerada acaba por gerar aborrecimentos a quem apenas quer se informar sobre o que acontece dentro e fora das quatro linhas.

Nomes e emissoras não serão citados aqui para não ferir suscetibilidades. O Radioamantes já flagrou essa prática em pelo menos duas grandes rádios de São Paulo e vinda de narradores com larga experiência no ofício.

Rádios do Grupo Bandeirantes registram ótima audiência em março

A audiência das emissoras de rádio do Grupo Bandeirantes continua crescendo. Segundo pesquisa realizada pelo Kantar Ibope Media, março foi mais um mês de alta.

Cada ouvinte passou, em média, duas horas e quarenta e cinco minutos ligado na programação das rádios. Juntas, as emissoras atingiram mais de 468 mil ouvintes por minuto, conquistando um crescimento de 5% no número de ouvintes únicos. Isso representa mais de 5,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Com grande cobertura da pandemia do novo coronavírus, a Rádio Bandeirantes e a BandNews FM cresceram 17% na faixa das 17h às 20h.

As rádios musicais obtiveram um crescimento de 7%. A Band FM, que segue em primeiro lugar na audiência há mais de cinco anos, alcançou 2.280.575 ouvintes únicos, enquanto a Nativa FM atingiu 1.535.158.

Os bons resultados também foram sentidos nas redes sociais. No Facebook, no período de 17 a 25 de março, estudo da Plataforma Vibra indica crescimento de 62,6% nas impressões, 32,1% no engajamento e 39,1% de crescimento no número de visualizações.

grupobandeirantes

Coronavírus muda rotina em emissoras de rádio

Por Rodney Brocanelli

O Covid-19, popularmente conhecido como Coronavírus, está mudando a rotina de muitas emissoras de rádio no ar e fora dele. A Rádio Sul América Paradiso, do Rio de Janeiro, tomou algumas medidas. Segundo o site Audência Carioca, a emissora suspendeu a veiculação ao vivo do programa Manhã Paradíso, comanado por Roberto Canázio. O comunicador está com 71 anos e está dentro do grupo de risco de contágio. Em seu lugar, entra uma programação que vai mesclar jornalismo com música. Seus estúdios ficam dentro do Shopping Bossa Mall, no Aeroporto Santos Dumont. Por outro lado, os programas Rio na Palma da Mão e Hora do Blush seguem no ar e ao vivo, mas não haverá a presença de convidados no estúdio, conforme a apuração do Audiência Carioca.

Ainda no Rio, a Rádio Roquette Pinto ( atualmente conhecida como 94 FM) não terá  programas ao vivo nesta semana, em princípio A equipe de produção tem ido aos estúdios para gravar conteúdo especial a ser veiculado neste período. O jornalismo vai trabalhar em esquema de plantão, conforme a apuração do jornalista Gabriel Gontijo.

Em São Paulo, a Rádio Jovem Pan suspendeu a presença de público para acompanhar o programa Pânico nos estúdios. Um comunicado divulgado nas redes sociais informa que assim que a situação se estabilizar, a seleção da plateia voltará ao normal (clique aqui pra ver).

A Rádio Bandeirantes não terá entrevistas presenciais em seus estúdios até segunda ordem. Elas não vão deixar de ser veiculadas, mas deverão acontecer via skype ou telefone. O mesmo valerá para a participação de colunistas.

O Linha Direta com a Justiça, tradicional quadro da emissora que conta com a participação de advogados e juristas foi ao ar hoje com as intervenções de seus convidados feitas pelo telefone (veja aqui).

Outra medida da emissora do Morumbi é que agora cada apresentador fica com uma espuma de microfone personalizada, sem uso por mais de um, informa Edu Cesar, do Papo de Bola.

No que diz respeito à sua programação, a Bandeirantes cancelou o Resenha, Futebol e Humor desta segunda-feira. Em seu lugar entrou uma edição especial do  “RB News” apresentado por  Bruna Barboza e Bernardo Ramos no seu horário.

Outras emissoras poderão adotar medidas semelhantes as que foram descritas acima.

Na área administrativa, algumas rádios liberaram seus funcionários para trabalharem em casa.

Por outro lado, a pauta Coronavírus está influenciando até em programas esportivos. O Esperando o Futebol,  pré-jogo da Rádio Guaíba, dedicou boa parte de seu tempo ao tema e suas implicações no mundo do futebol neste último domingo. No Brasil, as partidas de vários campeonatos regionais foram disputadas sem a presença de público, exemplo do campeonato gaúcho. Claro que o momento é sério, mas não seria surpresa se a emissora mudasse o nome da sua atração, naquele momento, para Esperando o Coronavírus (veja aqui).

Coronavírus

 

Futebol: coronavírus fará com que emissoras da Grande São Paulo recorram ao off tube

Por Rodney Brocanelli

A Federação Paulista de Futebol divulgou nota oficial à imprensa no começo da noite desta sexta (13) informando o protocolo a ser seguido nas partidas válidas pelo campeonato paulista que deverão ser disputadas com portões fechados. Após acordo com os clubes envolvidos e as entidades que representam cronistas esportivos e fotógrafos, ficou decidido que apenas as detentoras dos direitos de transmissão terão acesso aos estádios. Ou seja, apenas profissionais de Globo e Sportv/Premiere poderão trabalhar livremente nas praças esportivas. Por outro lado, quem trabalha em rádio ou web rádio terá de transmitir as partidas no conforto de seus estúdios, acompanhando as imagens da televisão.

As partidas São Paulo x Santos, Corinthians x Ituano e Portuguesa x Rio Claro serão disputadas com portões fechados como parte de medidas para evitar o avanço do Coronavírus, nome dado a uma família de vírus que causa infecções respiratórias em seres humanos. A epidemia mais recente começou na China, em dezembro de 2019, e se espalhou para diversas partes do planeta. A Itália é um dos países mais afetados da Europa e relatos de casos já começaram a surgir nos Estados Unidos. Casos de Coronavírus começaram a aparecer no Brasil. Eventos culturais e esportivos estão sendo cancelados pelo mundo. Só por aqui que se fala em manter o calendários de competições, sem a presença de público.

No entanto, a resolução da FPF gera algumas inquietações. Conforme o comunicado (veja aqui), a medida se restringe apenas aos jogos disputados na capital paulista. No interior, segue tudo normal no que diz respeito à presença de publico e dos profissionais de imprensa.

E quanto aos profissionais das emissoras que detém os diretos de transmissão? Enquanto seus colegas são poupados, eles estarão presentes nos estádios da capital para a cobertura dos jogos. Será que terão alguma proteção especial?

Sobre a não presença das rádios nos estádios, sabe-se que para algumas emissoras da Grande São Paulo nada deverá mudar de forma tão radical, uma vez que muitas delas não tem enviado equipes para as transmissões mesmo quando os jogos acontecem na região.

E se a intenção é evitar a aglomeração nos estádios, e o que dizer da aglomeração no estúdio? Para a transmissão de partidas off tube (termo “técnico” que designa transmissões feitas olhando um monitor de televisão), os profissionais são reunidos no mesmo local (muitas vezes pequeno e improvisado), quase que se acotovelando e não respeitando a distância recomendada pelos orgãos de saúde.

rádio esportivo

 

Silvio Luiz deixa Transamérica FM

Por Rodney Brocanelli

Silvio Luiz não faz mais parte da equipe esportiva da Transamérica FM (SP). Na emissora desde 2011, ele atuava como comentarista e debatedor do programa Papo de Craque (primeira e segunda edições). Sua saída ocorreu há pouco menos de um mês.  A passagem de Silvio foi marcante não apenas pelas suas análises a respeito do futebol brasileiro, mas por gerar, sem saber um memê nas redes sociais. Cada vez que anunciava suas participações no programa, ele escrevia no Twitter que estava indo (ou voltando da) para a Transa, forma, digamos, carinhosa, com a qual ele se referia à emissora (veja aqui). No entanto, a galera que curte um duplo sentido, aproveitava para, também digamos, deitar e rolar. Silvio segue na Rede TV!, como narrador esportivo.

 

Divulgados os vencedores da categoria rádio do Prêmio APCA 2019

Por Rodney Brocanelli

O júri de Rádio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), entidade com mais de 60 anos de história, definiu neste fim de semana os programas e os radialistas vencedores do prêmio desta categoria (veja aqui os indicados). A eleição desta e de outras categorias aconteceu na noite desta segunda (09/12). Veja abaixo a lista dos premiados.

Programa jornalístico: “Radar Noticioso” – Rede Metropolitana (Vale do Paraíba)* – http://redemetropolitana.com.br/ao-vivo/

Apresentador (jornalismo): Roberto Nonato (CBN) – https://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn-2-edicao/JORNAL-DA-CBN-2-EDICAO.htm

Produtor/apresentador (musical – popular): Jones Mendes e Tonho Prado – “Coração Sertanejo” (Nativa FM) – https://www.facebook.com/coracaosertanejonativafm/

Produtor/apresentador (musical – pop/rock): André Góis – “Hora da Vitrola” (Eldorado) – https://eldorado.estadao.com.br/programas/a-hora-da-vitrola

Produtor/apresentador (entretenimento): Domenico Gato e Silvio Ribeiro – “Morde Assopra” (Energia 97) – https://www.97fm.com.br/programas/programa.php?p=20

Webrádio: Web Vintage Radio – https://webvintageradio.com

Podcast: Meio Rádio – http://meioradio.com.br/

Votaram: Fausto Silva Neto, Marcelo Abud, Marco Antônio Ribeiro e Maria Fernanda Texiera. A festa de entrega dos prêmios acontecerá no 17 de fevereiro de 2020, no Teatro Sérgio Cardoso.

apca